PARA EVANGELIZAR

PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO








“Um homem tinha dois filhos. Disse o mais moço a seu pai: Meu pai, dá-me a parte dos bens que me toca. E ele repartiu os seus haveres entre ambos. Poucos dias depois o filho mais moço ajuntando tudo o que era seu, partiu para um país longínquo e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido
tudo, sobreveio àquele país uma grande fome e ele começou a passar necessidades.
Então foi encostar-se a um dos cidadãos daquele país e este o mandou para seus
campos a guardar porcos; ali desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos
comiam, mas ninguém lhas dava. Caindo, porém, em si, disse: Quantos jornaleiros de
meu pai têm pão com fartura e eu aqui, morrendo de fome! Levantar-me-ei, irei a
meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o Céu e diante de ti; já não sou digno de ser
chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros. E levantando-se foi a seu
pai. Estando ele ainda longe, seu pai viu-o e teve compaixão dele, e; correndo, o
abraçou e o beijou. Disse-lhe o filho: Pai, pequei contra o Céu e diante de ti; já não
sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: trazei
depressa a melhor roupa e vesti-lha, e ponde-lhe o anel no dedo e sandálias nos pés;
trazei também um novilho cevado, matai-o, comamos e regozijemo-nos, porque este
meu filho era morto e reviveu, estava perdido e se achou. E começaram a regozijar-se. Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e, quando voltou e foi chegando à
casa, ouviu a música e a dança, e chamando os criados perguntou-lhes o que era
aquilo. Um deles respondeu: Chegou teu irmão e teu pai mandou matar o novilho
cevado, porque o recuperou com saúde. Então ele se indignou, e não queria entrar; e,
sabendo disso, seu pai procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu: Há tantos anos que
te sirvo, sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para eu
me regozijar com os meus amigos; mas, quando veio este teu filho que gastou teus
bens com meretrizes, tu mandaste matar o novilho mais gordo. Respondeu-lhe o pai:
Filho, tu sempre estás comigo, e tudo que é meu é teu; entretanto, cumpria
regozijarmo-nos e alegrarmo-nos, por que este teu irmão era morto e reviveu, estava
perdido e se achou.”
(Lucas, XV, 11-32.)
Esta Parábola imaginosa relatada pelo Evangelista Lucas é a doce e melodiosa
Palavra de Jesus, dizendo aos homens da bondade sem limites, da caridade infinita de
Deus!
Ambas as individualidades que representam o Filho Obediente e o Filho
Desobediente simbolizam a Humanidade Terrestre.
O Pai de ambos aqueles filhos, simboliza Deus.
Uma pequena, pequeníssima parte da Humanidade personificada no Filho
Obediente, se esforça por guardar a Lei Divina e permanece, portanto, na Casa do
Pai. A outra parte personifica o Filho Desobediente, que, de posse dos haveres
celestiais, dissipa todos esses bens e vive dissolutamente, até chegar ao extremo de
ter de comer das alfarrobas que os porcos comem. Esse extremo é que o força a
voltar à casa paterna, onde, acolhido com benemerência e conforto, volta a participar
das regalias concedidas aos outros filhos.
Em resumo: esta simples alegoria, capaz de ser compreendida por uma criança,
demonstra o amparo e a proteção que Deus sempre reserva a todos os seus filhos.
Nenhum deles é abandonado pelo Pai Celestial, tenha os pecados que tiver, pratique
as faltas que praticar, porque se é verdade que o filho chega a perder a condição de
filho, o Pai nunca perde a condição de Pai para com todos, porque todos somos
criaturas suas. Estejam eles onde estiverem, quer no Mundo, quer no Espaço; quer
neste planeta, quer em país longínquo, ou seja noutro planeta, com um corpo de carne
ou com um corpo espiritual, o Pai a nenhum despreza, a nenhum abandona, porque
nos criou para gozarmos da sua Luz, da sua Glória, do seu Amor!
O Pai Celestial não é o pai da carne e do sangue, pois como disse o Apóstolo:
“a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”; a carne e o sangue são
corruptíveis, só o Espírito é incorruptível, só o Espírito permanece eternamente. O
Pai Celestial é Espírito, é Deus de Verdade, Deus Vivo, por isso seus filhos também
são Espíritos que permanecem na Imortalidade.
A Luz, a Verdade, o Amor não foram criados para os corpos, mas sim para as
almas.
Como poderia Deus criar um “filho pródigo”, a não ser para que ele, depois de
passar pela experiência dura do mal que praticou, voltar para o seu Criador, e,
arrependido, propor o não mais ser perdulário, mas adaptar-se à Vontade Divina, e
caminhar para os destinos felizes que lhe estão reservados!
Como poderia Deus criar uma alma ao lado de um Inferno Eterno!
Que pai é esse que produz filhos para mandá-los atormentar para sempre?
A Parábola do Filho Pródigo é a magnificência de Deus e ao mesmo tempo o
solene e categórico protesto de Jesus contra a doutrina blasfema, caduca, irracional
das penas eternas do Inferno, inventada pelos homens.
Não há sofrimentos eternos, não há dores infindáveis, não há castigos sem fim,
porque se os mesmos fossem eternos, Deus não seria justo, sábio e misericordioso.
Há gozos eternos, há prazeres inextinguíveis, há felicidades indestrutíveis por
todo o infinito, esplendores por toda a Criação, Amor por toda a Eternidade!
Erguei as vossas vistas para os céus. O que vedes? Um manto estrelado sobre
vossas cabeças, chispas luminosas vos cercam de carícias; fulgurações multicores vos
atraem para as regiões da felicidade e da luz!
Olhai para baixo, para a terra, para as águas: o que vedes? Essas chispas, essas
luzes, essas estrelas, essas cintilações retratadas no espelho das águas, nas carolas das
flores, nos tapetes verdejantes dos campos; porque das luzes nascem as cores, são
elas que dão colorido às flores, que iluminam os campos, que agitam as águas!
Ó! homem, onde quer que estejas, se quiseres ver com os olhos do Espírito,
verás a bondade e o amor de Deus animando e vivificando o Universo inteiro! Tanto
em baixo como em cima, à esquerda como à direita, se abrires os olhos da razão,
verás a mesma lei sábia, justa, equitativa, regendo o grão de areia e o gigantesco Sol
que se baloiça no Espaço; o infusório que emerge, a gota dágua e o Espírito de Luz,
que se eleva sereno às regiões bem-aventuradas da Paz!
A Lei de Deus é igual para todos: não poderia ser boa para o bom e má para o
mau; porque tanto o que é bom quanto o que é mau estão sob as vistas do Supremo
Criador, que faz do mau bom, e do bom melhor: pois tudo é criado para glorificar o
seu Imaculado Nome!
Não há privilégios nem exclusões para Deus; para todos Ele faz nascer o seu
Sol, para todos faz brilhar suas estrelas, para todos deu o dia e a noite; para todos faz
descer a chuva!
Quando a criatura humana, num momento de irreflexão se afasta de Deus, e,
dissipando os bens que o Criador a todos doou, se entrega a toda sorte de dissoluções,
a dor e a miséria, esses terríveis aguilhões do Progresso Espiritual ferem rijo a sua
alma orgulhosa até que, num momento supremo de angústia, ela possa elevar-se para
Deus e deliberar reentrar no caminho da perfectibilidade. É então que, como o Filho
Pródigo, o homem transviado, tocado pelo arrependimento, volta-se para o Pai
carinhoso e diz: “Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser
chamado teu filho...” E Deus, nosso amoroso Criador, que já o havia visto em
caminho para dEle se aproximar e rogar, abre àquele filho as portas da regeneração e
lhe faculta todas as dádivas, todos os dons necessários para esse grandioso trabalho
da perfeição espiritual.
Está escrito no Evangelho que houve um banquete com música e festa à
chegada do Filho Pródigo à Casa Paterna. Está escrito mais, que o Pai mandou ver a
melhor roupa para vestir o filho que voltou, as melhores sandálias para lhes
resguardar os pés e, ainda lhe colocou no dedo um belo anel, tal foi a alegria que
teve, e tal é a alegria nos Céus, quando uma alma transviada, para os Céus se volta.
O Pai está sempre pronto a receber o Filho Pródigo, e os Céus estão sempre
abertos à sua chegada
Não há falta, por maior que seja, que não se possa reparar; assim como não há
nódoa, por mais fixa que pareça, que não se possa apagar.
Tudo se retempera, tudo se corrige, tudo se transforma, do pequeno para o
grande, do mau para o bom, das trevas para a luz, do erro para a verdade! Tudo
limpa, tudo alveja, tudo reluz ao atrito do fogo sagrado do Progresso, tudo se
aperfeiçoa, tudo evolui, todas as almas caminham para Deus!
Eis o que diz o Evangelho, mas o Evangelho de Jesus Cristo, o Evangelho do
Amor a Deus e ao próximo.
Completando a Parábola, vemos que o Filho Pródigo recebeu os bens, saiu de
casa, esbanjou-os dissolutamente numa vida desregrada. E o que não foi Pródigo, o
Filho Obediente, por seu turno, enterrou seus bens, como aquele que enterrou o
talento da Parábola.
O que diz o Evangelho que o Filho Obediente fez dos bens que possuía?
Ele vivia à custa do Pai, participava de todos os bens que havia em casa, e, com
a chegada do irmão, ao ver a festa com que aquele foi recebido, entristeceu-se: cheio
de egoísmo, de avareza, revoltou-se contra o Pai!
Infelizmente, é assim esta atrasada Humanidade! Ela se compõe de Filhos
Pródigos e de Filhos Obedientes, mas estes parecem ser ainda piores que aqueles!
E tanto é verdade o que nos passa pela mente, que, ao concluir a Parábola, o
Mestre exalta os pródigos que voltam e censura os obedientes que ficam, não só com
os bens que receberam, como, também, com as paixões más de que não se querem
despojar!
Mas a Humanidade progride, e este mundo passará a hierarquia mais elevada
com a vinda de Espíritos melhores, que nos orientarão para o Bem e o Belo, para a
realização total dos nossos destinos!
Caibar Schutel
Parábolas e Ensinos de Jesus










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PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO







“Levantando-se um doutor da Lei experimentou-o, dizendo: Mestre, que farei
para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na Lei?
como lês tu? Respondeu ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de
toda a tua alma, de toda a tua força e de todo o teu entendimento e ao próximo como
a ti mesmo. Replicou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isso e viverás. Ele, porém,
querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Prosseguindo,
Jesus disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó; e caiu nas mãos de salteadores
que, depois de o despirem e espancarem, se retiraram, deixando-o meio morto. Por
uma coincidência descia por aquele caminho um sacerdote; e quando o viu, passou de
largo. Do mesmo modo também um levita, chegando ao lugar e vendo-o, passou de
largo. Um samaritano, porém, que ia de viagem, aproximou-se do homem, e, vendo-o,
teve compaixão dele; e chegando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e
vinho; e pondo-o sobre seu animal, levou-o para uma hospedaria e tratou-o. No dia
seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: Trata-o, e quanto gastares
de mais, na volta to pagarei. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que
caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu o doutor da Lei: Aquele que usou de
misericórdia para com ele. Disse-lhe Jesus: Vai e faze tu o mesmo.” (Lucas, X, 25-
37.)
Se examinarmos atentamente a Doutrina de Jesus, veremos em todos os seus
princípios a exaltação da humildade e a humilhação do orgulho.
As personalidades mais impressionantes e significativas de suas parábolas são
sempre os pequenos, os humildes, os repudiados pelas seitas dominantes, os
excomungados pela fúria e ódio sacerdotal, os acusados pelos doutores da Lei, pelos
rabinos, pelos fariseus e escribas do povo, em suma, os chamados heréticos e
descrentes! Todos estes são os preferidos de Jesus, e julgados mais dignos do Reino
dos Céus que os potentados da sua época, que os sacerdotes ministradores da lei, que
os grandes, os orgulhosos, os representantes da alta sociedade!
Leiam a passagem da “mulher adúltera”, a Parábola do Publicano e do Fariseu,
a do Filho Pródigo, a da Ovelha Perdida, a do Administrador Infiel, a do Rico e o
lázaro; vejam o encontro de Jesus com Zaqueu, ou com Maria de Betânia, que lhe
ungiu os pés; as Parábolas do Grão de Mostarda em contraposição à da frondosa
Figueira Sem Frutos, e a do Tesouro Escondido em contraposição à dos tesouros
terrenos e das ricas pedrarias que adornavam os sacerdotes!
Esta afirmação se confirma com esta sentença do Mestre aos fariseus e
doutores da lei: “Em verdade vos afirmo que as meretrizes e os pecadores vos
precederão no Reino dos Céus.”
E para que melhor testemunho desta verdade, que aparece aos olhos de todos
os que penetram o Evangelho em espíritos, do que esta Parábola do Bom Samaritano?
Os samaritanos eram considerados heréticos aos olhos dos judeus ortodoxos;
por isso mesmo eram desprezados, anatematizados e perseguidos.
Pois bem, esse que, segundo a afirmação dos sacerdotes, era um descrente, um
condenado, foi justamente o que Jesus escolheu como figura preeminente de sua
Parábola. O interessante, ainda, é que a referida parábola foi proposta a um Doutor da
lei, a um judeu da alta sociedade que, para tentar o Mestre, foi inquiri-lo a respeito da
vida eterna.
O judeu doutor não ignorava os mandamentos, e como os podia ignorar se era
doutor! Mas, com certeza, não os praticava! Conhecia a teoria, mas desconhecia a
prática. O amor de toda a alma, de todo o coração, de todo o entendimento e de toda a
força que o doutor Judeu conhecia, não era ainda bastante para fazê-lo cumprir seus
deveres para com Deus e o próximo.
Amava, como amavam os fariseus, como os escribas amavam e como amam os
sacerdotes atuais, os padres contemporâneos e os doutores da lei de nossos dias. Era
um amor muito diferente e quiçá oposto ao que preconizou o Filho de Deus.
É o amor do sacerdote, que, vendo o pobre ferido, despido e espancado, quase
morto, passou de largo; é o amor do levita (padre também da Tribo de Levi), que,
vendo caído, ensanguentado, nu e arquejante à beira do caminho, por onde passava,
um pobre homem, também se fez ao largo; é o amor dos egoístas, o amor dos que não
compreenderam ainda o que é o amor; é o amor do sectário fanático que ama a
abstração mas desama a realidade!
Salientando na sua Parábola essas personalidades poderosas da sua época, e
cujo exemplo é fielmente imitado pelo sacerdócio atual, quis Jesus fazer ver aos que
lessem o seu Evangelho que a santidade dessa gente não chega ao mínimo do Reino
dos Céus, ao passo que os excomungados pelas Igrejas, que praticam o bem, se
acham no caminho da vida eterna.
De fato, quem é o meu próximo, se não o que necessita de meus serviços, de
minha palavra, de meus cuidados, de minha proteção?
Não é preciso ser cristão para se saber isto que o próprio Doutor da Lei afirmou
em resposta à interpelação de Jesus: “O próximo do ferido foi aquele que usou de
misericórdia para com ele.” Ao que Jesus disse, para lhe ensinar o que precisava fazer
a fim de herdar a vida eterna:
“Vai, e faze tu a mesma coisa.”
O que equivale a dizer: Não basta, nem é preciso ser Doutor da Lei, nem
sacerdote, nem fariseu, nem católico, nem protestante, nem assistir a cultos ou
cumprir mandamentos desta ou daquela Igreja, para ter a vida eterna; basta ter
coração, alma e cérebro, isto é, ter amor, porque o que verdadeiramente tem amor, há
de auxiliar o seu próximo com tudo o que lhe for possível auxiliar: seja com dinheiro,
seja moralmente ensinando os que não sabem, espiritualmente prodigalizando afetos
e descerrando aos olhos do próximo as cortinas da vida eterna, onde o espírito
sobrevive ao corpo, onde a vida sucede à morte, onde a Palavra de Jesus triunfa dos
preceitos e preconceitos sacerdotais!
Finalmente, a Parábola do Bom Samaritano refere-se verdadeiramente a Jesus;
o viajante ferido é a Humanidade saqueada de seus bens espirituais e de sua
liberdade, pelos poderosos do mundo; o sacerdote e o levita significam os padres das
religiões que, em vez de tratarem dos interesses da coletividade, tratam dos interesses
dogmáticos e do culto de suas Igrejas; o samaritano que se aproximou e atou as
feridas, deitando nelas azeite e vinho, é Jesus Cristo. O azeite é o símbolo da fé, o
combustível que deve arder nessa lâmpada que dá claridade para a Vida Eterna — a
sua Doutrina; o vinho é o suco da vida, é o espírito da sua Palavra; os dois denários
dados ao hospedeiro para tratar do doente, são: a caridade e a sabedoria; o mais, que
o “enfermeiro” gastar, resume-se na abnegação, nas vigílias, na paciência, na
dedicação, cujos feitos serão todos recompensados. Enfim, o hospedeiro representa os
que receberam os seus ensinos e os “denários” para cuidarem do “viajante ferido e

saqueado”.
CAIBAR SCHUTEL
PARÁBOLAS E ENSINOS DE JESUS

PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA







“Qual é a mulher que tendo dez dracmas e perdendo uma, não acende a
candeia, não varre a casa e não a procura diligentemente até achá-la? Quando a tiver
achado, reúne as suas amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, porque
achei a dracma que tinha perdido! Assim, digo-vos, há júbilo na presença dos anjos
de Deus por um pecador que se arrepende.”

(Lucas, XV, 8-10.)
O principal escopo de Jesus, durante toda a sua existência na Terra, foi
demonstrar aos homens a Imortalidade da Alma, a Vida Eterna, a bondade, a
misericórdia, a solicitude desse Deus, que Ele anunciava, para com todas as suas
criaturas.
Nunca o Mestre exigiu de seus discípulos holocaustos e sacrifícios. O que Ele
queria é que o amassem, que cressem na sua Palavra e confiassem no Pai, que ele
tinha vindo anunciar, Pai criador e zelador de toda a sua criação, de todas as suas
obras; que veste os lírios e as açucenas, e alimenta os passarinhos; que procura a ovelha perdida; que recebe o filho pródigo, e que sente grande contentamento quando
um de seus filhos para Ele se volta e lhe solicita os benefícios de que necessita para sua ascensão espiritual!
Para bem gravar os Seus ensinos na imaginação de seus ouvintes, o Mestre
amoroso, sempre que se lhe oferecia ocasião, fazia comparações servindo-se de ocorrências que se verificavam todos os dias, exaltando assim os impecáveis atributos de Deus.
A Parábola da Dracma Perdida, que não passa de um simples episódio, em que
Jesus reuniu às exortações que fez certa vez aos publicanos e pecadores, compara Ele
a alegria que há no Mundo Espiritual, na presença dos Mentores, quando um pecador se arrepende, com a alegria que tem uma mulher ao achar 315 réis (uma dracma)(5),
que havia perdido!
E faz ver que, pela mesma forma que a mulher, ao perder a dracma, acende a
candeia, varre a casa e procura-a diligentemente até achá-la, também Deus emprega
todos os meios que sabiamente sugere aos Espíritos seus Mensageiros para encontrar
a sua dracma, ou seja o pecador que se perdeu, a fim de ser ele restituído à casa paterna.
O Deus de Jesus, como se vê, é o Deus sábio e benevolente, o Deus amoroso e
caritativo, e não o “Deus” pródigo, cioso, vingativo e mau, ensinado pelas religiões humanas, pelos sacerdotes.
É isto que quer a parábola: exaltar a bondade e o amor de Deus, que em nós

desperta princípios de sabedoria, para nos aproximarmos do Supremo Senhor.
CAIBAR SCHUTEL
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PARÁBOLA DA CANDEIA


“Ninguém, depois de acender uma candeia, a cobre com um raso ou a
põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz. Porque não há coisa oculta que não
 venha a ser manifesta; nem coisa secreta que se não haja de saber e vir à
luz. Vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, ser-lhe-á dado; e ao que
não tiver, até aquilo que pensa ter, ser-lhe-á tirado.”
(Lucas, VIII, 16-18.)
“E continuou Jesus: Porventura vem a candeia para se pôr debaixo do
módio ou debaixo da cama? Não é antes para se colocar no velador?
Porque nada está oculto senão para ser manifesto; e nada foi escondido
senão para ser divulgado. Se alguém tem ouvidos de ouvir, ouça. Também
lhes disse: Atenta! no que ouvis. A medida de que usais, dessa usarão
convosco: e ainda se vos acrescentará. Pois ao que tem, ser-lhe-á dado; e
ao que não tem, até aquilo que pensa ter, ser-lhe-á tirado.”
(Marcos, IV, 21-25.)
A Luz é indispensável à vida material e à vida espiritual. Sem luz não
há vida; a vida é luz quer na esfera física, quer na esfera psíquica. Apague-se o Sol, fonte das luzes materiais e o mundo deixará, incontinente, de
existir. Esconda-se a luz da sabedoria e da Religião sob o módio da má fé
ou do preconceito, e a Humanidade não dará mais um passo, ficará
estatelada debatendo-se em trevas.
Assim, pois, tão ridículo é acender uma candeia e colocá-la debaixo da
cama, como conceber ou receber um novo conhecimento, uma verdade
nova e ocultá-los aos nossos semelhantes.
Acresce ainda que não é tão difícil encontrar o que se escondeu porque
“não há coisa oculta que não venha a ser manifesta”. Mais hoje, mais
amanhã, um vislumbre de claridade denunciará a existência da candeia
que está sob o leito ou sob o módio, e que desapontamento sofrerá o
insensato que aí a colocou!
A recomendação feita na parábola é que a luz deve ser posta no
velador a fim de que todos a vejam, por ela se iluminem, ou, então, para
que essa luz seja julgada de acordo com a sua claridade.
“Uma árvore má não pode dar bons frutos”; e o combustível inferior
não dá, pela mesma razão, boa luz. Julga-se a árvore pelos frutos e o
combustível pela claridade; pela pureza da luz que dá.
A luz do azeite não se compara com a do petróleo, nem esta com a do
acetileno; mas todas juntas não se equiparam à eletricidade.
Seja como for, é preciso que a luz esteja no velador, para se distinguir
uma da outra. Dar a necessidade do velador.
No sentido espiritual, que é justamente o em que Jesus falava, todos os
que receberam a Luz da sua Doutrina precisam mostrá-la, não a
esconderem sob o módio do interesse, nem sob o leito da hipocrisia. Quer
seja fraca, média ou forte; ilumine na proporção do azeite, do petróleo, do
acetileno ou da eletricidade, o mandamento é: “Que a vossa luz brilhe
diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras (que são as
irradiações dessa luz) glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus.”
Ter luz e não fazê-la iluminar, é colocá-la sob o módio; é o mesmo que
não a ter; e aquele que não a tem e pensa ter, até o que parece ter ser-lhe-á tirado. Ao contrário, “aquele que tem, mais lhe será dado”, isto é, aquele que usa o que tem em proveito próprio e de seus semelhantes, mais lhe será dado.
 A chama de uma vela não diminui, nem se gasta o seu combustível por acender cem velas; ao passo que estando apagada é preciso que alguém a acenda para aproveitar e fazer aproveitar sua luz.
Uma vela acendendo cem velas, aumenta a claridade, ao passo que,
apagada, mantém as trevas. E como temos obrigação de zelar, não só por
nós como pelos nossos semelhantes, incorremos em grande
responsabilidade pelo uso da “medida” que fizemos; se damos um dedal
não podemos receber um alqueire; se uma oitava, não podemos contar
com um quilo em restituição, e, se nada damos o que havemos de receber?
A luz não pode permanecer sob o módio, nem debaixo da cama. A
candeia, embora matéria inerte, nos ensina o que devemos fazer, para que a Palavra do Cristo permaneça em nós, possamos dar muitos frutos e
sejamos seus discípulos.
Assim, o fim da luz é iluminar e o do sal é conservar e dar sabor.
Sendo os discípulos de Jesus luz e sal, mister se faz que ensinem,
esclareçam, iluminem, ao mesmo tempo que lhes cumpre conservar no
ânimo de seus ouvintes, de seus próximos, a santa doutrina do Meigo
Rabino, valendo-se para isso do espírito que lhe dá o sabor moral para
ingerirem esse pão da vida que verdadeiramente alimenta e sacia.
Assim como a luz que não ilumina e o sal que não conserva, para nada
prestam, assim, também, os que se dizem discípulos do Cristo e não
cumprem os seus preceitos nem desempenham a tarefa que lhes está
confiada, só servem para serem lançados fora da comunhão espiritual e
serem pisados pelos homens.
A candeia sob o módio não ilumina; o sal insípido não salga, não
conserva, nem dá sabor.

“Que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras (que são as irradiações dessa luz) glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus.”
PARÁBOLA DA CANDEIA
(Lucas, VIII, 16-18.) 
OS COMENTÁRIOS SÃO DE CAIBAR SCHUTEL


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AS CRIANÇAS COLARAM CORAÇÕES DOURADOS NA LAMPARINA




A roupa nova — Lucas 5.36


Então lhes contou esta parábola: "Ninguém tira remendo de roupa nova e o costura em roupa velha; se o fizer, estragará a roupa nova, além do que o remendo da nova não se ajustará à velha.

Lucas 5:36-37
O Vinho Novo
Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos”.


Neste evangelho, Jesus nos mostra com clareza que Ele não veio remendar o que não tem mais conserto; veio para dar vida nova aos que o seguem. Muitas pessoas podem estão pensando neste exato momento em que você lê este texto que não servem pra nada, que são pessoas inúteis, e outras mesmas desejavam não ter nascidos, sentindo um trapo sem serventia. Estão vestidos de vergonha e amargura, pois não veem mais possibilidades de felicidade e alegria. Jesus pode mudar isso! Ele não quer simplesmente vir atrás de nós remendando e concertar nossos erros. Ele deseja ir a nossa frente, tomar a direção de nossas vidas, e nos abençoando.




 NESTE DESENHO DE CASAQUINHO, AS CRIANÇAS COLARAM RETALHOS DE TECIDOS COLORIDOS. SÃO CRIANÇAS DE 1º CICLO. FICOU UM LINDO TRABALHO!
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"A PARÁBOLA DO SEMEADOR"

(Mateus, capítulo 13º, versículos 1 a 9, e 18, a 23)

Um semeador, como fazia todos os dias, saiu de casa e se dirigiu ao seu campo para nele semear os grãos de trigo que possuía, honrando a Deus com seu trabalho honesto.
Começou a semeadura. Enquanto lançava as sementes ao campo, algumas caíram no caminho, na pequena estrada que ficava no meio da seara. Você sabe que os passarinhos costumam acompanhar os semeadores ao campo, para comer as sementes que caem ao chão? Pois, isso aconteceu em nossa história. Alguns grãos caíram à beira da estrada, e os passarinhos, rápidos, desceram e os comeram.





O semeador, porém, continuou semeando. Outras sementes caíram num lugar pedregoso. Havia ali muitas pedras e pouca terra. As sementes nasceram logo naquele solo, que não era profundo. O trigo cresceu depressa, mas, vindo o sol forte, foi queimado; e como suas raízes não cresceram por causa das pedras, murchou e morreu.

Outros grãos caíram num pedaço do campo onde havia muitos espinheiros. Quando o trigo cresceu, foi sufocado pelos espinhos e também morreu. 

Uma última parte das sementes caiu numa terra boa e preparada, longe dos pedregulhos e das sarças.
E o trigo ali semeado deu uma colheita farta. Cada grão produziu outros cem, outros sessenta ou outros trinta...

O próprio Jesus explicou a Seus discípulos a Parábola do Semeador.
As nossas almas, filhinho, são comparáveis aos quatro terrenos da história: "o terreno do caminho", "o solo cheio de pedras", "a terra cheia de espinheiros e "o terreno lavrado e bom Jesus é o Divino Semeador. A semente é a Sua Palavra de bondade e de sabedoria. E os diversos terrenos são os nossos corações, os nossos Espíritos, onde Ele semeia Seus ensinamentos, cheio de bondade para conosco.
E como procedemos para com Jesus? Como respondemos à Sua bondade? O modo como damos resposta ao amor cuidadoso do Divino Mestre é que nos classifica espiritualmente, isto é, mostra que espécie de terreno existe em nossa alma. Cada coração humano é uma espécie de terra, um dos quatro solos da parábola.

Vejamos, então, filhinho:
Quando alguém ouve a palavra do Evangelho e não procura compreendê-la, nem lhe dá valor, aparecem as forças do mal (os Espíritos maldosos, desencarnados ou encarnados) e arrebatam o que foi semeado no seu coração, tais como os passarinhos comeram as sementes... E sabe de que modo? Fazendo com que a alma esqueça o que ouviu, dando outros pensamentos à pessoa, fazendo com que ela se desinteresse das coisas espirituais.

E a alma fica indiferente aos ensinamentos divinos. O coração dessa pessoa é semelhante ao "terreno do caminho", onde a semente não chegou a penetrar. Um exemplo desse terreno é a criança que não presta atenção às aulas de Evangelho, ficando distraída durante as explicações. Ou ainda, a criança que não gosta de ler os livrinhos que ensinam o caminho de Jesus...

E o segundo terreno, o pedregoso?
Esse terreno é a imagem da pessoa que recebe os ensinos de Jesus com muita alegria. São exemplos as pessoas entusiasmadas com o serviço cristão, ou as crianças animadas nas escolas de Evangelho, mas cuja animação dura pouco. Quando surgem as zombarias, as perseguições ou os sofrimentos, a alma, que é inconstante, abandona o caminho do Evangelho. Um exemplo para você, filhinho: uma criança está frequentando as aulas de Moral Cristã numa Escola Espírita. Está aprendendo os mandamentos divinos, os ensinos de Cristo, o caminho do bem, da pureza, da honestidade. Está muito contente com o que está estudando. Sente-se animada e feliz. Um dia, aparece um colega do colégio ou da vizinhança, dizendo que o "Espiritismo é obra do demônio", que "os que frequentam aulas de Evangelho nas escolas Espíritas ficam loucos e vão para o inferno". E zomba dele sempre que o encontra e lhe põe apelidos humilhantes. O nosso amiguinho não tem ainda firmeza de fé. Tem medo das zombarias dos colegas e dos vizinhos, que dizem que "somente sua religião é verdadeira" e lhe mandam "receber Espíritos na rua". Amedrontado pela perseguição e pelos motejos, o nosso irmãozinho deixa a Escola de Evangelho, onde estava começando a compreender a beleza do ensino de Jesus e as bênçãos do Espiritismo Cristão. Esse menino tinha o coração semelhante ao "terreno cheio de pedras", onde a planta da verdade não pôde crescer e frutificar.

O terceiro solo é a "terra cheia de espinheiros ". É o caso das pessoas que recebem a palavra do Evangelho, mas, depois abandonam o caminho cristão por causa das grandezas falsas do mundo e da sedução das riquezas. Ouviram o Evangelho, mas se interessaram mais pelos negócios, pelos lucros, pelas vaidades da vida, pelo cuidado exclusivo das coisas da terra. Há também, no mundo das crianças, exemplos desse terreno. São as crianças que conheceram, às vezes desde pequeninas, os ensinos de Jesus, mas, depois de crescidas, preferiram os maus companheiros, as crianças sem Deus, e passaram a interessar-se somente pelos problemas de dinheiro ou de modas, pelos ídolos do cinema ou do futebol. Não querem mais nem Jesus, nem lições de Evangelho. Só pensam em automóveis de luxo, sonham com caminhões, imaginam-se ricos "quando crescerem"... A princípio, sabiam repartir com os pobres o seu dinheirinho, porém, agora só pensam em juntá-lo: a caridade morreu nos seus corações. O mundo, com suas riquezas falsas (que terminam com a morte), seduziu suas almas e sufocou a plantinha de Deus em seus espíritos. Trocaram Jesus pelos sonhos e ambições de carros de luxo, de figurinos, de roupas elegantes, de campos de esporte, de concursos de beleza, de grandezas sociais... A plantinha de Deus foi sufocada pelos espinhos do egoísmo e das ilusões da vida material. E morreu...

O quarto terreno, "a terra lavrada e boa, é o símbolo do coração que escuta o Evangelho, procurando compreendê-lo e praticá-lo na vida. E a alma que estuda a palavra do Senhor, percebendo que está neste mundo para aprender a Verdade e o Bem. E, assim, dá frutos de bondade e eleva-se para Deus. Abandona seus vícios e maus hábitos, dedicando-se à prática das virtudes, guardando a fé no coração, socorrendo carinhosamente os necessitados e sofredores e buscando os conselhos de Deus no Evangelho de Cristo.

O coração de uma criança verdadeiramente cristã é o bom terreno da parábola: cada semente de Jesus se transforma em trinta, sessenta ou cem bênçãos de bondade, de fé e de auxílio ao próximo. O coração dessa criança deseja conhecer sempre mais e melhor os ensinos cristãos. E se esforça sinceramente para fazer a Vontade Divina: amar e perdoar, crer e ajudar, aprender e servir.
Filhinho, aí está a Parábola do Semeador. Medite nela. Que você, guardando a humildade de coração, se esforce para ser, se ainda não o é, o bom terreno, que recebe os grãos de luz do Divino Semeador e dá muitos frutos de sabedoria e bondade.

AS IMAGENS SÃO DA INTERNET









EVANGELHO NO LAR
LIÇÕES DE PROTEÇÃO PARA NOSSA CASA FÍSICA E MENTAL:
"QUANDO O ENSINAMENTO DO MESTRE VIBRA ENTRE QUATRO PAREDES DE UM TEMPLO DOMÉSTICO, OS PEQUENINOS SACRIFÍCIOS TECEM A FELICIDADE COMUM".
(PSICOGRAFIA DE CHICO XAVIER)


Praticas cultos diversos em casa, de maneira imperceptível.
O culto da limpeza.
O culto do pão.
O culto do carinho.
O culto da segurança.
O culto do bem-estar.
A higiene externa, entretanto, pode não incluir a pureza dos pensamentos.
Estômago farto nem sempre é conforto do espírito.
Carinho, em muitas circunstâncias, exprime apego sem ser amor.
Segurança financeira não é fortaleza intrínseca.
Bem-estar, muita vez, é provisória ilusão.
Se abraçares realmente a Doutrina Espírita, não podes ignorar que o culto do Evangelho te ensinará a valorizar todos eles, porquanto, com o Cristo, a limpeza começa na consciência, o pão do conhecimento nutre a alma antes do corpo, a segurança é harmonia moram, o carinho é entendimento fraterno e o bem-estar é realmente a consagração de cada um ao bem de todos.
Pensando nisso, oferece-te Meimei as páginas deste livro. Possa ele, pois, ajudar-te na formação do teu núcleo de Evangelho entre as paredes do próprio lar, porque, se a Doutrina Espírita é o Cristo em luz para a Humanidade, acima de tudo é a luz do Cristo no coração.
EMMANUEL
Uberaba, 10 de outubro de 1959.
Mensagem retirada do livro EVANGELHO EM CASA, ditado pelo espírito Meimei e psicografado por Francisco Cândido Xavier.
ROTEIRO PARA A REALIZAÇÃO DE " O EVANGELHO NO LAR "




Escolher um dia e uma hora por semana e convidar todos da família, senão puderem ou não quiserem participar, faremos sozinhos, só fisicamente, na certeza de que Jesus se fará presente através de seus mensageiros.
1º - Início da reunião: Prece simples e espontânea
2º - Leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo: Começar desde o Prefácio, lendo um item ou dois sempre em seqüência. Se houver crianças ou adolescentes, ver (Sugestões) no final do roteiro.
3º - Comentários sobre o texto lido: Devem ser breves, com participação de todos os presentes.
4º - Vibrações:
Vibrar pela fraternidade, paz e equilíbrio a toda a humanidade;
Vibrar pelos governantes e os que trabalham na elaboração das leis;
Vibrar pela implantação e vivência do Evangelho em todos os lares;
Vibrar para o nosso lar, mentalizando paz, harmonia e saúde e muita luz. Disse Jesus: "Vós sois Luzes"
Pedidos: Mestre Jesus, abençoe nossa família e dá-nos o entendimento e o espírito de compreensão e cooperação; aumente o amor em nossos corações (Até aqui em voz audível)
Segundos de silêncio: Em pensamento e coração vamos conversar com Jesus, cada um de nós tem pedido a Te fazer, a fim de receber a orientação necessária e amorosa que é a iluminação do Cristo em nós (Depois em voz normal)
5º - Prece de encerramento: prece simples e espontânea. Para maiores detalhes, consultar os livros "Evangelho no Lar à Luz do Espiritismo" e "Experiências à Luz do Evangelho no Lar".



PRINCIPAIS FINALIDADES DO EVANGELHO NO LAR:
1º - Estudar o Evangelho à Luz da Doutrina Espirita, a qual possibilita compreendê-lo em "espirito e verdade", facilitando, assim, pautar nossas vidas segunda a vontade do Mestre.
2º - Criar em todos os lares o hábito salutar de reuniões evangélicas, para que despertem e acentuem o sentimento que deve existir em cada criatura.
3º - Pelo momento de paz e de compreensão que o Evangelho no Lar oferece, unir mais as criaturas, proporcionando-lhes uma vivência mais tranquila.
4º - Tornar o Evangelho melhor compreendido, sentido e exemplificado, no lar e em todos os ambientes.
5º - Higienizar o lar pelos nossos pensamentos e sentimentos elevados permitindo assim, mais fácil influência dos Mensageiros do Bem.
6º - Ampliar o conhecimento literal e espiritual do Evangelho para oferecê-lo com maior segurança a outras criaturas.
7º - Facilitar no lar e fora dele o amparo necessário para enfrentar as dificuldades materiais e espirituais, mantendo, operantes, os princípios da oração e da vigilância...
8º - Elevar o padrão vibratório dos componentes do lar, a fim de que ajudem, com mais eficiência, o Plano Espiritual na obtenção de um mundo melhor.





SUGESTÕES
1º - Recomenda-se, depois do estudo de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", a leitura de livros de autores idôneos que forneçam subsídios para os comentários evangélicos.
2º - Fazer vibrações especiais para casos concretos que preocupem os presentes e a sociedade.
3º - Embora a assistência do Plano Espiritual seja indispensável para o andamento normal do Evangelho no Lar, acautelar-se para não transformar a reunião em trabalho mediúnico. Mediunidade e a Assistência Espiritual devem, sempre que possível, ser praticadas em Centros Espíritas.
4º - Evitar comentários de desdouro às religiões e às pessoas, inclusive, as conversações menos edificantes.
5º - Não suspender a prática do "Evangelho no Lar" em virtude de visitas, passeios adiáveis ou acontecimentos fúteis.
6º - A duração da reunião deverá ser de trinta minutos, aproximadamente.
7º ) Quanto às crianças, os pais Cristãos devem permitir e incentivar os seus filhos a participarem da reunião para que eles possam iniciar com segurança a nova experiência física.
Permitir que eles façam comentários, perguntas e colaborem nas preces. Deve ser acrescentado livros de história infantil, despertando neles o interesse e o gosto pelo ensino de Jesus. Lembremo-nos: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais..." (Jesus – Marcos, 10:14)
Leitura recomendada: "Evangelho em Casa", de Chico Xavier, por Meimei.







ARTE E DIA A DIA
imagem de http://sementinhaespirita.blogspot.com
OBJETIVOS: Reconhecer os valores necessários ao exercício da cidadania e identificá-los como pertencentes ao cotidiano.
PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS: 
1- Pedir às crianças que procurem no dicionário o significado de palavras como amizade, solidariedade, respeito, amor, bondade, verdade, mentira, violência, justiça, desprezo, preconceito, ou seja, que estejam presentes em situações do dia a dia e que se tornam evidentes em determinados momentos (tal como a união da população brasileira na Copa do Mundo). 
O professor pode usar como material de apoio algumas histórias infantis:

A VERDADE E A MENTIRA
A verdade marcou encontro com a mentira. A verdade chegou na hora, pontual e certa. A mentira chegou atrasada e se justificou: "Minhas pernas são curtas e bambas. Mas não conte a ninguém". A verdade nada disse, apenas sorriu. A mentira prosseguiu: "O que você quer de mim? Eu sou bonita, você é feia, eu sou jovem, você é velha, eu sou extrovertida, você é tímida, eu sou agradável, você, desagradável, eu sou enfim, aquilo que as pessoas querem. Posso ser qualquer coisa, estar em qualquer lugar, posso fazer tudo o que quero, e, francamente, não vejo o porquê de estar aqui, nesse momento, perdendo meu tempo com alguém que não é bem aceita em todos os lugares. O que você quer de mim, afinal?" disse a mentira com a voz ligeiramente esganiçada. A verdade, com voz límpida e cristalina, respondeu apenas: "Quero lhe dizer que apesar da sua beleza e formosura, eles querem a mim. As pessoas buscam a mim, mesmo quando encontram você". Na hora de ir embora, sempre apressada, a mentira botou o casaco da verdade e saiu correndo. A verdade, para não passar frio, botou a roupa da mentira. E todo mundo achou que a verdade era a mentira e que a mentira era a verdade. Mas foi só por um tempo: logo o vento forte soprou revelando as pernas curtas e bambas da mentira disfarçada.

BONDADE DE HIPOPÓTAMO
Era uma vez um hipopótamo que era bom como um anjo. Ele ajudava as formiguinhas a atravessar o rio, transportava os peixes doentes como seu corpo-balsa e ainda batia uns papos com os jacarés que eram meio calados porque tinham um bafo de onça terrível. Apesar disso, nenhum bicho da floresta acreditava na bondade do hipopótamo: com aquele corpo, como seria possível?
Mas chegou o dia em que os caçadores, sempre eles,  apareceram para estragar a harmonia do hipopótamo, e sem mais nem menos... deram um tiro nele! O hipopótamo, horrorizado com aquele ato de violência gratuita, botou pela primeira vez, as asas para fora e, suavemente, voou até uma árvore, depois até uma nuvem, e finalmente subiu ao céu como bom anjo que era. As formiguinhas choraram e os jacarés chafurdaram na lama. Foi um dia no pântano.
(textos retirados do livro "Histórias para Acordar", de Diléia Frate, da Companhia das Letrinhas).

2- Após a análise e debate dos aspectos destacados e sugeridos pelo professor, divide-se a classe em grupos para que encenem situações nas quais esses valores apareçam (na escola, na rua, em casa, etc).  É interessante que metade dos grupos trabalhe com valores negativos e metade com os positivos, para que eles percebam  as diferenças, a importância e a necessidade de mudança no comportamento em determinados casos, visando a melhoria da vida coletiva.

3- À medida que as crianças estão construindo sua encenação, o professor deve orientá-las e questioná-las sobre seu conteúdo, seus fundamentos e suas intenções.

4- Terminados os ensaios, cada grupo apresenta sua cena.

Avaliação: Depois de todas as apresentações, o professor deve perguntar a todos o que acharam, do que mais gostaram, quais as atitudes mais adequadas e verificar as conclusões que chegaram enfatizando a importância da participação do trabalho na coletividade.
(Essa aula, foi retirada da internet, há muito tempo e estava em meio das coisas que guardo com carinho. Foi no site http://belasartes.br/artenaescola. Aula de autoria de Andrea Roschel e Tatiana Prado).

SUGESTÃO PARA TRABALHAR O TEMA
SOLIDARIEDADE:

CORRENTE DE FORMIGUINHAS
HENRIQUETA LISBOA

Caminho de formiguinhas
fiozinho de caminho.
Caminho de lá vai um,
atrás de uma lá vai a outra.
Uma duas argolinhas,
corrente de formiguinhas.

Corrente de formiguinhas,
centenas de pontos pretos,
cabecinhas de alfinete
rezando contas de terço.
Nas costas das formiguinhas
de correntinhas fininhas
Pesam grandes folhas mortas
que oscilam a cada passo.
Nas costas das formiguinhas
que lá vão subindo o morro
igual ao morro da igreja,
folhas mortas são andores
Nesta Procissão dos Passos.

A PARTIR DA POESIA, PERGUNTAR SOBRE A SOLIDARIEDADE DAS FORMIGAS, DO SEU TRABALHO EM EQUIPE, ETC DEIXAR AS CRIANÇAS FALAREM O QUE PENSAM A RESPEITO. COMPARAR COM A SOLIDARIEDADE HUMANA.
FAZER DESENHOS SOBRE O ASSUNTO.


AS PARTES DA PLANTA
Geni Chaves

SEMENTE
 A SEMENTE PEQUENINA
QUE NA TERRA FOFA SE DEITA,
SE REGADA COM CARINHO,
BROTA, CRESCE E SE ENFEITA

É MESMO UM MILAGRE, NÃO?
DE UM GRÃOZINHO TÃO SINGELO,
QUE PARECE NÃO TER VIDA,
SURGIR UM ARBUSTO TÃO BELO.
RAIZ
CAMINHANDO SOLO A DENTRO
CHEGO A PROFUNDEZA TANTA,
QUE APROVEITANDO-ME A FORÇA
É QUE A ÁRVORE SE LEVANTA

RETIRO DA TERRA BRUTA,
SEMPRE, SEMPRE SEM CESSAR,
A SEIVA QUE AO TRONCO ENVIO
PARA A PLANTA ALIMENTAR.
TRONCO
LEVO À RAMA O SUSTENTO,
 DA ÁRVORE SOU O SUPORTE,
EM MEU SEIO CORRE A SEIVA
QUE TORNA A ÁRVORE FORTE.

SOU EU TAMBÉM QUE FORNEÇO
A TÃO PRECIOSA MADEIRA,
QUE EM OFICINAS TRABALHADA,
É ÚTIL À TERRA INTEIRA

FOLHA
DAS ÁRVORES MOSTRO O VIÇO,
À MATA DOU MAJESTADE,
O AR RESPIRO E DOU VIDA
ÀS PLANTAS E À HUMANIDADE.

ABRIGO COM MINHA SOMBRA,
QUEM SE CANSA DA JORNADA,
DEFENDENDO DAS INTEMPÉRIES
OS NINHOS DA PASSARADA.
FLOR
DAS PARTES QUE A PLANTA TEM,
É ESTA A MAIS VISTOSA,
COM A VERDURA DAS FOLHAS,
FAZ CONTRASTE MUI FORMOSA.

ALÉM DA BELEZA TANTA,
OUTRO PAPEL A FLOR TEM?
É NELA QUE TEM ORIGEM
O FRUTO QUE DEPOIS VEM.

FRUTO
DO FRUTO A POLPA GOSTOSA,
É POR TODOS APRECIADA,
SOU ALIMENTO VALIOSO,
ALEGRIA DA GAROTADA.

MATO A FOME, SUSTENTO
O RICO, O POBRE, O DOENTE,
TAMBÉM PROTEJO E GUARDO
A PRECIOSA SEMENTE.
ÁRVORE
FRONDOSA E ALTANEIRA,
PELA BRISA BALANÇADA,
EIS A ÁRVORE AMIGA,
DE TANTAS PARTES FORMADA.

A SEIVA ME ALIMENTA,
AS FLORES ME DÃO BELEZA,
AIROSA ME CONSIDERO
RAINHA DA NATUREZA!

SUGESTÃO: Trabalhar cada encontro com uma parte da planta. 
1 º dia: Colar semente na base da árvore;
2º dia: colar papel crepom na raiz;
3º dia: colar bolinhas de papel crepom ou quadradinhos coloridos no tronco;
4º dia: colar folhas recortadas na copa da árvore;
5º dia: colar flores coloridas na copa da árvore;
6º dia: colar frutos na copa da árvore.

 Sugestão: Colorir, recortar e montar as partes da árvore, sendo cada parte em um dia.


ENFEITES PARA A SALA "OFICINAS EVANGELIZADORAS MOMENTOS DE LUZ"








BICHINHOS CONFECCIONADOS EM E.V.A., pesquisados na internet.

TURMA AMIGOS DO CORAÇÃO

 DOMINGO NA FAZENDA
Havia uma fazenda que ficava perto de um riacho, com uma ponte muito bonita. Havia árvores de todo tipo nessa fazenda, de manga, de goiaba, de laranja, de limão...  qual outra fruta que vocês conhecem?

Muitos bichinhos moravam lá: (apresentar os personagens)
Os gatinhos felizes, que só queriam saber do seu leitinho;


O urso azul, que gostava de ajudar todo mundo;

O urso alegre, da cara verde, que sempre estava sorrindo;

O urso verde, amigo da natureza, sempre cuidando do jardim;

O urso manchinha, que estava sempre fazendo fofoca dos amigos;

O coelho chorão, que reclamava de tudo;

O Coelho Dentuço, que só queria saber de sua cenoura;

E a Dona Galinha, professora, com seu filhote pintinho amarelinho e seu ovo, que tomava conta de todos.


Todos os domingos eram dias de festa. Os bichinhos acordavam cedo, tomavam banho, escovavam os dentes, penteavam os cabelos, tomavam seu leitinho com pão e ficavam esperando as visitas. (pantomima do banho). 
É que nesse dia, as crianças que moravam na cidade iam visita-los e passavam horas com eles, brincando, abraçando, cantando, e no final do dia iam embora para suas casas e os bichinhos lá ficavam com saudades, mas prontos para mais uma semana de trabalho e de escola.

Porém, numa noite de sábado, véspera de domingo, caiu uma chuva muito forte que começou fininha (fazer o som com os dedos) e foi aumentando, aumentando.....e virou uma tempestade. 

Chegou o domingo e as crianças não apareceram... o Chorão logo reclamou: elas não vêm, buá...buá...
O Alegre tentou animá-lo: calma amigo, daqui a pouco elas chegam. Os  gatinhos nem queriam tomar o leitinho...todos estavam tristes e preocupados. 
O que aconteceu? Será que elas não vêm nunca mais?

Enquanto isso, o urso verde teve uma ótima ideia: gente, vamos aproveitar que a terra está molhada e fofinha e vamos plantar sementes de milho?
Oba! Todos adoraram a ideia. E para alegrar mais, o urso ajudante ensinou uma bela música para cantar e plantar. (música da Polenta).

Todos ficaram muito felizes e a dona Galinha fez uma bela polenta e todos comeram.

O fofoqueiro então, chegou com a notícia que um passarinho lhe contou que a ponte caiu com a chuva forte, por isso as crianças não conseguiram chegar àquele dia. Até o Coelho Chorão, deixou de reclamar e trocou seu nome para Biscoito!

Os bichinhos da fazenda aprenderam uma grande lição, que quando trabalhavam juntos todos ficavam felizes e unidos como irmãos: uns cuidando dos outros.

E quando chegou à noite, na hora de dormir, todos fizeram uma linda prece e agradeceram a Jesus pelo dia muito bonito que tiveram.


Essa turma foi confeccionada por mim, com feltro e tecido de algodão, todo feito à mão. Ela se destina a outro projeto que envolve crianças, arte e espiritualidade.
A história foi inventada também por mim e contada em um abrigo para crianças, no Pará. Elas adoraram abraçar os bichinhos.
Magda Kokke






AULA: Influências espirituais
Sugestão: segundo e terceiro ciclos.

 Prece inicial
1- Primeiro momento: contar A história de Joice.

2- Segundo momento – perguntar:

O que aconteceu quando Joice ficou agressiva?
Que tipo de influências recebemos? De encarnados e desencarnados.
3- Terceiro momento: mostrar figuras de revistas com imagens que representem influências espirituais de encarnados e desencarnados.

          família (desde pequenos recebemos influências de nossos pais, irmãos e parentes);
 

         
leituras, tv, Internet, jogos de computador (mostrar imagens de crianças e adultos lendo, assistindo tv, jogando);
 
          amigos, colegas de escola, colegas de trabalho, sociedade;
 
        
 a influência dos pensamentos e sentimentos entre os encarnados.
 
          desencarnados infelizes, que ainda não descobriram o verdadeiro caminho para a felicidade, que se ligam a nós através dos nossos pensamentos, sentimentos e atitudes (sugestão: figuras na Revista Internacional de Espiritismo – RIE - julho 2003 - pg 309 e janeiro 2004 – pg 647);
 
          espírito protetor, amigos espirituais, espíritos familiares que nos querem bem.

 4- Quarto momento - conversa dialogada:

          Como começam as influências negativas? Falar sobre a abertura mental que damos através das atitudes e dos pensamentos. Pedir que as crianças citem exemplos. Se necessário, o evangelizador poderá completar com situações do cotidiano dos evangelizandos:

*Ciúme na escola (nota melhor, roupa, material escolar);

 *Exigências dos pais e professores (pedem algo que a criança não quer fazer ou a criança pede algo que os pais não podem dar ou não é adequado à idade dela);

 *Perder no jogo;

  *Brigar com os irmãos;

  *Achar que os amigos gostam mais dos outros;

  *Assistir a filmes violentos;

  *Jogar jogos de violência.

         Exemplificar a sintonia espiritual mostrando diferentes tomadas (uma de telefone e duas de luz elétrica). 
As tomadas que se encaixam são como os nossos pensamentos que se ligam a outros pensamentos na mesma sintonia. 
Assim, bons pensamentos irão sintonizar com outros pensamentos também bons. 
Da mesma maneira, pensamentos e atitudes negativas irão atrair sintonia na mesma vibração.

5- Quinto momento: lembrar que estamos sujeitos a influências porque somos todos espíritos imperfeitos. Também é importante pensar porque nos sentimos com raiva ou tristes, a fim de que possamos nos conhecer melhor e transformar sentimentos ruins em atitudes de amor e caridade com os outros e conosco mesmos.

         Por exemplo, quando estamos nervosos ou com raiva não devemos falar palavrão, mas sim tentar se acalmar, fazer uma prece, substituir pensamentos ruins por outros de boa vibração.

         Além disso, quando perdemos a calma ou ficamos com raiva, não significa necessariamente que um espírito esteja nos influenciando, pois muitas atitudes nossas são reflexos das nossas imperfeições, pois somos espíritos em evolução, sujeitos a errar e a acertar.

6- Sexto momento - atividade: escrever uma prece para o espírito protetor.


7- Prece de encerramento.
    

A história de Joice
 

         Joice é uma menina de 12 anos, estudiosa, calma e amiga de todos.

         Porém, ontem ela teve um dia difícil na escola. Ela estava conversando, um pouquinho, com uma colega e a professora lhe chamou a atenção. Joice ficou com vergonha e chateada, pois era uma professora de quem ela gostava muito e Joice sabia que sua atitude não estava correta.

         À noite, quando seus pais a convidaram para ir à palestra de Divaldo Franco ela não quis ir. Além disso, começou a gritar, com uma voz grossa, que não queria que seus pais fossem. Nem parecia a Joice. Ela gritava, chorava e pedia para que eles ficassem em casa com ela.

         Diante da atitude da menina, os pais conversaram com ela calmamente, disseram que a amavam muito e que deviam fazer uma prece juntos.

         Joice não queria saber de prece, mas seus pais foram firmes e começaram a fazer uma prece. Ela, aos poucos, foi se acalmando e acabou dormindo mais cedo naquela noite. Seu pai foi assistir à palestra e sua mãe ficou em casa com ela.

         No dia seguinte, Joice disse que não se lembrava direito do que tinha acontecido na noite anterior. Contou, também, que, às vezes, tinha vontade de brigar sem motivo, como se alguém, no fundo de sua cabeça, lhe sugerisse isso.

         A mãe ouviu atentamente, e as duas combinaram ir ao Centro Espírita naquela noite, conversar com alguém que pudesse ajudá-las.

         No Centro Espírita foram atendidas por uma senhora simpática, que ouviu a história de Joice e como a menina se sentia.

         Ela explicou que todos somos influenciados por nossos irmãos desencarnados que se ligam a nós por interesses em comum. E continuou:

         - Às vezes, é como se ouvíssemos uma voz dizendo: Faça isso! Não faça aquilo! Os espíritos podem tentar nos influenciar para que façamos coisas boas ou más. Mas depende de cada um ouvir os conselhos ou não.

         A senhora disse, também, que sempre temos um espírito amigo, nosso anjo protetor, que nos dá bons conselhos. Mas para senti-lo, através da intuição, temos que ter vontade de andar no caminho do bem. E que uma prece sempre ajuda para que ele se aproxime de nós.

         Mãe e filha aprenderam muitas coisas naquela noite. Elas combinaram ler alguns livros sobre influências espirituais, realizar o Evangelho no Lar em família e sempre que tiverem pensamentos ruins fazer uma prece, pedindo auxílio ao espírito protetor.

         Perguntar: Vocês acham que Joice deixou de sofrer influências dos irmãos desencarnados?

         Joice, como todos nós, sente influências espirituais, mas com mais conhecimento e aplicando a máxima: vigiai e orai, ela consegue perceber melhor as influências positivas, que levam ao caminho do bem.
Claudia Schmidt
Ilustrada por Magda kokke, com o objetivo de auxiliar o evangelizador.
Da página Seara espírita infantil
DESENHOS QUE PODEM SER UTILIZADOS:















MÚSICA:



REFRÃO:
EU NÃO TENHO UMA ALMA
PORQUE NA VERDADE
A ALMA SOU EU (BIS)
VENHO VINDO EM VÁRIAS VIDAS
PELOS MUNDOS APRENDENDO
TUDO QUE SEI
VER CRESCER DEPOIS MORRER
OUTRA VEZ EU RENASCER TAL É A LEI
(REPETE O REFRÃO)
VOU CUIDAR DESTE MEU CORPO
ELE É TÃO LEGAL PRA MIM
E DEPOIS QUE ESTIVER MORTO
VOU AGRADECER ASSIM
OBRIGADO MEU CORPINHO
VOCÊ ME SERVIU TÃO BEM
VOU SEGUIR O MEU CAMINHO
A VIDA CONTINUA ALÉM
(REFRÃO)
http://youtu.be/cCixMpSmfnM (dica: copie e cole na barra de endereços para ouvir a música)
Caso você não tenha como ouvir a música (pelo link citado acima), ela poderá ser utilizada na aula de evangelização como reflexão e os evangelizandos posteriormente farão desenho ilustrativo com lápis de cor, de cera ou pintura com guache.



ALFABETO CRISTÃO- MÚSICA
Cássio e Júnia
A É AMOR, O B É DE BONDADE
COM A LETRA C EU ESCREVO CARIDADE
O D É DEUS NOSSO PAI DE VERDADE
E O ESPÍRITO É COM E DE ETERNIDADE
A LETRA F É FORÇA DE VONTADE
O G E O H GENTILEZA E HUMILDADE
O I E O J É NOSSO IRMÃO JESUS
A LETRA L É QUE NOS CONDUZ À LUZ
COM A LETRA M MARIA É A MÃE MAIOR
E COM N É NECESSÁRIO SER MELHOR
O É ORAR, O P É PAZ PRA HUMANIDADE
COM A LETRA Q QUERER BEM É QUALIDADE
O R E O S RAZÃO E SENTIMENTO
O T TRABALHO É O MELHOR ENSINAMENTO
O U E O V UNIÃO FEITO DE VIDA
COM A LETRA X XÔ TRISTEZA, XÔ PREGUIÇA
A LETRA Z É ZELAR COM HARMONIA
PELA CANÇÃO QUE É UM VIVA À ALEGRIA
Endereço: http://youtu.be/OVvj64dgPaE
Sugestão 1: Após assistir o vídeo e aprender a música, oferecer o desenho do alfabeto para colorir relembrando e escrevendo as palavras de cada letra. Colorir.
sugestão 2:Recortar de revistas o alfabeto, colar uma em cada folha e desenhar o seu significado de acordo com a música. Formar um álbum com capa colorida e desenho das crianças. Furar com perfurador de 2 furos, passar uma fita e amarrar. Não é preciso fazer o álbum em um dia só. As palavras e suas letras podem ser trabalhadas por várias aulas discutindo-se com as crianças/ adolescentes dois temas por dia, por exemplo AMOR E BONDADE; CARIDADE E DEUS...ou se preferir, uma palavra por vez.
Mande-nos sua experiência e/ou sugestão. Boa aula!






 NO REINO DE TUDO EU
Parte Primeira – As Causas Primárias
Capítulo 1 – Deus
HISTÓRIA BASEADA NOS PRINCÍPIOS DO LIVRO DOS ESPÍRITOS
Era uma vez, um reino muito distante, com o nome de Reino de Tudo Eu, onde viviam pessoas muito más e ignorantes e também_como em todo lugar_ pessoas muito boas.
O lugar era muito bonito, com florestas verdes...verdes...repleta de animais selvagens, exuberantes, como leão, onça, elefante, tigre, macaco, cobra, lagarto, jacaré e tantos outros animais.
Os pássaros eram muito coloridos e de cantos variados e entoavam canções de pássaros o dia todo, inclusive quando amanhecia era a hora preferida deles, que davam voos razantes por todos os lados. Era uma barulhada só, mas muito agradável.
Ah! e as plantas! Nossa, que maravilha! As flores eram lindas, coloridas e perfumadas. A natureza vivia em perfeita harmonia. Neste reino, havia um rei muito orgulhoso e egoísta, que se dizia dono de tudo e de todos. Ele mandou seu Grão-Visir espalhar a todos os quatro cantos do mundo que ele havia criado todas as coisas que existiam, desde as florestas, os animais, as plantas, os homens, a água e até as pedras!
A notícia se espalhou rapidamente e causou revolta aos outros reis do planeta, que por sua vez, queriam se dizer autores de todas estas obras. O Reino de Tudo Eu, era vizinho do Reino de Posso Tudo, do Reino Só Eu Posso e do Reino Eu Primeiro.
Todos os reis destes reinos vizinhos, fizeram uma reunião porque não concordavam com o rei de Tudo Eu, afinal, se todos acreditassem que ele era mesmo capaz de criar todas as coisas, ele seria o senhor dos reis, seria o mais poderoso de todos. Nenhum dos reis vizinhos acreditavam nisto e nem aceitariam tamanha mentira!
Chegaram a conclusão, que deveriam mandar mensageiros aos quatro cantos da Terra e fazer uma grande reunião de sábios. Estes senhores, donos de tanta sabedoria, certamente saberiam como provar que o rei do Reino de Tudo Eu estava mentindo.
Dito e feito, enviaram os melhores mensageiros e marcaram a famosa reunião de sábios para daí a trinta dias. Convocaram também o rei mentiroso para a mesma reunião.
O tempo marcado passou e chegou o grande dia. Os sábios dos quatro cantos do mundo, se reuniram na praça principal da cidade, na presença dos reis que os convocaram e também do monarca a ser indagado. E começou a rodada de perguntas.
O Sábio das Águas, disse ao rei que havia viajado muito e que estava com muita sede e lhe pediu que, já que ele havia criado os oceanos, rios, lagos e até a chuva, que fabricasse um pouco de água para ele beber; um copo bastava.
O rei, muito envergonhado, mas tentando disfarçar, lhe disse que não poderia fazê-lo naquele momento, porque o seu estoque de gotas havia acabado.
Ninguém acreditou nas palavras do rei. E as perguntas continuaram. O Sábio do Vento, lhe disse, então, que já que ele fora capaz de criar o ar que respiramos, os ventos do norte e do sul, os tufões e todos os tipos de ventania, que naquele momento, para provar sua autoria, que criasse apenas a brisa da manhã, que é suave, fria e simples.
Por sua vez, o rei enganador abriu sua mão e soprou com sua boca um ventinho muito fraco, incapaz de balançar uma planta e de frio e agradável não tinha nada; tinha mesmo é cheiro de feijoada, horrível!
O próximo a perguntar, foi o Sábio das Pedras. Ele lhe disse então, já que ele havia criado as montanhas quentes do deserto, as montanhas geladas dos polos, as colinas e montes, que fizesse apenas um montinho simples de areia, para mostrar do que é capaz. O dirigente do Reino de Tudo Eu, já nervoso e cada vez mais envergonhado disse que não poria fazer porque sua mágica havia acabado_ mentindo mais uma vez.
Ainda faltavam os Sábios das Flores e dos Animais. Todos já haviam percebido que o rei havia mentido e não confessaria sua mentira por ser muito orgulhoso e egoísta.
Os sábios resolveram parar de fazer perguntas ao rei porque já se convenceram que ele não passava de um mentiroso. Mas, as pessoas estavam muito confusas: se não foi o rei que criou todas as coisas, quem foi então?
A palavra foi passada ao Sábio dos Sábios. Este senhor, era bem idoso, de barba branca, com um chapéu engraçado (parecendo um triângulo) e com uma roupa comprida e azul da cor do céu.
O Sábio dos Sábios perguntou se havia alguém ali que seria capaz de criar o sol, o céu, o mar, as pedras, as flores, os animais... Todos responderam que não seriam capazes, pois eles só sabiam transformar a natureza em casas, barcos, ferramentas, roupas, com suas mãos. Até os alimentos vinham da natureza.
Assim, o Sábio dos Sábios lhes disse então que [...]"basta ao homem lançar os olhos sobre as obras da criação. O universo existe, portanto ele tem uma causa. [...]Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá." Isto é, o que não foi criado pela inteligência do homem, foi feito por um ser superior, Deus.
Um camponez que estava assistindo a tudo, timidamente perguntou ao Sábio dos Sábios:
O que é Deus?
"– Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas."
O mestre sábio continuou dizendo que "Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pôde fazer alguma coisa. "
Assim, se o mundo existe, ele foi criado e não foi pelos homens. Deus, em sua bondade infinita, criou todo o Universo, dotado de tanta perfeição, sabedoria e beleza. E deixou sob a responsabilidade do homem cuidar do planeta em que vivemos.
Assim, a partir daquele dia, todas as pessoas, de todos os reinos nunca mais se deixaram enganar por nenhum rei mentiroso. Passaram a agradecer a Deus por tudo que a natureza lhes oferece e cuidaram melhor do planeta, das pessoas, dos animais respeitando-os mais e não causando danos, pois assim, a Terra continuaria fornecendo todo que os homens necessitam para uma vida boa, com fartura.
Magda Kokke

 A PALAVRA MÁGICA
Numa floresta encantada _como em toda floresta_ viviam muitos animais. Mas estava acontecendo uma coisa muito ruim e que preocupava a todos: os bichinhos nem sempre eram gentis e educados uns com os outros. Havia bicho que nem dizia bom dia. Já acordava de mal com a vida! O sol estava lindo no céu, mas o sorriso não aparecia nas carinhas mal humoradas! Nada estava bom: reclamavam da cama, do café, da roupa, da comida, dos amigos, da professora...
reclamavam ...reclamavam... reclamavam...
A Dona Coruja, de olhos grandes, estava muito preocupada com essa situação e disse que isso não poderia continuar assim, porque até quem não era de reclamar estava reclamando. Parecia uma doença que ia contaminando todo mundo. De repende, havia bichinho brigando de um lado, outro chorando de outro lado, mais adiante, um com muita raiva... Assim, Dona Coruja resolveu reunir todos na clareira da Pedra Grande e fazer uma comunicação.
A sineta tocou da mão do Sr. Urubu, assistente da Dona Coruja e todos estavam a postos aguardando a grande comunicação a ser proferida. Dona Coruja, respeitada por todos por ser possuidora de grande sabedoria, se vestiu com uma capa preta, um chapéu quadradinho_ parecendo aqueles de formatura_ de peito erguido, se aproximou da grande pedra e se colocou em posição de discurso.
_Prezados companheiros, há uma grande onda de mal humor tomando conta de nossa floresta. Reclamamos de tudo e de todos. Não somos gentis com nossos irmãos e somos até maldosos às vezes. Batemos, xingamos, brigamos, respondemos mal, desrespeitamos os mais velhos e tantas outras coisas ruins. Portanto essa reunião é para colocarmos um fim nisso. Devemos ser gratos a Deus pelo que recebemos e olhar sempre para a frente, deixando o passado para trás. Sendo assim, proponho uma disputa entre os animais. Vou contar um segredo que guardo há muito tempo, para uma ocasião especial e acho que chegou a hora de revelá-lo.
Há muitos e muitos anos atrás, uma estrela caiu do céu e me disse uma palavra mágica que deveria ser pronunciada para o Grande Carvalho mais antigo da floresta. Se a palavra for dita corretamente, a árvora anciã nos dirá um segredo que salvará a todos nós. Mas a palavra tem que ser dita corretamente por um animal que possua boas qualidades dentro de seu coração.
Assim, amanhã, ao nascer do sol, aqueles animais que quiserem a missão, vão me procurar e veremos se irão conseguir. Todos os animais poderão se candidatar e vamos torcer para que algum deles consiga e nos salve!
Quando a reunião terminou a bicharada não falava em outra coisa. O Leão rugiu e falou: eu sou o rei da floresta e vou conseguir trazer a mensagem. E assim, no dia seguinte foi procurar a Dona Coruja e pedir a senha para falar ao Carvalho.
Dona Coruja, ao raiar o sol, já estava pronta esperando os candidatos. Chegou o Sr Leão, com a juba empertigada, todo garboso pronto para a missão. Dona Coruja então, disse a palavra mágica e lá se foi o Leão...
Dois dias depois, volta o Leão, cabisbaixo, sem nada conseguir. O Carvalho não atendeu o seu pedido porque a palavra não estava certa.
Se candidatou então, o Elefante, afinal, ele era mais forte. E fez da mesma forma. Dois dias se passaram e acontece tudo de novo. Como o Leão, o Elefente também não conseguiu. Assim todos os animais foram tentando e ninguém conseguia pronunciar a palavra corretamente.
Dona Coruja estava muito preocupada porque os animais mais fortes, valentes e espertos não estavam conseguindo...O que será da comunidade dos bichos? Será que terão que ficar assim reclamando de tudo para sempre?
Quando não havia mais nenhum candidato de peso, eis que surge a Dona Tartaruga e se candidata a ser a missionária. Oh! foi uma exclamação total seguida de risos ...kakakakakakakakaka _A Dona Tartaruga, com esta moleza toda é que não vai conseguir mesmo!!!!!kakakakakakaka _ disse o galo. E ninguém acreditava na Dona Tartaruga.
Logo a Dona Coruja, em sua sabedoria, ralhou com todos e disse que todos de boa-vontade, eram bem-vindos!!!! E revelou a palavra para a candidata: _A palavra é: FRUTAPEPETROPAPATRAPOPAPOPÉ. E lá se foi a Dona Tartaruga que demorará quatro dias, ao invés de dois, pois ela era bem mais lenta. E demorou...demorou...demorou...demorou... Eis que chega o dia da volta da Dona Tartaruga. Os bichos estavam reunidos na clareira à espera da chegada e com uma porção de dúvidas: _Será que ela vai conseguir????? Será que trará a mensagem salvadora??????
Than...tham...than...than...Eis que surge, de dentro de uma folhagem, a Dona Tartaruga, exausta, mas cantando...FRUTAPEPETROPAPATRAPOPAPOPÉ...e em sua mão um cartaz com o mandamento salvador:
AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem.
Assim,a partir desse dia, todos começaram a si tratar bem. Quem queria ser respeitado, respeitava o outro. Quem queria ser bem tratado, tratava bem ao outro...simples assim...e o mal humor, foi passando, o coração foi ficando leve, sem raiva, sem ódio, sem mágoa...só com boa vontade!!!!
E quem se achava pequeno, fraquinho, incapaz de grandes feitos, viu, graças à tartaruga, que era capaz de grandes realizações.
(Esta história foi adaptada por mim, a partir de uma apresentação da Bia Bedran, na tv, há muito tempo atrás. Magda kokke)


Do livro O EVANGELHO DA MENINADA, de ELISEU RIGONATTI.
OBRA MARAVILHOSA, DESTINADA ÀS CRIANÇAS, NUMA LINGUAGEM ADEQUADA A ELAS. 
ENSINA A VIDA DE JESUS CRISTO E SUAS LIÇÕES DE AMOR. 

O NASCIMENTO DE JESUS
—Havia em Roma um imperador chamado César Augusto. Esse imperador promulgou uma lei mandando que fosse feito um recenseamento em todo o mundo. Vocês sabem o que é um recenseamento?
—Não senhora, respondemos em coro.
—Eu sei, disse o sr. Antônio, tio de Lina, que também não perdia nenhuma história.
—Muito bem, titio! exclamou dona Lina, e explicou:
recenseamento é fazer, por ordem do governo, uma lista de todos os habitantes do pais, homens, mulheres, e crianças; procede-se em seguida à contagem, e fica-se sabendo quantas pessoas há no país.
—E por que, dona Lina, o imperador mandou que o alistamento se fizesse em todo o mundo? perguntei.
—Porque, naquele tempo, Roma era a senhora do mundo. Os Romanos governavam todas as nações conhecidas da Terra; e como eram muito poderosos, todos lhes obedeciam. Assim, cada um tinha de ir alistar-se em sua cidade, mesmo que morasse em cidade diferente.
Procurem no mapa-múndi o mar Mediterrâneo que começa aqui no estreito de Gibraltar, por onde comunica com o oceano Atlântico, e banha as terras da Europa, da África, e da Ásia; lá no fim onde ele termina, vocês encontrarão um país, também banhado por ele, e que se chama Palestina. É nesse país que se passa a história que lhes estou contando.
Ora havia em Nazaré, pequena aldeia da Palestina, um casal: José e Maria. Este casal precisava ir alistar-se em seu lugar de origem, que era Belém.
—O que é lugar de origem, dona Lina? perguntou Cecilia, a filha de dona Júlia, a costureira.
—Lugar de origem de uma família, explicou dona Lina, é onde se julga que uma família comece. José e Maria acreditavam-se descendentes do rei Davi, cujo berço foi Belém; e por isso dirigiram-se para lá.
A viagem foi penosa, naqueles tempos não havia as comodidades de hoje para viajar. E um pouco a pé, outro pouco montados num burrico, venceram a distância que separava as duas povoações. E quando chegaram em Belém... que judiação! Não havia lugar para o casal se hospedar; nem um quartinho, nem uma cama, nada!
—E por que, dona Lina? perguntamos.
—Porque todos aqueles que eram originários de Belém, e que estavam espalhados pelo mundo, vieram também alistar-se ali. E com isso as pensões, os abrigos, as casas, tudo estava cheio. José não sabia mais onde se dirigir para arranjar um lugarzinho. E o pior é que Maria estava para ganhar um nenê.
— Para ganhar um nenê! exclamou Joaninha, a filhinha do sapateiro da esquina. Que bom! Nós também lá em casa, na semana passada, ganhamos um. Ele é tão bonitinho!
—Com muito custo, prosseguiu dona Lina, conseguiram acomodar-se num curral, nos arrabaldes. E numa noite muito bonita, de um céu todo estrelado, perfumada pela brisa suave que vinha dos campos, Maria ganhou o seu nenê. Vestiu-o com suas roupinhas, enfaixou-o, e deitou-o na manjedoura, que lhe serviu de berço; e pôs-lhe o nome de Jesus.
Nisto o relógio da sala de jantar deu oito horas. Dona Lina despediu-nos dizendo:
—Agora vocês vão para casa dormir. Amanhã continuaremos.
E com um alegre “boa-noite, dona Lina”, dispersamo-nos.







OS PASTORES DE BELÉM
Do livro O EVANGELHO DA MENINADA, de ELISEU RIGONATTI.
(Anteriormente, Dona Lina contou a história do nascimento de Jesus_ postado aqui).
Na tardinha seguinte estávamos a postos, e dona Lina continuou:
— Ora, ali pelos arredores, os pastores traziam seus rebanhos para passarem a noite em segurança; enquanto uns dormiam, outros vigiavam.
— Vigiavam por que, dona Lina? perguntou a Joaninha.
— Para que os lobos maus não lhes furtassem as ovelhas, querida. Alguns deles estavam ao pé de uma fogueirinha aquecendo-se, quando junto deles apareceu um anjo de Deus, e uma luz brilhante os iluminou a todos.
— O que é um anjo, dona Lina? perguntou o João André, cuja mãe também estava ouvindo a história.
— Papai disse que anjo é um Espírito superior muito bom e muito puro, e que se nós fizermos sempre o bem para todos, acabaremos virando anjos, explicou apressadamente a Joaninha. — Isso mesmo, querida! exclamou dona Lina. Os pas¬tores levaram um susto, e ficaram com medo; mas o anjo lhes disse:
— “Não tenham medo; venho trazer-lhes uma notícia que será de grande alegria para vocês e para todo o povo; é que hoje nasceu o Salvador do mundo, que é Jesus. E se vocês quiserem ir vê-lo, este é o sinal que lhes fará conhecê-lo: acharão um menino envolto em panos e posto numa manjedoura”.
E quando o anjo acabou de falar, apareceram ao seu lado muitos e muitos outros anjos, todos eles irradiando uma luz tão brilhante, que clareou aqueles campos até ao longe. E os anjos cantavam: “Glória a Deus lá nas alturas, e paz na Terra a todas as suas criaturas”.
Em seguida os anjos subiram para o céu, e os pastores ficaram sozinhos ao pé da fogueira, que se extinguia:
Um deles, pensativo e admirado, abaixou-se, avivou as chamas, e disse:
— “Vamos até Belém, e vejamos o que é que aconteceu, o que é que Deus nos revelou”.
Deixaram um de guarda às ovelhas, e os outros foram a Belém. E como o anjo dissera que o menino estava numa manjedoura, dirigiram-se diretamente ao curral.
— Será que havia só um curral em Belém, Lina? perguntou a mãe do João André.
— É de crer que sim, dona Aninhas; ao demais Belém era pequenina e seria fácil aos pastores visitarem em pouco tempo outros currais, se houvesse mais do que um. Mas os pastores chegaram ao curral, e de fato acharam Jesus envolto em seus paninhos, dormindo na manjedoura, forradinha de capim bem fofinho. Maria estava acomodada ao seu lado, e José, de pé à cabeceira, velava pelos seus dois entes queridos.
Os pastores achegaram-se à manjedoura, e contemplaram respeitosamente o menino. E contaram aos pais a visão maravilhosa que tiveram. Junto com os pastores chegou mais gente, e todos ficaram admiradíssimos do que ouviam. Vendo os pastores que era verdade o que o anjo lhes anunciara, retiraram-se dando graças a Deus. Maria ajeitou melhor o menino, e um pouco preocupada com a visita dos pastores, pediu ao Altíssimo que amparasse o seu filhinho; e sorrindo para José que estava pensativo, adormeceu. — E por hoje chega, concluiu dona Lina. Vão direito para casa, que tenho muito que fazer ainda. — Dona Lina, a senhora poderia explicar-nos por que o anjo disse que Jesus seria o Salvador do mundo? Depois iremos embora, pedi eu:
— Jesus é o Salvador do mundo porque veio ensinar os homens a praticarem somente boas ações, a se amarem como irmãos, e a perdoarem-se uns aos outros, porque só assim serão felizes. E agora até amanhã para todos.



OS MAGOS DO ORIENTE

(Anteriormente, Dona Lina contou a história do Nascimento de Jesus, dos Pastores de Belém_ postado aqui).
— Mas não foram apenas os pastores que vieram visitar Jesus quando ele nasceu. Ele recebeu também a visita dos magos do Oriente, continuou dona Lina na noite seguinte, com o pessoalzinho acomodado ao seu redor.
— Dos magos do Oriente! exclamou de olhos arregalados o Roberto, filho do advogado.
— Sim, dos magos do Oriente. Eles apareceram em Jerusalém, que era a capital da Palestina, e se puseram a indagar onde estava o rei dos judeus que tinha nascido, porque tinham visto no Oriente a sua estrela, e queriam adorá-lo.
Dona Lina percebeu que muitas perguntas iam chover sobre ela, dos grandes e dos pequenos ouvintes, e por isso apressou-se a explicar:
— Mago quer dizer sábio. Eram sacerdotes de antigas religiões daquelas terras da Pérsia, donde esses magos tinham vindo; ocupavam-se do culto religioso, e estudavam todas as ciências. E como conheciam também as coisas da espiritualidade, sabiam que um dia viria ao mundo um Espírito muito superior, o mais superior de quantos já tinham vindo à Terra, para ensinar aos homens a viverem de acordo com as leis divinas. Esse Espírito superior exerceria entre os homens um reinado espiritual, e por isso o chamaram de rei. Compreenderam?
— E a estrela, dona Lina, e a estrela? perguntamos sem que nos pudéssemos conter.
— Oh! A estrela! Essa é maravilhosa, continuou dona Lina espicaçando-nos a curiosidade. Imaginem vocês que ela guiou os magos através das montanhas da Pérsia, dos desertos ardentes da Arábia, dos vales perfumados da Síria, até Jerusalém, onde chegaram montados em camelos, chamando a atenção de todos. E lá ela desapareceu.
— Com o que então deixou os pobres magos atrapalhados! exclamou o sr. Antônio. Mas ela não podia tê-los guiado diretamente a Belém?
— Calma, meu caro tio, calma que lá chegaremos também, disse dona Lina rindo. Eu gostava de vê-la rir, porque se formavam duas covinhas encantadoras em suas faces; e prosseguiu:
— Porque já não vissem a estrela é que os magos começaram a perguntar onde tinha nascido o menino. E assim foram conduzidos à presença do rei Herodes, o qual, quando soube o que os magos procuravam, não gostou muito.
— Por que ele não gostou, dona Lina? perguntou o Roberto.
— Porque ficou com medo de perder o trono. E como também ele não sabia responder, curiosíssimo, mandou chamar todos os sábios da cidade, e lhes perguntou onde havia de nascer o Cristo. Os sábios leram nos antigos livros sagrados, e encontraram a indicação no livro do profeta Miquéias, que vivera há setecentos anos antes de Jesus, o qual profetizava que havia de nascer em Belém.
— O que é um profeta, dona Lina? perguntou a Joaninha.
— Profeta, naqueles tempos, era um homem que recebia avisos do mundo espiritual, e os transmitia aos homens. Herodes deu a indicação aos magos e inquiriu deles, com todo o cuidado, que tempo havia que lhes aparecera a estrela. Pediu-lhes que fossem a Belém, e se informassem muito bem que menino era esse, e que depois de o terem achado voltassem para dizer-lhe, porque ele também queria ir adorá-lo.
E os magos partiram; e logo a estrela que os guiara do Oriente, reapareceu diante deles, e levou-os até onde estava o menino.
— Não compreendo porque a estrela não os fez seguir diretamente a Belém, insistiu o sr. Antônio.
— Porque com a passagem dos magos pela capital, a atenção do povo seria despertada, e veriam que se cumpriam as profecias, isto é, os avisos que de há muito tempo vinham recebendo do mundo espiritual sobre a vinda do Salvador; e assim seria inaugurada no mundo uma era de paz e de amor. Infelizmente isso não aconteceu; os dirigentes do povo não souberam ou não quiseram tomar conhecimento do fato, de medo de perderem suas regalias.


Os magos ficaram contentíssimos quando viram de novo a estrela. E parando a estrela em cima do curral, nele entraram e acharam o menino.

Maria velava por ele, como o fazem todas as mães quando seus filhos são pequeninos. Os magos o adoraram, e mandaram que seus criados descessem dos camelos as malas; e tiraram delas ouro, incenso e mirra, e deram de presente ao menino.
— O meu irmãozinho também ganhou presentes; só que foi talco, roupinhas e uma canequinha de prata, falou a Joaninha.
— Pois é; por aí vemos que o costume de se dar presentes às criancinhas vem de muito longe, disse dona Aninhas.
— Estou intrigado é com essa estrela, tornou a falar o sr. Antônio. Como é que ela podia mover-se tanto no céu, sem despertar a atenção do mundo inteiro?
— Explico, disse dona Lina. Não era realmente uma estrela. Era um Espírito elevado, cuja luz espiritual se fazia visível aos magos, e assim lhes facilitava encontrar o lugar onde Jesus tinha nascido; do contrário eles nunca poderiam achá-lo.
— Agora compreendo, disse o sr. Antônio.


— À noite, quando os magos dormiam, tiveram um sonho: sonharam que não deviam voltar a Herodes. E de madrugada, arrumaram suas coisas no dorso dos camelos, despediram-se do casal, e voltaram para seu país por outro caminho.

— E por que, dona Lina? perguntaram três ou quatro vozes.
— Amanhã vocês saberão. São horas de dormir, e tenham lindos sonhos, concluiu dona Lina levantando-se, e acompanhando-nos até a porta da rua.



A FUGA PARA O EGITO, A MATANÇA DOS INOCENTES
Do livro O EVANGELHO DA MENINADA, 
(Anteriormente, Dona Lina contou a história do Nascimento de Jesus, dos Pastores de Belém, dos Magos do Oriente_ postado aqui).
No dia seguinte, nem bem acabáramos de jantar, já estávamos em casa de dona Lina, ‘a espera da continuação da história. Joaninha trouxe mais dois meninos, o Juquinha e o Antoninho, seus vizinhos. Dona Lina ajudava dona Leonora arrumar a cozinha, e gritou-nos lá de dentro:
— Esperem que já vou; enquanto isso acomodem-se direitinho.
E quando veio, sentou-se em seu lugar, e começou a história da noite assim:
— Alguns dias depois que os magos partiram, dormia José recostado ao lado da manjedoura, depois de Maria ter cuidado do menino, e sonhou. Sonhou que lhe apareceu um anjo vestido de luz, que lhe disse:
— “Levanta-te, José, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e fica-te lá até que eu te avise. Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”.


— Ah! Era por isso que ele queria que os magos voltassem! exclamou a Joaninha.
— E por que Herodes queria matar o menino, dona Lina? perguntou o Antoninho.
— Porque os magos disseram que tinham vindo adorar o rei dos judeus que nascera; e os profetas antigos profetizaram que ele reinaria sobre todo o povo; e como Herodes era o rei, ficou com medo de perder o lugar.
José obedeceu ao aviso celeste; embora fosse noite alta levantou-se, contou o sonho à Maria, arrumaram suas coisas, e partiram para o Egito.
— Foram a pé, dona Lina? perguntou o Juquinha.
— Não; José tinha um burrico, com o qual vieram a Belém. Maria com Jesus no colo ia montada no burrico, e José ia a pé, puxando o burrico; passaram por entre as ovelhas que dormiam no curral, seguiram por uma ruazinha, e ganharam a estrada.
— Mas o Egito é tão longe! exclamou Roberto.
— Sim, daqui do Brasil; mas da Palestina ao Egito não era assim tão longe, porque eram países vizinhos. Herodes esperou alguns dias, talvez uma semana, que os magos voltassem com a notícia. E quando percebeu que os magos não voltariam, e já deviam estar a caminho de suas terras, ficou furiosíssimo. Querendo a qualquer preço liquidar com Jesus, sabem o que ele fez?
— Não, senhora, respondemos.
— Mandou soldados a Belém, com ordem de matar todos os meninos que tivessem a idade de dois anos para baixo. Os soldados chegaram e executaram a ordem para desespero daquelas pobres mãezinhas.
— Mas por que matar todas as criancinhas? perguntou a Joaninha, que era a que mais falava.
— Todas as criancinhas, não. Só os meninos. Herodes esperava que no meio deles estivesse Jesus, mas enganou-se; Jesus já estava longe.
— Será que eles mataram muitas crianças, Lina? perguntou dona Aninhas.
— Não. Segundo os historiadores, Belém naquela época era uma aldeia que contava com dois mil habitantes, mais ou menos. Admitindo-se que nascem em cada ano trinta crianças para cada mil habitantes, e ainda levando-se em conta que são meninos e meninas, e que só os meninos foram atingidos, teremos uns vinte e cinco meninos sacrificados por Herodes.
— Que judiação!!! exclamou alto dona Leonor.


— Estes pequeninos são considerados os primeiros mártires da doutrina de Jesus, concluiu dona Lina, dando-nos boa noite e mandando-nos para casa.

A VOLTA DO EGITO
Do livro O EVANGELHO DA MENINADA, de ELISEU RIGONATTI.
(Anteriormente, Dona Lina contou as histórias: do Nascimento de Jesus, dos Pastores de Belém, dos Magos do Oriente e da Fuga para o Egito_ postados aqui).
Eis o que ouvimos de dona Lina na noite seguinte:
— Passaram-se alguns meses. José continuava no Egito com sua família, aguardando o momento oportuno de voltar para sua terra.
No Egito viviam muitos compatriotas de José, e eles o ajudavam dando-lhe serviço, pois que José era um hábil carpinteiro. Uma noite estava ele dormindo, e sonhou que lhe apareceu o mesmo anjo vestido de luz cristalina, e de seus lábios puros saíram estas palavras:
— “Levanta-te, José, toma o menino e sua mãe, e vai para Israel; porque já morreram os que queriam matar o menino”.
— Israel, dona Lina, o que é isso? perguntou Cecilia.
— É o nome que também tinha a Palestina. Para que vocês possam compreender melhor as diversas coisas que se passarão em nossa história, vou dar-lhes uma lição de geografia.
A Palestina ou Israel no tempo de Jesus tinha uma superfície de 25.590 quilômetros quadrados. Era mais ou menos do tamanho de nosso Estado de Alagoas. Era banhada pelo mar Mediterrâneo; seu principal rio é o rio Jordão, com um percurso sinuoso de 322 quilômetros, correndo do norte para o sul. Se o rio Jordão não fosse tão cheio de curvas, ele faria o mesmo percurso em linha reta em apenas 105 quilômetros.
A Palestina dividia-se em três partes, que eram: a Galiléia, a Samaria e a Judéia. A Galiléia era a mais bonita das três; possuía muitos riachos e poços d’água; produzia azeitonas, uvas, trigo, cevada, frutas e gado. Foi na Galiléia que Jesus passou sua infância, e ali começou a trabalhar em benefício da humanidade; na Galiléia também nasceram quase todos os seus doze discípulos.
As outras duas regiões, a Samaria e a Judéia, já não são tão férteis, sendo a Judéia uma região pedregosa, e a Samaria muito montanhosa.
Pois bem; quando José chegou com sua família à Judéia, soube que lá reinava, Arquelao, filho de Herodes. E como Arquelao não era melhor do que seu pai, José receou ficar ali, e retirou-se para sua antiga casa em Nazaré, que fica na Galiléia. Ë por isso que Jesus também é chamado Nazareno.
— Mas Arquelao não mandava também na Galiléia? perguntou o Juquinha.
— Não; as três regiões eram quase que independentes, e por isso tinham governos diferentes.
Nisso, para grande desespero nosso, chegaram visitas, e dona Lina interrompeu a história, para continuá-la na noite seguinte.

O MENINO JESUS NO MEIO DOS DOUTORES; SUA INFÂNCIA
Do livro O EVANGELHO DA MENINADA, de ELISEU RIGONATTI.
(Anteriormente, Dona Lina contou as histórias: do Nascimento de Jesus, dos Pastores de Belém, dos Magos do Oriente, a Fuga para o Egito, a volta do Egito_ postados aqui).
— Foi em Nazaré que Jesus cresceu, e passou sua infância. Ele era muito inteligente, estudioso e trabalhador. Quando completou sete anos, seus pais o matricularam na escola, onde aprendeu a ler e a escrever; dedicava uma parte de seu tempo a brincar com seus companheiros, e outra parte a trabalhar com seu pai na carpintaria e a estudar as lições.
— O Juquinha também faz assim, dona Lina, falou Joaninha.
— Muito bem, Juquinha! exclamou dona Lina. Conte-nos como você faz.
— Vou à escola, ajudo papai vender pão na padaria, brinco um pouco, e estudo minhas lições, respondeu ele modestamente.
— Esse viver pacífico, prosseguiu dona Lina, era interrompido uma vez por ano, quando todos os que moravam no interior iam a Jerusalém para assistir à festa da Páscoa, que se realizava no grande templo. Formavam caravanas, e partiam para Jerusalém; lá se demoravam durante os dois dias de festa, e depois se reuniam de novo e voltavam.
Ora, quando Jesus tinha doze anos, aconteceu um fato interessante com ele. Como de costume, foram a Jerusalém pela festa da Páscoa, assistiram a ela e, uma vez terminada, puseram-se de volta de madrugada, José e Maria caminhavam no grupo detrás, de pessoas mais velhas, e os moços nos grupos da frente, brincando pela estrada. Por isso estavam tranquilos, julgando que Jesus seguia adiante com a rapaziada.
Lá pelas tantas do dia, ao acamparem para merendar, procuraram Jesus por entre todos, e só então perceberam que ele tinha ficado em Jerusalém. Aflitos, os pobres pais voltaram imediatamente, e durante três dias percorreram a cidade, sem que o achassem. Foi quando se dirigiram ao templo, e nele encontraram Jesus no meio dos doutores, conversando com eles e fazendo-lhes perguntas, e respondendo ao que lhe perguntavam.

— Quem eram os doutores, dona Lina? perguntou Roberto.
— Os doutores da lei, isto é, homens que conheciam de cor e salteado tudo o que estava escrito nos livros dos profetas. E Jesus deu mostras de conhecer tais livros a fundo, porquanto os doutores pasmavam-se de suas perguntas e de suas respostas. E seus pais admiraram-se de vê-lo ali, e sua mãe o repreendeu dizendo:
— “Filho, por que você fez isso conosco? Seu pai e eu passamos por um grande susto, e o procurávamos cheios de aflição”.
Ao que docemente Jesus respondeu:
— “Para que me procuravam, mamãe? Pois não sabem que devo interessar-me pelas coisas que são do serviço de meu Pai?”
Todavia seus pais não compreenderam o que ele queria dizer.
— Eu também não estou compreendendo, dona Lina, falou Cecilia.
— É fácil. Jesus quis dizer-lhes que viera ao mundo para ensinar aos homens a seguirem as leis de Deus, que era Pai dele, como é Pai de todos nós. E assim desde cedo precisava preparar-se para cumprir o seu dever.
— Jesus despediu-se dos doutores, e de braços dados com seus pais desceu a majestosa escadaria do templo, e foi com eles para Nazaré, onde cresceu e se tornou um homem cheio de bondade e de sabedoria. Ë como vocês devem fazer: crescerem bons, inteligentes, trabalhadores, e estudiosos, concluiu dona Lina, mandando-nos para casa.
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A PREGAÇÃO DE JOÃO BATISTA
Do livro O EVANGELHO DA MENINADA, de ELISEU RIGONATTI.
(Anteriormente, Dona Lina contou as histórias: do Nascimento de Jesus, dos Pastores de Belém, dos Magos do Oriente, a Fuga para o Egito, a volta do Egito; O menino Jesus no meio dos doutores: sua infância_ postados aqui).
Na noite seguinte, dona Lina continuou a história do seguinte modo:
— Enquanto Jesus crescia, houve vários acontecimentos que mudaram os governos do mundo daquele tempo. Augusto, o imperador Romano, sob o qual Jesus nascera, tinha morrido; em seu lugar estava Tibério César. A Judéia era governada por um procurador Romano chamado Pôncio Pilatos; a Galiléia, por Herodes...
— O que! exclamou Joaninha.
— Tranquilize-se, disse dona Lina. Este Herodes era filho daquele que vocês já conhecem; por morte de seu pai, o reino foi dividido e tocou-lhe a parte da Galiléia e da Pérsia; seu irmão Filipe ficou com as províncias da Ituréia e de Traconites; e Lisânias, com a de Abilina. Em Jerusalém governavam o templo os grandes sacerdotes, Anãs e Caifás.
Foi quando apareceu no deserto João, filho de Zacarias, um dos maiores profetas que o mundo teve; sua missão era de preparar o povo para receber Jesus. A vida de João era muito simples; inteiramente entregue ao trabalho de anunciar a vinda de Jesus, não se importou com as coisas da Terra, e assim não possuía nada, a não ser uma pele de camelo com a qual se vestia, e uma cinta de couro para prendê-la ao corpo; alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre.
— De gafanhotos, dona Lina! exclamou o Roberto.
— Sim; eram insetos abundantes naquelas paragens e muita gente os comia. E o mel silvestre, João o achava nas fendas dos rochedos, ou nos arbustos que havia por ali, fabricado pelas abelhas do mato.
— Eu conheço gente que come tanajuras, falou Joaninha. Nossa lavadeira disse que torradas com sal são gostosas.
- A humanidade sempre comeu de tudo, querida. João percorria as margens do rio Jordão, transmitindo as mensagens que recebia do mundo espiritual, porque ele era um profeta muito bem inspirado. E dizia:
— “Eu sou a voz do que clama no deserto. Aparelhem o caminho do Senhor, façam direitas as suas veredas. Arrependam-se do mal que vocês fizeram, e assim poderão ver o Salvador enviado por Deus”.
E muitas outras coisas falava ele ao povo que acorria para vê-lo. Aos que lhe perguntavam o que deviam fazer, respondia:
— “Quem tiver duas roupas dê uma ao que não tem nenhuma; e quem tiver o que comer, reparta com quem não tem”.
— Esse de quem você está falando é João Batista, não é, Lina? perguntou dona Leonor.
— Sim, titia. Chamavam-no de João Batista porque ele batizava quem se arrependia de seus pecados nas águas do rio Jordão. Logo o povo pensou que ele fosse o Cristo mas ele declarou que não; depois dele é que viria o Cristo, do qual ele não era digno nem mesmo de desatar a correia das sandálias. Vieram também a ele os publicanos, que eram os cobradores dos impostos, e lhe perguntaram o que deviam fazer.
— Os publicanos eram os fiscais daquele tempo, explicou o sr. Antônio.
— Mais ou menos, titio. E João lhes respondeu que não deviam cobrar mais do que fosse realmente justo. Um grupo de soldados também foi ter com ele, fizeram-lhe a mesma pergunta e a resposta foi que não maltratassem ninguém, não oprimissem pessoa alguma e que se dessem por contentes com seu soldo.
Como vocês estão vendo, para todos João tinha uma palavra boa e um conselho amigo.
Por algum tempo João continuou com suas pregações anunciando a vinda de Jesus e exortando o povo a fazer o bem. Até que um dia ele soube que Herodes se tinha comportado muito mal e chamou-lhe a atenção. Herodes em vez de se corrigir, ficou furioso e mandou prender João e trancá-lo num cárcere.
— Coitado! exclamou Joaninha. E não saiu mais de lá?
— Não; contudo o encontraremos mais tarde. Porém antes de João ser preso, Jesus também esteve com ele nas margens do rio. João o reconheceu e ouviu uma voz que vinha do alto dos céus, que dizia:
— “Este é o meu filho especialmente amado; nele tenho posto toda minha complacência”.
— Quem falou isso, dona Lina? perguntou o João André.
— Eram palavras de um hino de glória que os anjos celestes entoavam em louvor de Jesus.
Nisto o relógio da sala bateu oito horas. Levantamo-nos, desejamos boa noite a todos e fomos para casa.



A TENTAÇÃO DE JESUS
Eis o que ouvimos de dona Lina na noite seguinte:
— Depois que Jesus se retirou das margens do rio Jordão, dirigiu-se ao deserto para meditar.
— Meditar no quê? perguntou Cecilia.
— Na elevada missão que o tinha trazido á Terra e nos meios de cumpri-la, explicou dona Lina.
— Dona Lina, o que é meditar? perguntei.
— Meditar é pensar com sinceridade no que se fez e no que se pretende fazer. É um hábito salutar que devemos adquirir; se todos o tivessem, muitos males seriam evitados.
— Ensina-nos a meditar, Lina, pediu o sr. Antonio.
- Com prazer, titio. Como lhes disse, meditar é pensar em nossas ações, tanto nas já praticadas como nas que vamos praticar. Nas ações praticadas para verificar se não cometemos algum mal; e nas que vamos praticar, para que sejam corretas e dignas. Se durante nossa meditação, descobrirmos que cometemos uma ação má, devemos tratar de corrigi-la imediatamente.
A meditação se divide em duas partes: a parte moral e a parte material. Pela parte moral, procuraremos os vícios e os defeitos que porventura possuimos; assim evitaremos os vícios e corrigiremos os defeitos. Pela parte material, meditaremos em nossas obrigações diárias, que sejam baseadas em absoluta honestidade e rigorosamente cumpridas.
Consagrem alguns minutos à meditação antes de dormirem. A sós em seu quarto, pensem no que fizeram durante o dia; se não fizeram nada de mau e se cumpriram bem seus deveres, agradeçam a Deus; se perceberem que cometeram alguma coisa má ou errada, peçam ao Pai celeste que lhes dê forças para corrigi-la logo no dia seguinte.
Compreenderam?
— Sim, senhora, respondemos.
— E no deserto, prosseguiu dona Lina, muitas tentações se apresentaram a Jesus.
— Não foi o demônio que o tentou? perguntou dona Aninhas.
— Não senhora; o demônio ou diabo não existe. O que existe são irmãos nossos inferiores que ainda não sabem fazer o bem e que dão aos homens pensamentos maus. Nós também sempre que aconselhamos ou fazemos o mal, somos diabos, demônios, ou irmãos inferiores.
— Então, dona Lina, o Juquinha hoje foi um irmão inferior ou um demônio, porque ele matou um passarinho perto da porteira da chácara do sr. Gabriel, disse Antoninho.
— Que horror, Juquinha, e que demônio você foi! exclamou dona Lina. Pois você não sabe que é proibido pelas leis de Deus matar passarinhos?
— Vendo o tico pousado tão a jeito, não resisti à tentação, dona Lina. Mas ele não morreu, respondeu Juquinha. Levei-o para casa atordoado e dei-lhe um banho de água e sal; reanimou-se e pouco depois voou para o alto da laranjeira no quintal; logo mais tomou o rumo da chácara.
— Ainda bem, disse dona Lina. Ë preciso resistir às tentações do mal. E no deserto, como Jesus tivesse fome; foi-lhe sugerido que transformasse as pedras em pão. Porém, Jesus afastou a tentação dizendo que não somente de pão vive o homem mas de toda palavra de Deus.
E depois afigurou-se a Jesus que ele estava no alto de um monte e que, se obedecesse aos irmãos inferiores, ganharia todos os reinos da Terra. Jesus repeliu a tentação dizendo que só a Deus devemos obedecer, servir e adorar.
Outra ocasião pareceu a Jesus estar no cimo da torre do templo de Jerusalém e um irmão inferior lhe sugeria que se atirasse da torre abaixo, que nenhum mal lhe sucederia, uma vez que ele era o filho de Deus. Jesus sorriu e respondeu que não devemos tentar a Deus, nosso Pai e Senhor.
E daquele dia em diante os irmãos inferiores se afastaram dele e passaram a respeitá-lo.
— Por que os irmãos inferiores se afastaram de Jesus, dona Lina? perguntou o João André.
— Porque viram que Jesus não dava ouvidos às sugestões do mal. Vocês também poderão ficar livres dos irmãozinhos inferiores, comportando-se direitinho e nunca pensando em prejudicar ninguém.


E agora todos para casa. Amanhã lhes contarei mais um bonito episódio da vida de Jesus, nosso Mestre muito amado.


AS BODAS DE CANÁ - A ÁGUA FEITA VINHO
— Há na Galiléia uma cidadezinha chamada Caná e nela um dia realizou-se um casamento. Por esse tempo Jesus já era homem feito. A família de Jesus recebeu um convite para assistir ao casamento e Jesus compareceu com sua mãe e seus irmãos.
— Jesus tinha irmãos, Lina? perguntou dona Leonor.
— Os historiadores ainda não chegaram a uma conclusão positiva a esse respeito. Mas o Evangelho, em várias passagens, diz claramente que sim.
A festa decorria bem animada, quando acabou o vinho; Maria percebeu e disse a Jesus:
— “Eles não têm vinho”.
— “Não se inquiete por isso, mamãe, respondeu-lhe Jesus. Daqui a pouco eles o terão”.
Maria então se dirigiu aos que serviam os convidados e disse-lhes que fizessem como Jesus lhes ordenasse.
Ora, ali na sala, num canto, havia seis potes; Jesus mandou que os enchessem de água até a tampa. Feito isso mandou que levassem um pouco daquela água para o mordomo experimentar. E quando ele começou a beber a água, ela se transformou em vinho. O vinho era tão bom que o mordomo arregalou os olhos e disse ao noivo:
— “Esse era o vinho que devia ser servido em primeiro lugar e deixar o outro que é inferior para o fim; porque sempre se costuma dar aos convidados o melhor no começo”.
Aqueles que sabiam a origem do vinho, admiraram-se muito do poder de Jesus. E foi assim que Jesus iniciou os seus trabalhos, concorrendo para a alegria de uma festa, que é uma das mais bonitas que os homens fazem: a festa do noivado.
— No casamento da filha de nossa vizinha não tinha vinho; mas havia doces, guaraná e refrescos que só a senhora vendo, dona Lina! disse Joaninha.
— Então é muito antigo o uso do vinho, Lina? perguntou o sr. Antônio.
— Sim, titio, perde-se na noite dos tempos e o homem o tem associado a quase todas as suas atividades festivas, religiosas, solenes e familiares. Tido pelos antigos como remédio e alimento, o vinho era usado com muita moderação, sendo execrado quem dele abusasse. E agora vão dormir, que está na hora, concluiu dona Lina mandando-nos para casa.


JESUS É EXPULSO DE NAZARÉ
E na noite seguinte, dona Lina nos contou que:
— Tendo começado a trabalhar, Jesus percorria o país ensinando aos homens a fazerem o bem, a compreenderem e a respeitarem as leis de Deus. Para isso ele entrava nas sinagogas aos sábados, tomava um dos livros, desenrolava-o, lia um trecho e explicava-o aos ouvintes.
— O que é sinagoga, dona Lina, perguntou a Cecilia.
- Sinagoga era a casa onde o povo se reunia para estudar as leis de Moisés e dos profetas, isto é, as Escrituras Sagradas.
— Por que é que Jesus desenrolava o livro, dona Lina? perguntou o Juquinha.
— Porque os livros daquele tempo não eram como os de hoje encadernados em folhas. Eram feitos em rolos, como um rolo de papel que o leitor desenrolava à medida que lia.
Depois de Jesus ter visitado muitas cidades e aldeias, sentiu saudades de sua pequenina Nazaré, o povoado tranquilo onde se criara. E para lá se dirigiu e descansou em sua antiga casa. Jesus tinha então mais ou menos trinta anos de idade. Aconteceu que num sábado, segundo o costume, Jesus entrou na sinagoga e levantou-se para ler. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. E desenrolando o livro, achou o Lugar onde estava escrito:
— “O Espírito do Senhor repousou sobre mim, pelo que ele me consagrou com a sua unção e enviou-me a pregar o Evangelho aos pobres, a curar os quebrantados de coração, a anunciar aos cativos redenção e aos cegos vista, a pôr em liberdade os quebrantados para seu resgate, a publicar o ano favorável do Senhor e o dia da retribuição”.
— Não entendi nada, Lina, falou dona Aninhas.
— É fácil. Este trecho de Isaías significa que Jesus foi escolhido por Deus para vir à Terra ensinar-nos as leis divinas, reanimar os desanimados, abrir-nos os olhos para o mundo espiritual, livrar-nos da maldade e das imperfeições, anunciar que já era tempo de os homens pensarem em Deus e mostrar-nos a retribuição que teremos pelas nossas ações. Compreenderam todos?
— Sim, senhora, respondemos. Queríamos agora que a senhora nos dissesse quem foi Isaías.
— Isaías foi um dos grandes profetas de Israel e viveu há 740 anos antes de Jesus; exerceu grande influência política e religiosa; seu livro dividido em 66 capítulos é uma das joias da literatura antiga; nele se intercalam predições sobre Jesus de uma realidade impressionante.
Jesus enrolou o livro, deu-o ao ministro e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. E ele começou a ensiná-los e disse-lhes:
—“Hoje se cumpriu esta escritura aos seus ouvidos”.
O povo se admirava das palavras que saíam da boca de Jesus e dizia:
— “Mas não é este o oficial, filho de José e de Maria? E não vivem entre nós seus irmãos e suas irmãs?”
E ficaram indignados por Jesus dizer que era a ele que Isaías se referia. Porém Jesus não perdeu a calma e disse:
— “Sem dúvida, vocês me aplicarão este provérbio:
“Médico, cura-te a ti mesmo e faze aqui na tua terra tudo quanto ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. Mas na verdade eu lhes digo que nenhum profeta é bem aceito em sua pátria”.
— Ninguém é santo em sua casa! exclamou o sr. Antônio.
— Isso mesmo, continuou dona Lina. Como todos o conheciam ali em Nazaré onde era oficial de carpinteiro, ninguém queria acreditar nele. E o pior é que o agarraram e o levaram para fora da vila e o quiseram atirar por um morro abaixo. Mas Jesus calmamente passou pelo meio deles e retirou-se.
— E fez muito bem, disse dona Leonor.
— Dali Jesus foi para Cafarnaum, agradável vilarejo situado às margens do lago Tiberíades, onde ficou morando na casa de Simão Pedro, a quem vocês conhecerão mais adiante. E todas as tardes depois do trabalho diário, Jesus ensinava ao povo que se espantava e admirava de sua doutrina e de suas palavras cheias de doçura e de autoridade.
— E agora vão para casa que já é hora, ordenou dona Lina pondo ponto final na narração da noite.
Fui para casa com o pensamento cheio daquelas recordações da vida de Jesus. A noite era morna e um luar esplendoroso banhava as coisas e os campos até ao longe. Em casa mamãe cerzia meias ao pé do lampião e papai lia ao seu lado. Um grande silêncio reinava na sala. Mamãe quebrou-o dizendo-me:
— Lave os pés, meu filho, e vá dormir. Obedeci.

(Anteriormente, Dona Lina contou as histórias: do Nascimento de Jesus, dos Pastores de Belém, dos Magos do Oriente, a Fuga para o Egito, a volta do Egito; O menino Jesus no meio dos doutores: sua infância; A Pregação de João Batista, A Tentação de Jesus, As Bodas de Caná; Jesus é expulso de Nazaré_ postados aqui).Do livro O EVANGELHO DA MENINADA, de ELISEU RIGONATTI.
CURA DE UM ENDEMONINHADO
— Hoje tenho dois bonitos fatos para lhes contar acerca de Jesus, começou dona Lina quando nos viu reunidos. Ouçam bem:
Certa vez estava Jesus na sinagoga e apareceu por lá um homem obsidiado por um espírito imundo.
— O que é um espírito imundo, dona Lina? perguntou o Roberto.
— Um espírito imundo é um irmão inferior que em lugar de se elevar para as regiões espirituais de paz e de luz tornando-se assim um espírito luminoso, fica aqui junto dos homens, atormentando alguns deles, como a esse pobre obsidiado.
Quando o homem viu Jesus, o espírito começou a gritar pela boca dele:
— “Deixa-nos, que tens conosco, Jesus Nazareno? Vieste perder-nos? Bem sei quem és; és o santo de Deus”.
Mas Jesus o repreendeu, dizendo:
— “Cala-te e sai desse homem!”
E depois de ter lançado o homem por terra, ele se retirou sem lhe fazer nenhum mal.
— Dona Lina, esses irmãos inferiores de onde é que vêm? perguntou o Roberto.
— Eles vêm daqui mesmo; são as almas dos homens que morreram. Para vocês entenderem isso, devo explicar-lhes que somos compostos de duas partes: o nosso corpo de carne e o nosso espírito, ou nossa alma. Pela morte, rompe-se o laço que liga nossa alma ao corpo. O corpo então morre e vai para a sepultura; e nossa alma, que compreende nós mesmos, vai para o mundo espiritual. As almas ou espíritos dos homens bons nos ajudam para o bem; e a dos maus se tornam irmãos inferiores enquanto não resolverem praticar o bem.
— Então ninguém morre, dona Lina! exclamou o Antoninho.
— Ninguém morre e nós nunca morreremos. Somos espíritos imortais. Por isso aprendam desde já a não terem medo da morte.
E todos aqueles que estavam na sinagoga falavam uns com os outros, dizendo:
— “Que coisa é esta, por que ele manda com poder e com virtude aos espíritos imundos e estes lhe obedecem?”
E a fama de Jesus corria por toda a parte.




A CURA DA SOGRA DE PEDRO



Uma outra ocasião, Jesus saiu da sinagoga e foi até a casa de Pedro, onde encontrou a sogra dele de cama, com muita febre. Jesus teve dó dela e inclinando-se sobre ela, pôs-lhe as mãos e a febre passou, e a sogra de Pedro ficou boa; e imediatamente foi providenciar um lanche para eles.
Sabendo o povo que Jesus estava na casa de Pedro, para lá foram levados muitos doentes de todas as moléstias e muitos obsidiados também. E Jesus punha as mãos sobre cada um deles e os sarava. E logo que raiou o dia, Jesus se levantou da cama e foi a um lugar deserto para orar, mas todos o procuravam e foram até onde ele estava, não queren­do que ele fosse embora. Mas Jesus lhes dizia:
—   “Às outras cidades também é necessário que eu anun­cie o reino de Deus; que para isso é que fui enviado”.
E Jesus percorria toda a Galiléia, curando os enfermos e ensinando nas sinagogas deles.
Agora chega. Amanhã lhes contarei mais alguma coisa, concluiu dona Lina.




A PESCA MARAVILHOSA - OS PRIMEIROS DISCÍPULOS


— Começaremos nossa história de hoje por uma aula de geografia, disse dona Lina sorrindo.
No centro da Galileia existe um grande lago de água doce, chamado Mar da Galileia; tem vinte quilômetros de comprimento e mede treze de largura em sua parte mais larga. As ondas que nele se formam cintilam à luz do sol e no fundo de suas águas há grande fartura de peixes. Suas margens são agradáveis e nelas se edificaram várias cidade­zinhas e aldeias, das quais, por vezes, o mesmo Mar da Ga­lileia toma o nome, tais como: Cafarnaum, Genezaré, Tibe­ríades, Juiverete e outras. O Mar da Galileia foi o cenário da maior parte da vida de Jesus. Havia por ali muitas colônias de pescadores e foi entre eles que Jesus foi buscar quase todos seus discípulos, como vocês verão. Jesus gostava muito desse lago e percorria constantemente suas margens ensi­nando ao povo o seu Evangelho e sempre que lhe deparava uma oportunidade curava os enfermos.
Outras vezes, quando o povo era muito, ele subia numa barca, afastava-se um pouco da praia onde o povo se acomodava e sentado na barca, ele pronunciava palavras de fé e de esperança, de conforto e de alívio, de paz e de resignação. E a tarde suave descia lenta e luminosa, espalhando serenidade sobre a Terra.
— Que beleza! exclamou dona Aninhas.
— Sim, era um quadro magnífico, cuja beleza ultrapas­sa tudo quanto os grandes pintores já criaram.
Uma vez Jesus viu duas barcas que estavam à beira do lago de Genezaré; e os pescadores haviam saltado em terra e levavam as redes. Enorme era a multidão que tinha vindo ouvir a palavra de Jesus e quase que o empurrava para a água. Jesus entrou numa das barcas que era de Simão e pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra. E estando sen­tado na barca, dali ensinava o povo:
— Quem era Simão? perguntou João André.
— Simão era o mesmo Pedro; o nome dele era Simão Pedro.
— E o que é que Jesus ensinava perguntou ainda João André.
— Jesus ensinava o povo a fazer o bem, respondeu pron­tamente a Joaninha.
E dona Lina continuou:
—  Jesus notou que Pedro estava um tanto triste; e logo que acabou de falar, disse-lhe:
—  “Vamos mais para o meio do lago e soltem as redes para pescar
Ao que Simão respondeu:
—  “Mestre, depois de trabalharmos a noite inteira não apanhamos peixe algum. Mas para obedecer-te, soltarei a rede”.
Qual não foi o espanto deles quando viram a rede cheia de peixes a ponto de arrebentar, vocês não podem imaginar! Os peixes eram tantos e a rede estava tão pesada que tive­ram de chamar os companheiros da outra barca para ajudá-­los. E sabem vocês que as duas barcas ficaram tão cheias que pouco faltou para afundarem?
—  E Pedro ficou contente, dona Lina? perguntou Roberto.
—  Certamente; mas olhava desconfiado para Jesus e quando as barcas abicaram à praia, Pedro lançou-se-lhe aos pés e disse-lhe:
—  “Retira-te de mim, Senhor, que sou um homem pecador”.
—  Por que Pedro fez isso, dona Lina? Eu pensava que Pedro ia agradecer a Jesus com grandes palavras, falou o Juquinha.
—  Pedro era um homem humilde, Juquinha. E dentro de sua humildade compreendeu que havia recebido uma gra­ça de Deus por meio de Jesus e não se julgou merecedor de tamanho favor...
—  Ato contrário de muitos que quanto mais recebem mais querem e sempre acham pouco! atalhou dona Aninhas.
—  Ele e todos se admiraram muito de ver a pesca que tinham feito. E junto com Pedro estavam os filhos de Zebe­deu que eram Tiago e João, os quais também fitavam Jesus, maravilhados.
Mas Jesus disse a Pedro:
— “Não tenhas medo; de agora em diante serás pes­cador de homens”.
Com isto Jesus quis dizer-lhe que ele o ajudaria a ensi­nar os homens como chegarem a Deus.
E depois de terem tratado do pescado, os três pescadores, Simão Pedro, Tiago e João seguiram Jesus. Estes foram seus primeiros discípulos.
Agora vão para casa depressa que parece que vai chover, disse dona Lina encerrando a história daquela noite.
De fato, nem bem cheguei em casa caiu o temporal.


CURA DE UM LEPROSO

— Vocês tomaram chuva ontem? perguntou-nos dona Lina logo que chegamos.
— Não, senhora; deu tempo de chegarmos em casa, res­pondemos.
E afagando os cabelos de Joaninha, dona Lina narrou:
— Sucedeu que se achava Jesus numa daquelas aldeias das margens do Mar da Galileia e lhe apareceu um homem doente de lepra. Assim que o homem o viu, cobriu o rosto, lançou-se por terra e lhe rogou:
— “Senhor, se tu queres, bem me podes curar”.
Jesus estendeu a mão sobre ele e disse:
— Quero, fica curado”.
O  homem se retirou contente e com isso a fama de Jesus crescia; a ele concorria muita gente não só para ouvi-lo como também para ser curada de suas enfermidades. Mas Jesus ia para o deserto, onde se punha em oração.
— Por que é que Jesus fazia assim, dona Lina? per­guntou Cecilia.
— Porque Jesus gostava de orar a Deus nos lugares sossegados, onde ninguém o perturbasse; e com suas orações, ele pedia forças a Deus para bem cumprir os seus deveres. É o que vocês precisam fazer também: orar a Deus a fim de se fortificarem para as lutas da vida.







CURA DUM PARALÍTICO

—  Ouçam agora como Jesus curou um paralítico.
Um dia Jesus estava numa casa ensinando. A casa esta­va cheia de gente, de modo tal que era difícil a alguém entrar. Junto com ele havia muitos fariseus, doutores da lei e escri­bas que tinham vindo das aldeias da Galileia e até mesmo de Jerusalém.
Já sei que vocês vão perguntar quem eram os escribas, os doutores da lei e os fariseus, não é verdade? Prestem atenção:
Doutor da lei e escriba são a mesma coisa; eram os que conheciam a fundo as Escrituras Sagradas e por isso as explicavam ao povo nas sinagogas. Fariseus eram os mem­bros de uma seita religiosa que tinha a pretensão de ser a única que bem observava a lei de Moisés. Os fariseus não se misturavam com ninguém e julgavam-se quase que santos. Mais tarde eu lhes contarei o que Jesus pensava deles. Entenderam?
—  Sim, senhora, respondemos.
—  É quando chegam uns homens trazendo deitado numa cama um paralítico. E queriam levá-lo para dentro da casa para pô-lo diante de Jesus. Mas não conseguiam porque o povo atravancava as portas e as janelas.
O   que fizeram então? Subiram ao telhado da casa, iça­ram o paralítico lá para cima, descobriram um pedaço do telhado e pelo buraco, com umas cordas, desceram o para­lítico em frente de Jesus.
—  Que corajosos! exclamou a Joaninha.
—  Sim, não só foram corajosos como demonstraram muita fé em Jesus. Quando ele viu diante de si aqueles ho­mens com o paralítico, cheios de fé, disse:
—  “Homem, os teus pecados te são perdoados”.
Porém os escribas e os fariseus não gostaram daquilo e se puseram a murmurar, dizendo que só Deus é que tem o  poder de perdoar pecados, e outras coisas mais contra
Jesus.
—  Que gente! Em vez de ficarem contentes! exclamou a Cecilia.
—  Pois é. Jesus reprovou-os dizendo:
—  “O que vocês estão aí falando? Para mim tanto faz dizer que os pecados lhe são perdoados, como que se levante e ande. Querem ver?
E voltando-se para o paralítico, ordenou-lhe:
—  “A ti te digo, levante-te, toma o teu leito e vai para tua casa”.
O   paralítico pulou da cama, pegou-a de um lado e os homens que o tinham trazido do outro e foram para casa agradecendo a Deus.
—  E os escribas e os fariseus, dona Lina? perguntou o Roberto.
—  Ficaram boquiabertos, mas não tiveram outro remé­dio senão agradecer a Deus e exclamar:
—  “Hoje vimos prodígios!”
Bateram oito horas. Dona Lina mandou-nos para casa.


A VOCAÇÃO DE LEVI

Quase que cheguei tarde à casa de dona Lina. Aconteceu que tive de fazer um serviço para mamãe, o que me atrasou. Dona Lina me disse:
—  Íamos começar justo agora. Julguei que você não viria hoje.
Desculpei-me e ela continuou:
—  Um dia Jesus saiu e passou em frente da casa onde se pagavam os impostos. Lá viu um publicano chamado Levi, em sua escrivaninha. Quem sabe o que é um publicano? Já lhes expliquei.
—  Eram os cobradores de impostos daquele tempo, res­pondeu prontamente a Joaninha.
—  Isso mesmo, Jesus olhou bem para ele e ele para Jesus, como que encantado, e sorriu. E quando ele sorriu, Jesus lhe disse bondosamente:
—  “Segue-me”.
Levi fechou a escrivaninha e tomado de alegria seguiu Jesus, tornando-se assim seu discípulo. Tempos depois, Levi adotou o nome de Mateus e escreveu o Evangelho que traz o seu nome.
—  O que é o Evangelho, dona Lina? perguntou o Pedro Luis, um menino novo que a Joaninha tinha trazido para ouvir a história.
—  Chama-se Evangelho o livro que conta a história da vida de Jesus e contém os seus ensinamentos. Há quatro evangelhos, escritos por quatro dos discípulos de Jesus, que são: o de Mateus, que é esse Levi do qual estamos falando;
o de Marcos, o de Lucas e o de João.
—  Por que Levi trocou o nome, Lina? perguntou dona Leonor.
—  Esse é um caso que ainda não está esclarecido pelos historiadores. Parece que foi o próprio Jesus quem lhe mudou o nome.
Levi muito contente convidou Jesus e seus discípulos para irem à sua casa, onde lhes ofereceu um grande ban­quete. Levi convidou também seus colegas publicanos e outras pessoas, entre as quais alguns escribas e fariseus.
Como vocês sabem, os escribas e os fariseus não gosta­vam de se misturar com os outros.
—  Já sei que vão falar contra Jesus! exclamou Joaninha. Desse jeito vou acabar não gostando deles.
—  De fato, continuou dona Lina, começaram a murmu­rar de modo que Jesus os ouvisse, dizendo a seus discípulos:
—  “Por que é que vocês comem e bebem com os publi­canos e pecadores?”
Porém Jesus que de tudo sabia tirar valiosos ensinamen­tos, respondeu-lhes:
—  “Os que se acham sãos não necessitam de médico, mas os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos mas os pecadores, para que também eles alcancem a misericórdia de Deus”.
—        Foi muito bem respondido, falou dona Aninhas. Se Jesus só procurasse a companhia dos santos, ele não poderia vir ao nosso mundo onde quase há tão somente pecadores. E como é que nós, pobrezinhos, nos arranjaríamos sem ele?
—  É verdade dona Aninhas, confirmou dona Leonor. Depois que Jesus veio aqui, até parece que ninguém mais ficou abandonado!
—  E não ficou mesmo, concluiu dona Lina despedin­do-nos.


ACERCA DO JEJUM

—  Hoje lhes vou falar de um assunto que não sei se vocês compreenderão, disse dona Lina reencetando a história.
—  Do que é, dona Lina, perguntamos em coro.
—  É de uma pergunta que fizeram a Jesus a respeito do jejum.
—  Eu sei o que é jejum, disse a Joaninha.
—  O que é, perguntou o João André.
—  É não comer nada, respondeu a Joaninha.
—  Isso mesmo, prosseguiu dona Lina. Mas não comer nada por motivo religioso e de tristeza. Acreditavam que não comendo e entristecendo-se pagariam os pecados.
—  De verdade, dona Lina? perguntou o Juquinha.
—  Assim pensavam. Entretanto vocês bem sabem que os pecados, isto é, os erros que cometemos, só os pagaremos fazendo o bem.
Alguns discípulos de João foram ter com Jesus e lhe fizeram esta pergunta:
—  “Qual é a razão por que nós e os fariseus jejuamos com freqüência e os teus discípulos não jejuam?”.
E Jesus lhes respondeu:
—  ‘Porventura devem estar tristes enquanto eu estou com eles? Quando eu lhes faltar, então ficarão tristes”.
—  A senhora jejua, dona Lina? perguntou Cecilia.
—  Eu não, menina! exclamou dona Lina. Por que hei de jejuar se sei que Jesus está sempre conosco, procurando por todos os meios que sejamos felizes?
E Jesus continuou:
—  “Ninguém remenda um vestido velho com um pedaço de pano novo. Porque o pano novo, sendo mais forte, acaba rasgando mais o vestido. Nem se põe vinho em odres velhos; porque os odres rebentam e o vinho se perde. Mas vinho novo se põe em odres novos e assim ambas as coisas se conservam”.
—  Não compreendemos, dona Lina; dissemos.
—  Dona Lina, o que é odre? perguntou o João André.
—  Vou explicar-lhes tudo. Odres eram vazilhas feitas de peles de animais, principalmente de ovelhas. Tiravam a pele da ovelha, curtiam-na e costuravam-na de maneira que o odre tinha quase o formato do animal. E pela aber­tura no lugar da boca, enchiam-na de vinho ou de água. Acontece que quando o odre envelhecia, já por demais cur­tido, não agüentava a fermentação do vinho novo e arre­bentava.
Com estas comparações Jesus nos ensina que as pes­soas velhas, que foram criadas nas idéias antigas, dificilmente acatam as idéias novas, e como o que ele estava ensinando eram idéias novas, os antigos, isto é, os fariseus e seus seguidores não as suportavam.
—  Então, nós aqui todos somos odres novos! exclamou rindo dona Leonor.
—  Sim, sim, são todos odres novos e assim espero que guardem bem o vinho novo que Jesus nos trouxe, concluiu dona Lina.
E como estava na hora, fomos para casa.


JESUS É SENHOR DO SÁBADO

—  Vocês sabem, perguntou-nos dona Lina quando nos viu reunidos ao seu redor, ávidos por suas palavras, vocês sabem quem instituiu o descanso semanal?
Nenhum de nós sabia; nem mesmo o sr. Antônio que estava ali no seu cantinho e já tinha lido muitos livros.
— O descanso semanal foi instituído por Moisés, um grande chefe do povo hebreu.
— Quem era o povo hebreu, dona Lina? perguntou o Antoninho.
— Era o mesmo povo judeu, em cujo meio Jesus nasceu. Judeu, hebreu e israelita são nomes aplicados ao mesmo povo. Podemos até dizer que são palavras sinônimas. Quan­do vocês forem maiores, não deixem de ler a história deste povo. Ele exerceu enorme influência nos destinos da huma­nidade. A Bíblia é o livro que conta a história do povo judeu.
— Lá em casa temos uma Bíblia, falou a Joaninha. Papai não me deixa lê-la porque ainda sou pequena. Mas de vez em quando, ele me mostra as figuras, tão bonitas!
— Pois bem. Moisés, que era inteligentíssimo, compre­endeu que o homem necessita de um dia de descanso por semana, por dois motivos: primeiro, para recuperar as forças do corpo, gastas no trabalho da semana; segundo, para ter um dia livre em que se dedique à religião, ao culto a Deus. E deu esta lei a seu povo:
“Trabalharás seis dias da semana e no sétimo dia descansarás”.
O  sétimo dia da semana é o sábado; e por isso passaram a guardar o sábado. Nesse dia eles não faziam nada por acharem que era pecado fazer alguma coisa. Quem o fizesse no sábado, era desprezado e perseguido por ter desrespei­tado a lei.
Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus passeava com seus discípulos pelos trigais; eles apanhavam espigas de trigo e, esmagando-as com os dedos, comiam-nas.
Alguns fariseus viram aquilo e disseram:
— “Por que vocês fazem o que não é permitido fazer nos sábados?”
E Jesus lhes respondeu:
    - “Porventura vocês não sabem que os sacerdotes no templo quebram o sábado? Vocês não sabem também que o rei Davi e os que o acompanhavam um dia entraram no templo e comeram os pães, o que era proibido pela lei? Ora, se os grandes o podem fazer, por que não o podem os pequenos? Fiquem sabendo que eu quero misericórdia e não sacrifícios”.
—  Muito bem respondido! bradou o sr. Antônio. Bonita lição Jesus lhes deu!
—  Lina, por que hoje descansamos no domingo e não no sábado? perguntou dona Aninhas.
—  A causa ainda não está bem averiguada, respondeu dona Lina. Parece que isso vem desde o princípio do Cris­tianismo, quando os primeiros cristãos começaram a se reu­nir aos domingos para estudarem o Evangelho e assim se diferenciarem dos judeus que se reuniam aos sábados para comentar a lei de Moisés. O descanso aos domingos, primeiro dia da semana, foi adotado por todos os povos que abraça­ram ao Cristianismo.
— E agora até amanhã, terminou dona Lina, levantan­do-se da poltrona.

CURA DE UM HOMEM QUE TINHA UMA DAS MÃOS RESSICADA


—  Querem saber o que Jesus fez num outro sábado, dei­xando furiosos os escribas e os fariseus? perguntou-nos dona Lina na noite seguinte:
—  Queremos, sim senhora, respondemos.
—  Aconteceu que Jesus entrou na sinagoga deles e se pôs a ensiná-los. E viu que entre os ouvintes se achava um pobre homem que tinha a mão direita seca. Os escribas e os fariseus ficaram atentos, observando se Jesus curaria o homem no sábado e desse modo poderiam acusá-lo de des­respeitador da lei. Jesus percebeu o que eles pensavam, cha­mou o homem dizendo-lhe:
—  “Levanta-te e põe-te em pé no meio”.
E o homem levantando-se ficou de pé.
Jesus se dirigiu aos escribas e aos fariseus e lhes perguntou:
—  “É lícito nos sábados fazer o bem ou mal? Salvar uma vida ou tirá-la?
Ninguém respondeu.
Então Jesus correndo os olhos sobre todos eles, disse para o homem:
—  “Estende tua mão”.
Quando o homem a estendeu, a mão ficou boa.
Mas os escribas e os fariseus não se conformaram, en­cheram-se de furor e falavam entre si para ver o que fariam de Jesus.
—  Por que foi que eles não se conformaram, dona Lina? perguntou João André.
—  Porque acharam que Jesus tinha feito alguma coisa no sábado, o que era proibido pela lei deles.
—  Mas que gente de coração endurecido! exclamou o sr. Antônio. O bem se faz a qualquer hora, em qualquer dia e em qualquer lugar. Não há lei que proíba fazer o bem.
— Pois era isso mesmo, titio, o que Jesus queria ensi­nar-lhes ao fazer curas nos sábados. E agora vou contar-lhes como Jesus escolheu seus doze discípulos.

ELEIÇÃO DOS DOZE


Certa vez Jesus foi a um monte solitário e ali passou toda a noite em oração a Deus. E quando foi dia, reuniu os seus discípulos e dentre eles escolheu doze, os quais cha­mou apóstolos.
—  Por que foi que Jesus os chamou apóstolos, dona Lina? perguntou a Joaninha.
—  A palavra apóstolo quer dizer mensageiro e é usada especialmente para designar os doze discípulos a quem Jesus encarregou de pregar o Evangelho. Portanto, eles eram os mensageiros de Jesus; chamavam-se: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, irmão de Pedro; Tiago, João, Felipe, e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu e Simão, apelidado o zelador; Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes que foi quem traiu Jesus, entregando-o aos escri­bas e aos fariseus.
—  O quê? Como foi isso!? perguntou admirada a Joaninha.
       - Vamos com calma que o saberão em seu devido tem­po. Repitam comigo os nomes dos doze apóstolos.
       Em voz alta repetimos com ela os nomes dos doze pri­meiros trabalhadores do Evangelho. Depois fomos para casa.


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