HISTÓRIAS PARA CONTAR
































































OBSERVAÇÃO: A GRAFIA CORRETA DA PALAVRA IDEIA, ATUALMENTE, É SEM ASSENTO. 


O JACAREZINHO EGOÍSTA

Chloris Arruda de Araújo


        Era uma vez... uma lagoa muito bonita. Com bastante água límpida. Ali morava um jacarezinho valente e muito orgulhoso. Vivia muito feliz, nadava naquelas águas claras passando horas refrescando-se.
        Só que ele era muito egoísta Quando estava na lagoa, ninguém mais lá podia ir, pois o valentão tomava conta de tudo. E assim foi até certo dia, quando não havia água lá na casa de dona Pata.
       Dona Pata estava triste, pois os três patinhos mais bonitos da cidade não podiam tomar banho e o pior é que eles tinham que ir a festa dos pintinhos amarelos.   A mamãe, mandou os patinhos à lagoa para se banharem.
          Lá se foram eles com seus passos miúdos cantando contentes. Mas, oh! tristeza!.. lá na lagoa estava o jacarezinho todo valente gritando:
        - Que vieram fazer aqui seus malandros?
          - Viemos tomar banho, responderam delicadamente os patinhos.
        E nesta bonita lagoa é que vocês querem tomar banho? Aqui não é lugar para banhos, seus atrevidos! Disse irritado o jacarezinho. Continuem sujos. Para que Patos querem ficar limpos
          - Mas nós vamos à festa dos Pintinhos, e sujos não podemos dançar e nem brincar, insistiram os Patinhos. Não e não, esta lagoa é minha e ninguém pode aqui entrar.
          Os Patinhos assustados, correram logo para casa. Dona Pata, diante disso, ficou indignada, enchendo-se de coragem foi ver se com boas maneiras, conseguiria convencer o jacarezinho a deixar os seus filhinhos, tomarem banho na lagoa. Por favor senhor jacaré, meus filhos precisam tomar banho.
          - Eles que tomem banho em casa. Ora essa. Por acaso, aqui é banheiro? Retrucou ele com maus modos.
          - Meu amigo, escute por favor: Lá em casa não há água. E os Patinhos precisam ficar bem limpos hoje. Por que? Para que Pato precisa ficar limpo? Rosnou o valentão. Dona Pata já estava perdendo a paciência, mas continuou bem educada e disse: Os Patinhos trarão doces para o senhor. Qual é o doce que prefere? Continuou dona Pata ainda com paciência.
          - Eu não gosto de doce nenhum! Eu não quero nada. Só quero sossego. Não preciso de doces de ninguém. Está ouvindo? Já disse e repito, esta lagoa é só minha e quero que todo mundo saiba disso, ouviu dona Pata? Dona Pata perdeu então a paciência e até se esqueceu de que era bem educada e boazinha. Muito zangada, disse ao jacarezinho egoísta:
- Deixe estar, esta lagoa um dia vai secar, escute bem, esta lagoa um dia vai secar... E foi-se embora muito triste por precisar falar estas coisas tão ruins ao Jacarezinho. Este se acomodou na lagoa e lá ficou para tirar uma soneca. O sol estava quente
          O calor dava moleza, mas a água estava gostosa.
          Acontece porém, que lá no alto, lá no céu, mais alto do que voam os passarinhos e passam os aviões barulhentos, está o Papai do Céu. Ele viu e ouviu tudo. Ficou com muita pena dos Patinhos e muito triste com o jacarezinho. Onde já se viu? A lagoa é de todo mundo. O jacarezinho, precisava saber disso. Não é bonito ser assim egoísta. Ele devia ser bom e gostar de todo mundo. Então o Pai do Céu, conversou com o Sol, que já vinha de muito tempo, aborrecido com o danado jacaré. Este aqueceu tanto a água da lagoa que ela se foi evaporando, evaporando.... e a lagoa, ficou sem uma gota de água, seca, seca...
          Quando o jacarezinho viu, estava todo cheio de barro. Será que estou sonhando? Disse desapontado. Ah! já sei. Dona Pata, disse que a lagoa iria secar.
          E secou mesmo. Que infelicidade, meu Deus! Também fui muito egoísta. Perdão, perdão, Papai do Céu, dizia tão aflito que fazia dó. Ele chorou tanto e ficou tão arrependido que o Papai do Céu ficou com pena dele.
          Agora eu sei o quanto é ruim a gente ficar sujo e não ter água para o banho. Perdão, perdão Papai do Céu.
          Logo depois começou a chover forte e bastante. Choveu tanto que a lagoa ficou novamente cheia de água límpida e gostosa. O jacarezinho todo feliz porque afinal o Papai do Céu o havia perdoado, foi correndo buscar os Patinhos para nadarem. E ainda deu tempo para tomarem bons banhos. E os três Patinhos, muito bonzinhos, trouxeram uma porção de doces gostosos para o jacarezinho que não era mais egoísta.
          E nunca mais a lagoa secou, e o jacarezinho continuou sempre bom.

Atividades realizadas por crianças, a partir da história: com material simples, descartáveis. Foi uma tarefa das que mais gostaram de fazer. Foi um sucesso!!!
Objetivo: confeccionar um personagem da história, com características semelhantes(ou não).
Material: caixas de diversos tamanhos (de remédios, embalagens de gelatina, sabonete, creme dental, de coador de papel, cotonetes, etc), encapadas com sulfite branco. 
canetinha preta para marcar os olhos;
pompom de lã para o cabelo;
retalhos de EVA de diversas cores;
cola, fita crepe.








     






SUGESTÃO: FAZER UMA CAIXINHA, OU DESENHO DE UMA CARROCINHA, COLORIR, RECORTAR E COLAR OS BICHINHOS COMO NA IMAGEM DA HISTÓRIA.




FONTE: Grande Coleção Sonho e Fantasia de Criança Feliz, vol. Abril. Ed. Edelba, sem data.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA PÁSCOA
BASEADA NO LIVRO EVANGELHO DA MENINADA, DE ELISEU RIGONATI E ADAPTADA PARA CRIANÇAS PEQUENAS, POR MAGDA KOKKE, EM PARAUAPEBAS, PARÁ, BRASIL, 2013.

1-    QUEM JÁ OUVIR FALAR EM PÁSCOA? O QUE VOCÊS ACHAM QUE É? SERÁ QUE PÁSCOA É COELHO? SERÁ QUE É CHOCOLATE? SERÁ QUE A GENTE COMPRA A PÁSCOA NO SUPERMERCADO? NÃO SEI NÃO!!!!! VAMOS VER!!!!!! VOU CONTAR-LHES UMA HISTÓRIA VERDADEIRA SOBRE A PÁSCOA. NÃO É NENHUMA HISTÓRIA INVENTADA, ACONTECEU MESMO. (Observação: as figuras antecedem a cada parte da história)





TUDO COMEÇOU HÁ MUITOS E MUITOS ANOS ATRÁS, NUM LUGAR MUITO LONGE DAQUI, NUMA CIDADE QUE SE CHAMA BELÉM (MAS NÃO É BELÉM DO PARÁ, É OUTRA CIDADE). NESTA ÉPOCA HAVIA MUITOS REIS, SOLDADOS, GUERRAS... MAS HAVIA MUITA GENTE SIMPLES TAMBÉM, POBRE, COMO OS PASTORES. PASTORES, O QUE SÃO MESMO? GENTE QUE CUIDA DAS OVELHAS.
NUMA CERTA NOITE, ENQUANTO OS PASTORES VIGIAVAM SUAS OVELHAS PARA QUE OS LOBOS NÃO AS ATACASSEM, APARECEU NO CÉU UM ANJO DE DEUS, QUE COM SUA LUZ  BRILHANTE ILUMINOU A TODOS!
ELES LEVARAM UM SUSTO E FICARAM COM MEDO, MAS O ANJO LHES DISSE: “NÃO TENHAM MEDO; VENHO TRAZER-LHES UMA NOTÍCIA QUE SERÁ DE GRANDE ALEGRIA PARA VOCÊS E PARA TODO O POVO; É QUE HOJE NASCEU O SALVADOR DO MUNDO, QUE É JESUS. E SE VOCÊS QUISEREM IR VÊ-LO, ESTE É O SINAL QUE LHES FARÁ CONHECÊ-LO: ACHARÃO UM MENINO ENVOLTO EM PANOS E POSTO NUMA MANJEDOURA”. (MANJEDOURA ERA UMA CAMA DE CAPIM QUE FICAVA NO CURRAL ONDE FICAVAM OS ANIMAIS).
E QUANDO O ANJO ACABOU DE FALAR, APARECERAM AO SEU LADO MUITOS E MUITOS OUTROS ANJOS, TODOS ELES IRRADIANDO UMA LUZ TÃO BRILHANTE, QUE CLAREOU AQUELES CAMPOS ATÉ AO LONGE. E OS ANJOS CANTAVAM: “GLÓRIA A DEUS LÁ NAS ALTURAS, E PAZ NA TERRA A TODAS AS SUAS CRIATURAS”.
EM SEGUIDA OS ANJOS SUBIRAM PARA O CÉU, E OS PASTORES FICARAM SOZINHOS AO PÉ DA FOGUEIRA.
UM DELES, PENSATIVO E ADMIRADO, ABAIXOU-SE, AVIVOU AS CHAMAS, E DISSE:
— “VAMOS ATÉ BELÉM, E VEJAMOS O QUE É QUE ACONTECEU, O QUE É QUE DEUS NOS REVELOU”. SEGUIRAM ENTÃO PARA BELÉM À PROCURA DE UM CURRAL, POIS CERTAMENTE ENCONTRARIAM LÁ O MENINO JESUS.
___________________________________________________________



2-    LOGO, LOGO  OS PASTORES CHEGARAM AO CURRAL, E DE FATO ACHARAM JESUS ENVOLTO EM SEUS PANINHOS, DORMINDO NA MANJEDOURA, FORRADINHA DE CAPIM BEM FOFINHO. MARIA ESTAVA ACOMODADA AO SEU LADO, E JOSÉ, DE PÉ À CABECEIRA, VELAVA PELOS SEUS DOIS ENTES QUERIDOS.
OS PASTORES ACHEGARAM-SE À MANJEDOURA, E CONTEMPLARAM RESPEITOSAMENTE O MENINO. E CONTARAM AOS PAIS A VISÃO MARAVILHOSA QUE TIVERAM. JUNTO COM OS PASTORES CHEGOU MAIS GENTE, E TODOS FICARAM ADMIRADÍSSIMOS DO QUE OUVIAM. VENDO OS PASTORES QUE ERA VERDADE O QUE O ANJO LHES ANUNCIARA, RETIRARAM-SE DANDO GRAÇAS A DEUS. MARIA AJEITOU MELHOR O MENINO, E UM POUCO PREOCUPADA COM A VISITA DOS PASTORES, PEDIU AO ALTÍSSIMO QUE AMPARASSE O SEU FILHINHO; E SORRINDO PARA JOSÉ QUE ESTAVA PENSATIVO, ADORMECEU.
OS PASTORES E TODAS AS OUTRAS PESSOAS FICARAM SE PERGUNTANDO COMO AQUELA CRIANCINHA TÃO PEQUENINA PODERIA SER O SALVADOR DO MUNDO. COMO VOCÊS ACHAM QUE ELE PODERIA FAZER ISSO?
VAMOS VER, VOU CONTINUAR CONTANDO A HISTÓRIA...
___________________________________________________________


3-    O TEMPO FOI PASSANDO, O MENINO FOI CRESCENDO E VIROU UM HOMEM. MAS POR TODOS OS LUGARES QUE PASSAVA ELE DEIXAVA UMA LIÇÃO DE AMOR E DE JUSTIÇA, DE RESPEITO E DE BONDADE,
DE SABEDORIA E CARIDADE... AO LONGO DO CAMINHO AS PESSOAS IAM SE JUNTANDO E SEGUINDO-O PARA APRENDEREM SUAS LIÇÕES. MAS JESUS COMO SABIA DE TODAS AS COISAS, CHAMOU DOZE HOMENS PARA SEREM SEUS DISCÍPULOS E ENSINAREM SEUS ENSINAMENTOS QUANDO ELE JÁ NÃO ESTIVESSE MAIS AQUI NA TERRA.
  OS MAIS POBREZINHOS ERAM OS QUE MAIS SEGUIAM JESUS, QUE QUERIAM SER MAIS CONSOLADOS, POIS OS RICOS ACHAVAM QUE TUDO TINHAM COM SEU ORGULHO E EGOÍSMO. ELES TEMIAM PERDEREM O CONTROLE E ACHAVAM QUE JESUS IA QUERER SER REI NA TERRA, COBERTO DE OURO.
MAS JESUS NÃO QUERIA AS RIQUEZAS DA TERRA, QUERIA E ENSINAVA AS RIQUEZAS DO CÉU: QUE ERA A BONDADE, A CARIDADE, O AMOR A DEUS E A TODAS AS CRIATURAS.
___________________________________________________________


4-    MAS OS REIS ERAM TÃO EGOÍSTAS QUE NÃO CONSEGUIAM ACREDITAR QUE PUDESSE EXISTIR UMA VIDA APÓS A MORTE, NO REINO DE DEUS E QUE PARA ALCANÇÁ-LA ERA PRECISO SER BOM COM OS OUTROS.
ENTÃO JESUS FOI PERSEGUIDO POR ESTES REIS EGOÍSTAS, FOI PRESO, CONDENADO E MORTO. FOI UMA TRISTEZA SÓ. TODOS OS SIMPLES DE CORAÇÃO CHORAVAM, MAS DENTRO DELES ALGUMA COISA HAVIA MUDADO. ELES JÁ NÃO SE SENTIAM PERDIDOS SEM ESPERANÇAS. SEUS CORAÇÕES ESTAVAM QUENTINHOS, AQUECIDOS COM O AMOR QUE JESUS LHES ENSINOU E QUE NINGUÉM MAIS, NENHUM REI PODERIA TIRAR ISSO DELES.
MAS COMO SERIA AGORA? QUEM VAI ENSINAR ÀS OUTRAS PESSOAS QUE NÃO CONHECERAM JESUS? ELE ESTAVA MORTO. SUAS LIÇÕES MORRERIAM TAMBÉM COM O PASSAR DO TEMPO? E AS PESSOAS FICARIAM SEM ESPERANÇAS DE NOVO, SEM CONHECER O PODER MÁGICO DO AMOR? VAMOS VER O QUE ACONTECEU.
___________________________________________________________


5-    QUANDO JESUS ESTAVA MORTO, UM HOMEM MUITO BOM CHAMADO JOSÉ DE ARIMATÉIA, QUE HAVIA VISTO E OUVIDO JESUS ENSINAR A VERDADE, PEDIU PERMISSÃO AO REI PARA CUIDAR DO CORPO DE JESUS E ENTERRÁ-LO. O REI PERMITIU.  ENTÃO ELE TIROU O CORPO DE JESUS DA CRUZ, LAVOU-O BEM, PERFUMOU-O, ENVOLVEU-O NUM LENÇOL E O COLOCOU NUM SEPULCRO CAVADO NA ROCHA, DE SUA PROPRIEDADE, E QUE NUNCA TINHA SIDO USADO. OS DISCÍPULOS E ALGUMAS MULHERES QUE TAMBÉM SEGUIAM JESUS OBSERVAVAM TUDO DE LONGE, COM MEDO DE SEREM PRESOS TAMBÉM.  E SEGUINDO JOSÉ DE ARIMATÉIA VIRAM ONDE SEPULTARAM JESUS. ISTO SE PASSOU NA SEXTA-FEIRA. VOLTARAM DEPOIS DO SEPULTAMENTO E AS MULHERES PREPARARAM UNGUENTOS (ÓLEOS) PARA PERFUMAREM O CORPO DE JESUS.
COMO NO DIA SEGUINTE ERA SÁBADO, NADA FIZERAM, OBSERVANDO O REPOUSO DE ACORDO COM A LEI DA ÉPOCA QUE DIZIA QUE NO SÁBADO NADA PODIA SER FEITO, QUE ERA PARA O REPOUSO.
LOGO NO DOMINGO, BEM CEDINHO, AS MULHERES FORAM LÁ, ONDE ESTAVA ENTERRADO O CORPO DE JESUS, LEVANDO OS PERFUMES QUE TINHAM PREPARADO.
QUAL NÃO FOI O ESPANTO DELAS AO VEREM A PEDRA QUE TAPAVA A SEPULTURA TINHA SIDO REMOVIDA, O SEPULCRO ABERTO E VAZIO, VOCÊS NÃO PODEM IMAGINAR! O CORPO DESAPARECERA!
___________________________________________________________



6-    ESTANDO ELAS AINDA MUITO ADMIRADAS E ESPANTADAS E PERGUNTANDO UMAS PARA AS OUTRAS O QUE PODERIA TER ACONTECIDO, APARECERAM-LHES DOIS ANJOS VESTIDOS DE LUZ RESPLANDECENTE. FICARAM COM MAIS MEDO AINDA, MAS OS ANJOS LHES DISSERAM:
— “POR QUE VOCÊS PROCURAM O VIVENTE ENTRE OS MORTOS? ELE RESSUSCITOU E NÃO ESTÁ MAIS AQUI. VOCÊS NÃO SE LEMBRAM DE QUE MUITAS VEZES ELE LHES DISSE ISSO: “CONVÉM QUE EU SEJA ENTREGUE NAS MÃOS DOS HOMENS PECADORES, QUE EU SEJA CRUCIFICADO E QUE EU RESSUSCITE NO TERCEIRO DIA?”
ENTÃO ELAS SE LEMBRARAM E VOLTARAM DO SEPULCRO PARA ONDE OS DISCÍPULOS ESTAVAM ESCONDIDOS E CONTARAM-LHES TUDO O QUE TINHA ACONTECIDO.
OS DISCÍPULOS NÃO ACREDITARAM; PENSAVAM QUE ELAS ESTAVAM LOUCAS. PEDRO CRIOU CORAGEM, CORREU AO SEPULCRO E SÓ VIU O LENÇOL NO QUAL JOSÉ DE ARIMATÉIA TINHA ENVOLVIDO JESUS.
___________________________________________________________



7-    LOGO DEPOIS, JESUS APARECEU VIVO, EM CARNE O OSSO, PARA SEUS DISCÍPULOS PROVANDO-NOS QUE A MORTE NÃO EXISTE.  E DURANTE QUARENTA DIAS JESUS PERMANECEU ENTRE ELES.  JESUS EXPLICOU PORQUE TUDO AQUILO TINHA ACONTECIDO, QUE ERA PARA QUE SE CUMPRISSEM AS PROFECIAS A SEU RESPEITO, A FIM DE QUE A HUMANIDADE, SEGUINDO SEUS ENSINAMENTOS, TRANSFORMASSE A TERRA NUM VERDADEIRO REINO DOS CÉUS E NÃO TEMESSE A MORTE.
___________________________________________________________


8-    E MANDOU  QUE TODOS OS DISCÍPULOS ESPALHASSEM SEUS ENSINAMENTOS PELAS NAÇÕES DA TERRA, JESUS ABENÇOOU-OS E NA VISTA DELES SUBIU PARA OS CÉUS. E OS DISCÍPULOS, CHEIOS DE ALEGRIA E DE CORAGEM, VOLTARAM PARA JERUSALÉM E DAQUELE DIA EM DIANTE SE PUSERAM A PREGAR O EVANGELHO A TODAS AS CRIATURAS.
 COMO ELE, NÓS TAMBÉM RESSURGIREMOS FELIZES NO REINO DE DEUS, SE SEGUIRMOS SEUS ENSINAMENTOS.
___________________________________________________________




9-    ENTÃO, NO DOMINGO DE PÁSCOA, COMEMORAMOS A RESSURREIÇÃO DE JESUS, O DIA QUE ELE SUBIU AO CÉU E É UMA FORMA DE AGRADECER TODO AMOR QUE NOS ENSINOU.
___________________________________________________________







10-                     AGORA, VOCÊS DEVEM ESTAR SE PERGUNTANDO: E O COELHO, OS OVOS DE PÁSCOA, ONDE ENTRAM NESSA HISTÓRIA? SÃO SÍMBOLOS DA PÁSCOA, OU SEJA, AQUILO QUE NOS FAZ LEMBRAR VIDA NOVA. DENTRO DO OVO TEM VIDA? O COELHO É UM ANIMALZINHO QUE TEM VIDA? O GIRASSOL TAMBÉM ESTÁ SEMPRE PROCURANDO A LUZ DO SOL, A VELA NOS LEMBRA O CAMINHO DA LUZ DO AMOR, ASSIM COMO DEVEMOS SEMPRE PROCURAR A LUZ DE DEUS.
___________________________________________________________


11-                     COM A PÁSCOA LEMBRAMOS ENTÃO QUE JESUS É O SALVADOR DO MUNDO PORQUE VEIO ENSINAR OS HOMENS A PRATICAREM SOMENTE BOAS AÇÕES, A SE AMAREM COMO IRMÃOS, E A PERDOAREM-SE UNS AOS OUTROS, PORQUE SÓ ASSIM SERÃO FELIZES.
___________________________________________________________



12-                     VAMOS ENTÃO REZAR A ORAÇÃO QUE JESUS NOS ENSINOU: A ORAÇÃO DOMINICAL  “O PAI NOSSO”

·       SUGESTÃO DIDÁTICA: Imprimir e colorir cada figura da história, colá-las em papel mais firme como o papel cartão, cartolina ou outro. 
Numerá-las na sequência e utilizá-las como recurso visual na hora de contar a história. 
Posteriormente imprimir os quadros e distribuí-los aos alunos para que possam dar-lhes cor. 
Essas cenas foram coloridas com pincel atômico, destacando os detalhes principais e lápis de cor nos planos de fundo. O interessante é que as imagens brancas se destacaram bem envolvidas em todo o colorido das figuras. 
Outra boa dica, é colar na parte de trás, o trecho da história, que se refere a cada cena, dando opção de lê-la ao invés de contá-la e também como auxiliar a memória caso esqueça algum trecho. 
Em seguida, coloquei-as em saquinhos plásticos sem furos, vendidos nas papelarias, para melhor conservação, pois as crianças gostam de "ver" com as mãos. 
Bom trabalho!!!!




A PALAVRA MÁGICA
Numa floresta encantada _como em toda floresta_ viviam muitos animais. Mas estava acontecendo uma coisa muito ruim e que preocupava a todos: os bichinhos nem sempre eram gentis e educados uns com os outros. Havia bicho que nem dizia bom dia. Já acordava de mal com a vida! O sol estava lindo no céu, mas o sorriso não aparecia nas carinhas mal humoradas! Nada estava bom: reclamavam da cama, do café, da roupa, da comida, dos amigos, da professora...
reclamavam ...reclamavam... reclamavam...
A Dona Coruja, de olhos grandes, estava muito preocupada com essa situação e disse que isso não poderia continuar assim, porque até quem não era de reclamar estava reclamando. Parecia uma doença que ia contaminando todo mundo. De repente, havia bichinho brigando de um lado, outro chorando de outro lado, mais adiante, um com muita raiva... Assim, Dona Coruja resolveu reunir todos na clareira da Pedra Grande e fazer uma comunicação.
A sineta tocou da mão do Sr. Urubu, assistente da Dona Coruja e todos estavam a postos aguardando a grande comunicação a ser proferida. Dona Coruja, respeitada por todos por ser possuidora de grande sabedoria, se vestiu com uma capa preta, um chapéu quadradinho_ parecendo aqueles de formatura_ de peito erguido, se aproximou da grande pedra e se colocou em posição de discurso.
_Prezados companheiros, há uma grande onda de mal humor tomando conta de nossa floresta. Reclamamos de tudo e de todos. Não somos gentis com nossos irmãos e somos até maldosos às vezes. Batemos, xingamos, brigamos, respondemos mal, desrespeitamos os mais velhos e tantas outras coisas ruins. Portanto essa reunião é para colocarmos um fim nisso. Devemos ser gratos a Deus pelo que recebemos e olhar sempre para a frente, deixando o passado para trás. Sendo assim, proponho uma disputa entre os animais. Vou contar um segredo que guardo há muito tempo, para uma ocasião especial e acho que chegou a hora de revelá-lo.
Há muitos e muitos anos atrás, uma estrela caiu do céu e me disse uma palavra mágica que deveria ser pronunciada para o Grande Carvalho mais antigo da floresta. Se a palavra for dita corretamente, a árvore anciã nos dirá um segredo que salvará a todos nós. Mas a palavra tem que ser dita corretamente por um animal que possua boas qualidades dentro de seu coração.
Assim, amanhã, ao nascer do sol, aqueles animais que quiserem a missão, vão me procurar e veremos se irão conseguir. Todos os animais poderão se candidatar e vamos torcer para que algum deles consiga e nos salve!
Quando a reunião terminou a bicharada não falava em outra coisa. O Leão rugiu e falou: eu sou o rei da floresta e vou conseguir trazer a mensagem. E assim, no dia seguinte foi procurar a Dona Coruja e pedir a senha para falar ao Carvalho.
Dona Coruja, ao raiar o sol, já estava pronta esperando os candidatos. Chegou o Sr Leão, com a juba empertigada, todo garboso pronto para a missão. Dona Coruja então, disse a palavra mágica e lá se foi o Leão...
Dois dias depois, volta o Leão, cabisbaixo, sem nada conseguir. O Carvalho não atendeu o seu pedido porque a palavra não estava certa.
Se candidatou então, o Elefante, afinal, ele era mais forte. E fez da mesma forma. Dois dias se passaram e acontece tudo de novo. Como o Leão, o Elefante também não conseguiu. Assim todos os animais foram tentando e ninguém conseguia pronunciar a palavra corretamente.
Dona Coruja estava muito preocupada porque os animais mais fortes, valentes e espertos não estavam conseguindo...O que será da comunidade dos bichos? Será que terão que ficar assim reclamando de tudo para sempre?
Quando não havia mais nenhum candidato de peso, eis que surge a Dona Tartaruga e se candidata a ser a missionária. Oh! foi uma exclamação total seguida de risos ...kakakakakakakakaka _A Dona Tartaruga, com esta moleza toda é que não vai conseguir mesmo!!!!!kakakakakakaka _ disse o galo. E ninguém acreditava na Dona Tartaruga.
Logo a Dona Coruja, em sua sabedoria, ralhou com todos e disse que todos de boa-vontade, eram bem-vindos!!!! E revelou a palavra para a candidata: _A palavra é: FRUTAPEPETROPAPATRAPOPAPOPÉ. E lá se foi a Dona Tartaruga que demorará quatro dias, ao invés de dois, pois ela era bem mais lenta. E demorou...demorou...demorou...demorou... Eis que chega o dia da volta da Dona Tartaruga. Os bichos estavam reunidos na clareira à espera da chegada e com uma porção de dúvidas: _Será que ela vai conseguir????? Será que trará a mensagem salvadora??????
Than...tham...than...than...Eis que surge, de dentro de uma folhagem, a Dona Tartaruga, exausta, mas cantando...FRUTAPEPETROPAPATRAPOPAPOPÉ...e em sua mão um cartaz com o mandamento salvador:
AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMOFazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem.
Assim,a partir desse dia, todos começaram a si tratar bem. Quem queria ser respeitado, respeitava o outro. Quem queria ser bem tratado, tratava bem ao outro...simples assim...e o mal humor, foi passando, o coração foi ficando leve, sem raiva, sem ódio, sem mágoa...só com boa vontade!!!!
E quem se achava pequeno, fraquinho, incapaz de grandes feitos, viu, graças à tartaruga, que era capaz de grandes realizações.
(Esta história foi adaptada por mim, a partir de uma apresentação da Bia Bedran, na tv, há muito tempo atrás. Magda kokke)





História de Alibe, o Persa



O Xá Abas, rei da Pérsia, durante uma viagem, distanciou-se de todo o seu séquito a fim de passar pelo campo sem ser reconhecido e para aí apreciar o povo em toda a sua liberdade natural; levou consigo apenas um de seus cortesãos. “Não conheço absolutamente, disse-lhe o soberano, os verdadeiros costumes dos homens; tudo o que de nós se aproxima está disfarçado. É a arte, e não a simples natureza, que se nos apresenta. Quero estudar a vida rústica e ver essa espécie de homens que é tão desprezada, embora sejam o verdadeiro sustentáculo de toda sociedade humana. Estou enfadado de ver palacianos que me observam para me surpreender com lisonjas; preciso ver agricultores e pastores que não me conheçam”.
 
Passou ele, com seu confidente, por muitas aldeias onde havia danças e maravilhava-se ao encontrar, longe dos palácios, prazeres tranquilos e nada dispendiosos. Fez uma refeição numa cabana e, como estivesse com muita fome, após haver andado mais que de costume, os simples alimentos que aí encontrou souberam-lhe melhor que todas as finas iguarias de sua mesa. Ao passar numa campina matizada de flores, marginada por límpido regato, avistou um pastorzinho que tocava flauta à sombra de um grande olmo, junto a seus carneiros; aproximou-se dele, observou-o, achou-lhe uma fisionomia agradável, um ar simples e ingênuo, mas nobre e gracioso.
 
Os trapos que o pastor vestia em nada empanavam o brilho de sua beleza. O rei julgou, a principio, que fosse alguém de nascimento ilustre que se houvesse disfarçado, mas soube pelo pastor que seu pai e sua mãe habitavam uma aldeia próxima e que seu nome era Alibe.
 
A medida que o soberano o interrogava, ia apreciando nele um espírito firme e sensato. Seus olhos eram vivos e nada possuíam de violento ou selvagem; a voz era doce, insinuante e própria para sensibilizar. 0 rosto nada possuía de rústico, mas sua beleza não era uma beleza indolente, afeminada. 0 pastor, de dezesseis anos aproximadamente, não sabia que era assim como os outros o viam; julgava pensar, falar, ser, enfim, como todos os outros pastores de sua aldeia; mas, sem educação, aprendera tudo que a razão ensina àqueles que a ouvem. 0 soberano, depois de conversar com ele familiarmente, sentiu-se encantado; foi por ele informado das condições dos povos, de tudo que os reis nunca vêm a saber da multidão de bajuladores que os rodeia. De vez em quando se ria da ingenuidade daquela criança que se expressava com absoluta liberdade; era uma grande novidade para o rei ouvir alguém falar tão espontaneamente. Fez sinal ao cortesão que o acompanhava para não dizer quem ele era; porque temia que Alibe perdesse num instante toda a sua naturalidade e seu encanto, caso soubesse com quem falava.
 

“Bem vejo, dizia o príncipe ao cortesão, que a natureza não é menos bela nas condições mais humildes que nas mais eminentes. Jamais filho algum de rei me pareceu melhor nascido que este guardador de carneiros; sentir-me-ia muito feliz em ter um filho tão belo, tão sensato, tão amável. Parece-me apto para tudo e, caso se tenha o cuidado de instruí-lo, certamente será, algum dia um grande homem; quero que seja educado junto a mim.”
 
O rei levou Alibe, que muito surpreso ficou quando soube a quem havia agradado. Ensinaram-lhe a ler, a escrever, a cantar e deram-lhe depois professores das artes e ciências que adornam o espírito. A princípio ficou um tanto maravilhado com a corte, e a grande modificação do seu destino lhe afetou um tanto o coração. Sua idade e a valia de que desfrutava, reunidas, alteraram um pouco sua sabedoria e sua moderação; ao invés do seu cajado, da sua flauta e do seu traje de pastor, vestiu um traje de púrpura bordado a ouro com um turbante coberto de pedrarias. Sua beleza superou tudo que a corte possuía de mais agradável; ele se tornou apto para os negócios mais sérios e mereceu a confiança de seu senhor que, conhecendo o gosto requintado de Alibe por todas as magnificências de um palácio, acabou dando-lhe um cargo muito importante na Pérsia, qual seja o de guardar tudo que o príncipe possui em pedrarias e em alfaias de valor.
 
Durante toda a vida do grande xá Abas, a valia de Alibe não cessou de aumentar. A medida que ele ia alcançando idade mais madura, mais se lembrava de sua condição antiga e muitas vezes dela sentia saudade: ‘Ó belos dias, dizia consigo, dias inocentes, dias em que desfrutei uma alegria pura e sem perigo, dias depois dos quais outros não tive tão aprazíveis, será que não vos tornarei a ver? Aquele que de vós me privou, ao me dar tantas riquezas, privou-me de tudo.” Quis rever sua aldeia; comoveu-se em todos os lugares onde outrora dançara, cantara, tocara flauta com seus companheiros. Fez algum bem a todos os seus parentes e amigos; mas almejou-lhes como principal felicidade, que jamais deixassem a vida campestre e nunca experimentassem as desditas da corte.
 
Tais desditas ele as sentiu, após a morte do seu bom senhor o xá Abas. A este sucedeu o filho, xá Sefi. Cortesãos invejosos e dominados pela ambição acharam meios e modos de preveni-lo contra Alibe: “Ele abusou, diziam, da confiança do falecido rei; acumulou tesouros imensos e desviou muitas coisas de altíssimo valor, das quais era o depositário.” 0 xá Sefi era jovem e príncipe; tanto não era necessário para ser crédulo, desatento e incauto. Teve a vaidade de querer parecer reformar aquilo que o rei seu pai fizera, e julgar melhor que ele. A fim de ter um pretexto de destituir Alibe de seu cargo, pediu-lhe, a conselho de seus cortesãos invejosos, que lhe levasse uma cimitarra guarnecida de diamantes, de imenso valor, que o rei seu avô costumava cingir nos combates. 0 xá Abas mandara outrora tirar dessa cimitarra todos os seus belos diamantes e Alibe provou, com boas testemunhas, que tal coisa fora feita por ordem do falecido rei, antes de lhe ser dado o cargo.
 
Quando os inimigos de Alibe viram que não mais podiam servir-se desse pretexto para perdê-lo, aconselharam ao xá Sefi que lhe pedisse para fazer, dentro de quinze dias, um inventário rigoroso de todas as alfaias preciosas, cuja guarda lhe incumbia. Ao cabo de quinze dias, pediu para ver pessoalmente todas as coisas. Alibe abriu-lhe todas as portas e mostrou-lhe tudo que ele guardava. Nada faltava: tudo estava limpo, bem arrumado e conservado com muito zelo. 0 rei, muito surpreso de encontrar por toda parte tanta ordem e cuidado, quase modificara sua disposição a favor de Alibe, quando avistou, na extremidade de uma grande galeria cheia de esplêndidas alfaias; uma porta de ferro, com três enormes fechaduras. “‘É aí, disseram-lhe ao ouvido os cortesãos invejosos, que Alibe escondeu todas as coisas preciosas que desviou. “Logo o rei gritou encolerizado: “Que guardou aí? Mostre-mo!”
 
A essas palavras Alibe atirou-se a seus pés, suplicando-lhe, em nome de Deus, que não lhe tirasse o que ele possuía de mais precioso sobre a terra: Não é justo que eu perca num momento o que me resta e que representa meu derradeiro recurso, após haver trabalhado tantos anos junto ao rei seu pai. Tirai, se quiserdes, o restante, mas deixai-me isso.”
 
0 rei não teve a menor dúvida de que se tratava de um tesouro mal adquirido que Alibe reunira; falou em tom mais alto e fez absoluta questão de que lhe abrissem a portar. Afinal, Alibe, que estava com a chave, abriu-a pessoalmente. Depararam apenas com o cajado, a flauta e o traje de pastor que Alibe possuíra outrora, e que muitas vezes revia com júbilo, receoso de esquecer sua primitiva condição: “Eis, disse, ó grande rei, os preciosos restos de minha antiga felicidade; nem a fortuna, nem vosso poder, puderam privar-me deles; eis meu tesouro que conservo para me enriquecer, quando me tiverdes tornado pobre. Retomai tudo o mais, deixai-me estas queridas lembranças de meu primeiro estado; ei-los, meus verdadeiros bens, que jamais me faltarão. Ei-los, estes bens singelos, inocentes, sempre caros àqueles que sabem contentar-se com o necessário, porque não se atormentam absolutamente com o supérfluo; ei-los, estes bens que nunca me causaram um instante de dificuldade; ó queridos instrumentos de uma vida simples e feliz! Só a vós amo, convosco é que desejo viver e morrer. Porque foi preciso que outros bens enganadores me viessem iludir e perturbar minha vida? Eu vo-las restituo, grande rei, todas as riquezas que me vierem de vossa liberalidade; conservo apenas as que possuía quando o rei vosso pai, veio, com suas mercês, tornar-me infortunado.”
 
0 rei, ao ouvir essas palavras, compreendeu a inocência de Alibe e indignando-se com os cortesãos que o quiseram perder, expulsou-os. Alibe tornou-se o seu principal auxiliar e foi incumbido dos negócios mais reservados. Mas todos os dias tornava a ver seu cajado, sua flauta e seu antigo traje, que conservava sempre prontos em seu tesouro, a fim de retomá-los, mal o destino inconstante perturbasse a sua situação. Morreu, na extrema velhice, sem nunca ter querido, nem mandado punir seus inimigos, nem reunir fortuna alguma, deixando apenas a seus parentes o com que viverem na condição de pastor, que lhe pareceu sempre a mais segura e a mais feliz.
Parábola francesa escrita por Fénelon





O Brâmane, o Tigre e o Chacal

Conto Indiano


Era uma vez um sacerdote brâmane que vivia na Índia. Era bom de coração, pois não suportava ver ninguém sofrendo: homem ou animal. Era estimado por todos. Andava por seu país com o objetivo de ajudar a quem precisava. Certo dia passou por uma região e viu um enorme tigre preso sobre uma arvore frondosa. Por ser feroz estava em uma jaula resistente e muito bem fechada. Só quem estivesse do lado de fora poderia abri-la.
_Irmão Brâmane! Irmão!
O sacerdote parou, olhou para os lados e logo viu que o som vinha das proximidades da jaula do tigre. Era uma voz triste e queixosa.
_Tenha piedade irmão! Piedade! Não deixe que eu fique preso nesta horrível jaula. Tenho muita sede e fome. Abra para que eu possa saciar minha sede. Aqui dentro está uma verdadeira fornalha. Tenha piedade de mim Irmão Brâmane!
O brâmane que sabia da ferocidade de um tigre lhe disse: - Ah! Irmão tigre! Você está preso porque é feroz e deseja matar as pessoas. E além do mais, saindo daí irá me comer, não é?
_Eu não faria isso com você irmão brâmane! Não seria tão ingrato! Tenha piedade de um ser vivo que está morrendo de sede.
         O brâmane, sentindo muita pena do pobre tigre abriu a porta da jaula. E foi neste exato momento que o tigre, de um salto só pulou sobre ele dizendo: - A água fica para depois. Agora vou comê-lo todinho.
O brâmane gritou com o tigre lembrando-o do trato feito.
_Eu não cumpro tratos. Estou faminto e vou comê-lo agora! E além do mais a minha natureza é esta: comer quando tenho fome!
E foi neste instante que o sacerdote brâmane se lembrou de consultar outros seres que pudessem dar sua opinião e que estavam ali por perto. O tigre, sem alternativa, concordou, mas foi dizendo que se todos concordassem, ele o comeria.
O tigre e o brâmane se dirigiram a uma figueira e perguntaram:
_Ó figueira! Precisamos de sua opinião. Este tigre estava enjaulado. Tinha muita sede e pediu-me que abrisse a portinhola da jaula para que ele saísse para tomar água. Prometeu que não me comeria. Mas agora...a história é outra. Você acha correto?
A figueira paralisou o movimento de seus galhos e tristemente falou:
_O homem sempre usa a minha sombra para fugir ao calor do sol, mas espalha as minhas folhas e pega meus frutos. Não cria laços. É ingrato. Minha opinião é que o tigre deve comê-lo sim!
O tigre muito alegre se dirigiu ao brâmane para comê-lo ali mesmo. O brâmane, entretanto, lembro-o que outros seres seriam consultados. Encontraram-se com um camelo.
_Irmão Camelo! Irmão Camelo, - disse o Brâmane,  gostaria de ter sua opinião!
Contou a mesma história ao camelo.
_Ah! - disse o camelo - quando eu era jovem e trabalhava sem parar o meu amo me dava alimento e abrigo. Agora sou velho, não tenho mais a mesma energia. E ele continua a colocar cargas as mais pesadas sobre o meu pobre lombo, me bate e me deixa com fome!  O tigre deve comê-lo!
E o Brâmane mais uma vez lembrou-o do trato que haviam feito. Consultaria outros seres. Bem próximo encontraram um boi velho. Estava desanimado, deitado ao longo da estrada. O sacerdote brâmane se dirigiu a ele e perguntou contando-lhe toda a história.
O boi ouviu pacientemente a narração e disse:
_Quando era jovem meu amo me alimentava, abrigava e eu era muito considerado. Mas agora sou velho e ele se esqueceu do que fiz por ele. Estou nesta estrada esperando a morte! Estou com o tigre. O brâmane deve ser devorado!
Mais adiante encontraram uma grande águia.
_Irmã Águia! Irmã Águia! Venha dar sua opinião! É sobre coisa séria.
A águia ouviu a história do brâmane e disse que os homens nem sempre foram leiais com ela, pois ao vê-la desejam capturá-la ou mesmo matá-la. Seus ninhos, nos altos dos rochedos são sempre violados. Roubam seus ovos e filhotes. Os homens são extremamente impiedosos. Sua opinião era de que o tigre deva comer o brâmane.
O tigre sabia que teria uma bela refeição. Sentiu que ali os animais tinham mágoa do homem. Restavam somente mais duas opiniões. Continuaram a caminhar até ás margens de um rio e encontraram um velho jacaré que estava se beneficiando com os raios quentes do sol. O brâmane contou-lhe novamente a história. A resposta dele mostrou que também tinha lá suas mágoas. - Não tenho sossego. Nunca matei homem algum, mas se coloco meu focinho para fora da água logo vem um humano querendo me machucar ou mesmo matar. Os homens não dão trégua. O tigre deve matar o brâmane.
O brâmane ainda lembrou ao tigre faminto que ainda restava uma última opinião. E continuaram a caminhar. Encontraram o chacal que andava por ali. O brâmane fez a mesma pergunta e o chacal foi logo perguntando:
_Jaula? Que jaula? Não estou entendendo o que falam. Onde estava esta jaula, que tipo era? Grande? Pequena?
O brâmane contou toda a história desde o momento em que vira o tigre e lhe perguntou se achava justa esta atitude do tigre. - Meus amigos! Não posso dar nenhuma opinião se não conhecer bem o local onde tudo aconteceu. Preciso ver a jaula, como estava, como você chegou ao local e muitos outros detalhes. Vamos até lá.
E os três: o brâmane, o tigre e o chacal se dirigiram até a entrada da cidade para ver como tudo havia começado.
_A jaula é esta mesma, - perguntou o chacal?
_Sim, - responderam o tigre e o brâmane.
_E onde estava o amigo tigre? E onde estava você brâmane?
_Eu estava dentro da jaula? Quer ver? - E num salto rápido o tigre entrou novamente na jaula. O brâmane se colocou próximo dizendo que estava naquele mesmo pedaço de chão.
O chacal continuou suas indagações:
_ E você tigre porque não saiu sozinho? A porta estava aberta ou fechada? Ah, estava fechada e com o seu ferrolho torcido. - Fez com que o brâmane torcesse o ferrolho da jaula, estando o tigre lá dentro.
E assim o chacal resolveu a questão dizendo:
_ Você tigre deverá aprender a não ser malvado e ingrato. Como pode ter pensado em matar alguém que foi tão misericordioso com você? Agora fique aí dentro da jaula.
E o chacal continuou seu caminho, o brâmane alegre com a esperteza do chacal seguiu para outro lado e o tigre ficou onde estava – preso!





A GUARDADORA DE GANSOS
Irmãos Grimm
Num reino muito distante vivia uma rainha viúva com a sua única filha, uma moça linda de maravilhosos cabelos dourados. Quando ela atingiu a maioridade, a rainha consentiu o seu noivado com o príncipe de uma terra distante, para que ambos os reinos se unissem, mesmo que a princesa e o príncipe nunca se tivessem visto.
A princesa partiu então para o reino do seu noivo com um suntuoso enxoval, rico em jóias e ouro, e com uma das damas de companhia de sua mãe. Ambas viajavam a cavalo. O cavalo da princesa chamava-se Falada porque sabia falar, mas só ela sabia disto.
Tinham passado algumas horas quando a princesa sentiu sede. Pediu que a dama de companhia lhe trouxesse um pouco de água. No entanto, a dama replicou que fosse ela mesma buscar água. A princesa nada disse, mas ao debruçar-se num riacho ali perto, suspirou de tristeza. Quando voltou para o seu cavalo, este lhe disse "Se a sua mãe tivesse visto isto, o seu coração teria se partido."
Assim que a princesa regressou, a dama a obrigou a trocar de cavalo e de roupas com ela, para que ela pudesse casar com o príncipe. Ainda ameaçou matar a princesa se contasse o que aconteceu. Esta concordou e nada mais disse durante toda a viagem. O único que se mantinha atento era Falada.
Ao chegarem ao reino, todos acreditaram que a dama era a princesa. A verdadeira princesa foi deixada no pátio e a dama foi levada para dentro do palácio. Assim que viu o rei, pediu-lhe que matasse o cavalo, dizendo que estava cheia de dores por sua culpa. Pediu também para que encarregassem a dama que a acompanhava de um trabalho qualquer.
O rei mandou matar o cavalo e a princesa virou uma guardadora de gansos. Ao saber que Falada tinha sido morto, a princesa pediu ao açougueiro a cabeça do cavalo. Como este homem gostava da moça, ele pendurou a cabeça do cavalo numa das portas da cidade, por onde a princesa costumava passar sempre que ia guardar os gansos junto com um rapazinho.
Ao passar pela porta, ela e Falada cumprimentavam-se, e ela ouvia sempre "Se a sua mãe tivesse visto isto, o seu coração teria se partido ". Ao chegarem ao campo o menino se aproximava da princesa e tentava roubar algum cabelo dourado. Mas a princesa encantava o vento, que fazia voar para longe o chapéu do menino. Assim ela penteava seus cabelos em paz e o rapaz só voltava quando ela já tinha terminado.
Um dia, o rapazinho foi até o rei e pediu para arranjar outra pessoa para guardar os gansos com ele porque aconteciam coisas muito estranhas sempre que ele ia para o campo com a guardadora de gansos. Ao ouvir o relato, o rei resolveu acompanhá-los e viu tudo que acontecia com os seus próprios olhos.
Foi até a casinha onde morava a princesa para perguntar porque ela se comportava assim. A princesa baixou os olhos, dizendo que não podia de forma alguma contar, tinha feito um juramento. O rei aconselhou-a a confiar a verdade ao forno e foi esconder-se do lado de fora para ouvir tudo sem ser visto. A princesa começou a chorar e contou toda a sua triste história ao forno. Imediatamente o rei levou a princesa ao palácio e explicou ao filho o que tinha acontecido. O príncipe se alegrou muito, porque não gostava de sua noiva.
Nessa noite, a princesa jantou na mesa da família real, vestida como a princesa que era. O rei contou a história toda, e perguntou a todos qual castigo deveria ser atribuído à dama. Esta, que não tinha reconhecido nem a princesa nem a história, sugeriu colocar a pessoa num barril com facas e fazê-lo rolar por todas as ruas da cidade. O rei anunciou que a sentencia seria cumprida. E o príncipe e a verdadeira princesa puderam se casar.



Nenhum comentário:

Postar um comentário