quarta-feira, 8 de abril de 2015

ANGÚSTIA DA PERFEIÇÃO


Alma querida nos ideais renovadores é natural que sofra inquietação por nutrir objetivos transformadores.
Ante a penúria de seus valores, você se declara sem mérito para receber a ajuda Divina. Perante a extensão de suas falhas, açoita a consciência com lancinante sentimento de hipocrisia ao repetir os mesmos desvios, os quais já gostaria de não se permitir. Essa é a estrada da perfeição, não se martirize.
Tudo isso é compreensível, parte integrante de quantos se candidatam aos serviços reeducativos de si mesmos, portanto, não seja demasiadamente severo consigo mesmo.
Sem lástima se censura, perdoe-se e prossiga sempre.
Confie e trabalhe cada vez mais.
Por mais causticantes as reações  íntimas nos refolhos conscienciais, guarde-se na oração e na confiança e enriqueça sua fé nas pequenas vitórias.
A angústia da melhora é impulso para a promoção. O remédio salutar para amenizá-la é a aceitação incondicional de si mesmo.
Aceitando-se humildemente como é e fazendo o melhor que possa, você se vitalizará com mais fortes apelos interiores para a continuidade do projeto de melhoria e corrigenda. Por outro lado, se você se pune estará assinando um decreto de desamor a si mesmo.
Afeiçoe-se com devotamento e sensatez aos exercícios que são delegados por tarefas renovadoras do bem, aprimorando-se em regime de vigilância e paciência.
Sem alimentar fantasias de saltos evolutivos, dê um passo atrás do outro.
Sem ansiar pela grandeza das estrelas, ame-se na condição de singelo pirilampo que se esforça por fazer luz na noite escura.
Faça as pazes com suas imperfeições. Descubra suas qualidades, acredite nelas e coloque-as a serviço de suas metas de crescimento, essa é a fórmula da verdadeira transformação.
O tempo concederá valor e experiência a seus esforços, ajustando seus propósitos aos limites de suas possibilidades, libertando-te da angústia que provém dos excessos.
Caminhe um dia após o outro na certeza de que Deus o espera sempre com irrestrito respeito por suas mazelas, guardando o único direito de um Pai zeloso e bom, que é a esperança de que amanhã você seja melhor que hoje, para sua própria felicidade.
Ermance Dufaux
do livro Reforma Íntima sem Martírio.

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