domingo, 15 de setembro de 2013

A BORBOLETA

                                    
 Olavo Bilac
Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda! é toda preta,
Com listas douradas na asa.

Tonta, nas mãos da criança,
Batendo as asas, num susto,
Quer fugir, porfia, cansa,
E treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:
"É a primeira que apanho,
Mamãe! vê como é bonita!
Que cores e que tamanho!"

"Como voava no mato!
Vou sem demora pregá-la
Por baixo do meu retrato,
Numa parede da sala".

Mas a mamãe, com carinho,
Lhe diz: "Que mal te fazia,
Meu filho, esse animalzinho,
Que livre e alegre vivia?"

"Solta essa pobre coitada!
Larga-lhe as asas, Alfredo!
Vê como treme assustada . ..
Vê como treme de medo . . . "

"Para sem pena espetá-la
Numa parede, menino,
É necessário matá-la:
Queres ser um assassino?"

Pensa Alfredo . . . E, de repente,
Solta a borboleta . . .
E ela Abre as asas livremente,
E foge pela janela.

"Assim, meu filho! perdeste
A borboleta dourada,
Porém na estima cresceste
De tua mãe adorada . . . "

"Que cada um cumpra sua sorte
Das mãos de Deus recebida:
Pois só pode dar a Morte

Aquele que dá a Vida!"

TRABALHO REALIZADO POR CRIANÇAS, A PARTIR DA POESIA:





Nenhum comentário:

Postar um comentário