sexta-feira, 14 de junho de 2013

AUTODISCIPLINA



Qual a forma mais correta de favorecer as crianças, que estão sob nossa responsabilidade, no processo de adquisição da autodisciplina?
Sabemos que quando são muito novas, experimentam a anomia, ou seja, a ausência de regras como um processo interno. De um ano e meio a dois anos aproximadamente.
Quando estão de três a seis anos, ainda não conseguem compreender as normas e as seguem, ou porque vão ficar de castigo ou para agradar os mais velhos. É o que chamamos de heteronomia, ou seja, as regras estão fora delas.
O processo da compreensão das normas e combinados, começam a fazer sentido a partir dos sete anos. É o caminho para a autonomia.
Mas, para que tudo isso aconteça, é preciso trabalhar essas crianças, sempre buscando a compreensão dos motivos, das necessidades de se cumprir as normas.
Relacioná-las às consequências. É importante também ter clareza no comportamento que se quer alcançar com as crianças e que elas saibam qual é, também. O diálogo deve permear todo o processo, mesmo quando achamos que a criança não compreende o que se quer. 
Como não fomos criados com diálogo e para ele, é preciso esforço e treinamento de nossa parte, pais ou educadores. E é um exercício difícil, que exige planejamento (qual objetivo a ser alcançado, que caminho seguir para alcançá-lo, qual ou quais estratégias utilizar...); posicionamento filosófico (que tipo de pessoa desejo formar: reflexiva, repetitiva, autônoma, dependente?), porque à frente de toda atitude nossa, deve haver um motivo mais profundo e norteador dessas ações. Qual estratégia a ser utilizada com aquelas determinadas crianças, já que nem todas funcionam para todos. De que maneira manter a motivação dos envolvidos para que as estratégias continuem funcionando. E as sansões e benefícios, quais devem ser, lembrando que devem estar diretamente relacionados à situação. Um exemplo negativo: brigou, então não vai ganhar presente de natal, estando em julho ainda. Essa distância temporal não é compreendida pela criança, causa sofrimento por muito tempo e não atinge o objetivo. É preferível, no caso, pedir desculpas a quem brigou, cuidar por alguns minutos daquela pessoa que foi o parceiro da briga, ainda cuidar dos machucados caso tenham ocorrido e a promessa de não brigar mais. Se reincidente, ficar isolado por algum tempo (minutos, de acordo com a idade), já que não sabe conviver (argumento a ser apresentado e provavelmente já combinado anteriormente).
Como vêm, é mais complexo que apenas fazer obedecer à força com listas de regras e castigos. Todo cuidado é importante nessa época porque estamos formando pessoas (pequenas ainda) e a base é construída agora na infância. A noção de justiça, do que é certo e errado é apreendido nessa época. 
Para Piaget (1992), é na relação de simpatia, de respeito mútuo, que acontece um novo sentimento de obrigação, aquele que consegue praticar a empatia, se colocar no lugar do outro e tratá-lo como ele gostaria de ser tratado.

Costumamos apenas repetir o que fizeram conosco, na família, na escola e em outras aprendizagens sistemáticas ou assistemáticas. Então, o desafio é grande. Ao mesmo tempo que ensinamos, aprendemos e trabalhamos nossas dificuldades.
Uma dose extra de paciência, de compreensão do outro, da fase da vida que que a criança está passando, é fundamental, pois cada época é portadora de um tipo de pensamento e de uma forma de aprender.
Recomendo a leitura de Piaget: A Construção da Autonomia Moral pelas Crianças.
Uma forma interessante de trabalhar regras, é através de jogos. O adulto jogando com a criança ou acompanhando o jogo entre elas. Como é uma forma lúdica, com menos tensão, aprende-se a jogar seguindo as regras e essa aprendizagem se transfere aos poucos para outras situações cotidianas, como uma atitude permanente para a vida.
Magda Kokke


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