domingo, 25 de novembro de 2012

1- RENÚNCIA




RENÚNCIA
Reunião de 11 de março de 1954.
De posse da gravadora, o “Grupo Meimei” iniciou o registro de instruções dos Amigos
Espirituais, por intermédio da mediunidade psicofônica de Francisco Cândido Xavier, começando
semelhante tarefa na noite de 11 de março de 1954.
Terminado o serviço de esclarecimento e socorro aos irmãos transviados no sofrimento e na
sombra, que compareceram em grande número através de vários médiuns da casa, o venerável
benfeitor Adolfo Bezerra de Menezes incorporou-se, pronunciando a alocução que se segue, alusiva à
renúncia, como base de felicidade e paz, dirigindo-se não apenas aos companheiros encarnados,
mas, de modo particular, à compacta assembléia de Espíritos conturbados que se comprimiam em
expectação no recinto.
Meus amigos:
Rendamos graças ao Nosso Pai Celestial, guardando boa-vontade para com os homens, nossos
irmãos.
Como de outras vezes, achamo-nos juntos no santuário da prece...
Nossa visita, contudo, não tem outro objetivo senão colaborar na renovação íntima que nos é
indispensável, a fim de que não estejamos malbaratando os recursos da fé e os favores do tempo.
Volvendo a vós outros, endereçamos igualmente a nossa mensagem a todos os companheiros
que nos escutam fora da carne, órfãos de luz, ao encalço da própria transformação com o Divino
Mestre, porque somente em Cristo é possível traçar o verdadeiro caminho da redenção.
Aprendamos a ceder, recolhendo com Jesus a lição da renúncia, como ciência divina da paz.
Constantemente nossa palavra se reporta à caridade e admitimos que caridade seja apenas
alijar o supérfluo de valores materiais da nossa vida.
Entretanto, a caridade maior será sempre a da própria renunciação, que saiba ceder de si
mesma para que a liberdade, a alegria, a confiança, o otimismo e a fé no próximo não sofram
prejuízo de qualquer procedência.
Como exercício incessante de autoburilamento, é imperioso ceder diariamente de nossas
opiniões, de nossos pontos de vista, de nossos preconceitos e de nossos hábitos, se pretendemos
realmente assimilar com Jesus a nossa reforma no Evangelho.
Toda a Natureza é escola nesse sentido.
Cedendo de si própria, converte-se a madeira bruta em móvel de alto preço.
Abdicando os prazeres da mocidade, o homem e a mulher alcançam do Senhor a graça do lar,
em favor dos filhinhos que lhes conduzirão a mensagem de amor e confiança ao futuro.
Consumindo as próprias forças, o Sol mantém a Terra e nos sustenta a vida com seus raios.
Meditai a realidade (1), principalmente vós outros que já vos desenfaixastes do envoltório
físico! Cultivemos a renúncia aos haveres e afetos da retaguarda humana, para que a morte se nos
revele por vida imperecível, descortinando-nos nova luz!...
Todos os dias, volta o esplendor solar à experiência do homem, concitando-o a aperfeiçoar-se,
por dentro, pelo olvido de velhos fardos das impressões negativas, que tantas vezes se nos
cristalizam na mente, escravizando-nos à ilusão...
E porque vivemos desprevenidos, gastando a esmo as oportunidades de serviço, obtidas no
mundo, com o corpo denso, somos colhidos pela transição do túmulo, como pássaros engaiolados na
grade do próprio pensamento.
É necessário esquecer para reviver.
É imprescindível o desapego de todas as posses precárias da estação carnal de luta, para que
o incêndio das paixões não nos arraste às calamidades do espírito, pelas quais se nos paralisa o
anseio de progresso, em seculares reparações!...
Não há liberação da consciência, quando a consciência não se liberta.
Não há cura para as nossas doenças da alma, quando nossa alma não se rende ao impositivo
de recuperar a si mesma!...
Saibamos, assim, exercer a doce caridade de compreender as criaturas que nos cercam. Não
somente entendê-las, mas também ampará-las pelo desprendimento de nossos desejos, percebendo
que o bem do próximo, antes de tudo, é o nosso próprio bem.
Recordemos que as Leis do Senhor se manifestam, em voz gritante, nas trombetas do tempo,
conferindo a cada coisa a sua função e a cada espírito o lugar que lhe é próprio.
Desse modo, não nos adiantemos aos Celestes Desígnios, mas aprendamos a ceder, na
convicção de que a justiça é sempre a harmonia perfeita.
Atentos ao culto do sacrifício pessoal sob as normas do Cristo, peçamos a Ele coragem de usar
o silêncio e a bondade, a paciência e o perdão incondicional, no trabalho regenerador de nós
mesmos, de vez que não podemos dispensar a energia e a firmeza para nos afeiçoarmos a
semelhantes virtudes que, em tantas ocasiões, repontam entusiásticas de nossa boca, quando o
nosso coração se encontra longe delas.
Irradiemos os recursos do amor, através de quantos nos cruzem a senda, para que a nossa
atitude se converta em testemunho do Cristo, distribuindo com os outros consolação e esperança,
serenidade e fé.
Imitemos a semente humilde a desfazer-se no solo, aparentemente desamparada, aprendendo
com ela a desintegrar as teias pesadas e escuras que nos constringem a individualidade eterna, a fim
de que o nosso espírito desabroche no chão sagrado da vida, em novas expressões de entendimento
e trabalho.
Para isso, não desdenhemos ceder.
E supliquemos ao Eterno Benfeitor nos ajude a plasmar-lhe a Doutrina de Luz em nossas
próprias vidas, para que a nossa presença, onde quer que estejamos, seja sempre uma fonte de
reconforto e esperança, serviço e benevolência, exaltando para aqueles que nos rodeiam o
abençoado nome de Nosso Senhor Jesus-Cristo.
Bezerra de Menezes
(1) Neste tópico da mensagem, o Doutor Bezerra de Menezes dirigia-se, de modo particular, aos desencarnados
presentes. — Nota do organizador.

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