segunda-feira, 4 de junho de 2012

SENHOR! SENHOR DEUS!

Senhor! Senhor Deus!
Enquanto lá fora há violência e dor, aqui dentro há paz.
Enquanto uns blasfemam, outros se deblateraram (gritaram, berraram), eu quero dizer-te que amo a vida que, para mim, é bela e consentida.
Deixa-me falar-te da minha ufania (satisfação de mim próprio) , da minha alegria:
Muito obrigado, Senhor, pelo que me deste, pelo que me dás.
Muito obrigado pelo ar, pelo pão, pela paz
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos veem no altar da natureza. Olhos que fitam o céu e o mar. Que acompanham a ave ligeira, que corre fagueira pelo céu de anil e se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil.
Muito obrigado, Senhor, porque eu posso ver o meu amor. Mas diante da minha visão eu detecto os cegos que vivem na solidão, tropeçam na multidão, andam na escuridão. Por eles eu oro a Ti, eu imploro comiseração.
Muito obrigado, Senhor, pelos ouvidos meus que me foram dados por Ti. Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro e as lágrimas que choram os olhos do mundo inteiro. Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar e a melodia dos imortais que a gente ouve uma vez e de que não se esquece nunca mais.
Pela minha faculdade de ouvir, pelos surdos, eu Te quero pedir.
Obrigado pela minha voz, mas também pela voz que canta, que ama, que ensina, que alfabetiza, que ilumina, que enaltece uma canção e que Teu nome profere com sentida emoção.
Diante da minha melodia, eu Te quero rogar pelos que sofrem de afazia, os que não cantam de noite, os que não falam de dia. Obrigado pelas minhas mãos, mas também pelas mãos que aram, que semeiam, que agasalham. Mãos do amor, mãos de ternura, mãos que libertam da amargura, mãos dos adeuses, que limpam feridas, que enxugam suores e lágrimas da vida. Pelas mãos que apertam mãos. Mãos de sinfonias, de poesias, de cirurgias, de psicografias. Pelas mãos que atendem a velhice, o desamor, a dor, que embalam um filho alheio sem receio.
E pelos pés que me levam a andar sem reclamar, muito obrigado, Senhor, porque eu posso movimentar-me. Diante do meu corpo perfeito, eu Te quero louvar, porque eu vejo na Terra, aleijados, deformados, paralisados, impossibilitados e eu tenho o direito de andar.
Obrigado, por fim, pelo meu lar. É tão maravilhoso ter um lar! Não é importante se este lar é uma mansão, ou um apartamento duplex, se é um bangalô, ou um ninho, uma casa no caminho, numa favela ou seja lá onde for. Mas é importante, que dentro dele, exista a figura do amor de mãe, ou de pai, ou de mulher, ou de marido, de filho, ou de irmão, até mesmo de um amigo. Alguém que nos dê a mão, pelo menos a companhia de um cão, porque é muito triste viver na solidão.
Mas se eu a ninguém tiver para amar, nem um teto para me agasalhar, ou uma cama para repousar, nem aí blasfemarei. Pelo contrário: Te direi obrigado, Senhor! Porque eu nasci. Muito obrigado, porque eu creio em Ti. Pelo Teu amor, obrigado, Senhor! E por tudo isso, conseguimos hoje, estar aqui. E no encerramento deste encontro, obrigado Senhor por esta oportunidade. Com Ele, desejamos a todos um excelente retorno aos seus lares.
Obrigado, Senhor!
Nota: Desconheço o autor e nem sei como esta oração chegou às minhas mãos. Mas, sendo justa, como é, não pude privar ninguém de apreciá-la e de erguer o pensamento em agradecimento a Deus.

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