sábado, 30 de junho de 2012

O PASSADO

(Mensagem publicada pela Revista Reformador da FEB-Federação Espírita Brasileira, no dia 16 de agosto de 1925, assinada por Cândido Dantas, da Cidade de Natal, Rio Grande do Norte.)
A título de curiosidade, à época a Revista Reformador era quinzenal, tinha como Diretores: Luiz Barreto, Guillon Ribeiro, Carlos Imbassahy e A.Rosenburg.
Eia, sus! Imagem do Passado. E’s o arquivo dos povos e o mármore sob que jazem milhares de gerações, vindas de períodos longínquos, aonde As pesquisas da ciência talvez jamais atingirão.
Sobre a tua história assenta-se véu imperscrutável, que se estende pela noite dos tempos e vai além de tudo quanto pode conceber a imaginação.
Nas horas de tranquilidade e de repouso, busca o espírito essas éras remotíssimas, a que se prende por um mundo de fantasias e mesmo de recordações.
Como tudo se lhe afigura simples, como almeja ele a renovação de tempos idos, que não voltarão jamais!
O pensamento, retrocedendo-lhe com pasmosa rapidez, vai fixar-se em coisas e em lugares que, ou são puras quimeras, ou já de há muito se dissiparam com o perpassar do tempo.
São anos, primeiro, que se transpõem gradualmente, num recuar incessante; as imagens vão-se descolorindo e liquefazendo, por assim dizer, transpostas as barreiras do presente.
Depois...vêm os séculos: a alma voa então célere, em espaço desconhecido, cujas perspectivas a extasiam; não lhe tolda os horizontes a poeira dos tempos: caminha sempre, envolta nas recordações do passado, reconsiderando o presente, cuja realidade íntima então lhe escapa; e, à medida que a distância medeia entre ela e a atualidade, sente quanto ama às coisas idas e suspira pela retrogradação do tempo e pela volta ao passado, enfim.
As coisas primitivas, na sua rústica singeleza, têm-lhe encantos infláveis;
Os primeiros homens como que se imunizam das próprias faltas; por tudo: pela indômita natureza, ainda são lapidada com o cinzel da arte;
Pelos toscos instrumentos, que a inventiva começa a poucos e pouco a usar na luta pela vida; pelas agrestes solidões, em que se ocultam mistérios insondáveis, sente a alma encanto irresistível, que lhe faz aborrecer a complexidade do viver moderno.
E nessas recordações se compraz, nessas fantasias adormece, até voltar de novo à dura realidade.
Recordar é viver duas vezes.
Natal, 25 de fevereiro de 1925.

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