quarta-feira, 6 de junho de 2012

ALI BABÁ

Há muitos anos atrás, vivia numa cidade um homem chamado Ali Babá. Num dia de Inverno em que saíra para apanhar lenha, viu ao longe um grupo de cavaleiros que se detiveram diante de uma rocha enorme.
Ali Babá, protegido pelos ramos das árvores altas, conseguiu chegar junto do local onde eles se encontravam.
Apercebeu-se que se tratava de um bando de ladrões. O chefe, depois de ordenar aos seus homens o que deveriam fazer durante a noite, dirigiu-se para a rocha e exclamou solenemente:
- Abre-te Sésamo!
E a rocha abriu-se, deixando a descoberto uma gruta onde os bandidos depositaram os pesados fardos que carregavam. Depois, quarenta homens foram saindo da gruta.
- Fecha-te Sésamo! – exclamou o capitão.
E a enorme pedra voltou para a posição inicial. Ali Babá esfregava os olhos, incrédulo. E, quando os ladrões se afastaram, repetiu as palavras mágicas:
- Abre-te Sésamo!
Prata, ouro, pedras preciosas, tapeçarias, grandes cofres cheios de moedas... Ali Babá estava doido por ver toda aquela riqueza. Uma vez refeito, carregou os alforjes do seu burro com ouro, correu para casa e contou a aventura à esposa.
E esta contou à prima, que era casada com o irmão mais novo de Ali. O irmão de Ali era um comerciante muito rico e muito ambicioso e mal soube do que se passara, correu para a gruta para se apoderar das riquezas. Mas a sua memória era péssima e, uma vez lá dentro, não se lembrou das palavras mágicas.
Quando os bandidos chegaram, degolaram-no sem piedade.
Ao ver que o comerciante não regressava, a esposa não teve outro remédio senão contar tudo a Ali Babá. Este, com mil precauções, voltou à misteriosa gruta, recolheu o cadáver do irmão e, ao escurecer, levou-o para sua casa.
Ali e os seus familiares passaram a noite a pensar numa forma de fazer crer na cidade que o rico comerciante tinha morrido de morte natural: os bandidos não podiam saber, em circunstância alguma, que a família conhecia o segredo da gruta.
Finalmente a criada de Ali, que era muito astuta, trouxe do outro lado da cidade um sapateiro, com os olhos vendados, e este coseu as feridas do cadáver.
Quando os ladrões viram que o cadáver tinha desaparecido, temeram pelas suas riquezas. No dia seguinte, puseram-se a percorrer a cidade. Ao fim de três dias, um deles encontrou o sapateiro e, a troco de algumas moedas de ouro, convenceu-o.
Com os olhos vendados, o sapateiro tratou de encontrar o caminho. Chegaram a uma ladeira inclinada e ele indicou a porta por onde tinha entrado.
Louco de contentamento, o ladrão fez uma cruz na porta de Ali Babá e correu a dar a notícia. Mas a astuta criada, que assistira a tudo, fez o mesmo sinal em todas as portas do bairro.
O sapateiro voltou a percorrer a cidade e novamente a criada conseguiu enganá-los. Mas, à terceira vez, o capitão acompanhou o sapateiro e fixou bem a casa.
No dia seguinte, uma fila de vinte mulas, cada uma delas carregada com dois potes enormes, parou diante da casa de Ali Babá.
- Sou um comerciante de azeite – disse o que conduzia a fila, que era o chefe do bando. Passei a noite acordado e procuro um sítio para dormir.
Ali Babá acolheu de bom grado o comerciante e preparou-lhe uma boa ceia. Em seguida, todos se foram deitar. Só a criada ficou a fazer a sua lida. E lembrou-se que, tendo-lhe acabado o azeite da lamparina, poderia retirar um pouco dos potes do comerciante.
Aproximou-se do primeiro pote, destapou-a e ouviu uma voz que dizia:
- Já está quase na hora! Estejam preparados para matar Ali Babá.
A criada encheu por três vezes o seu cântaro com azeite, que pôs a aquecer sobre uma grande fogueira. Depois acordou Ali e contou-lhe o que se passava. Ambos entornaram azeite a ferver para dentro dos potes e assim todos os bandidos morreram queimados.
E desta maneira, o país ficou livre dos terríveis bandidos e Ali Babá tornou-se imensamente rico com o tesouro da gruta.

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