domingo, 22 de abril de 2012

O PRÍNCIPE ENCANTADO

Era uma vez uma velha ambiciosa que tinha três filhas, cada qual mais feia.
Perto da casa da velha, morava uma moça muito bonita que, apesar de pobre, andava com lindos vestidos e ricas jóias.
Desconfiando de tanta riqueza, a velha visitava, freqüentemente, a casa da moça para ver se descobria alguma coisa. Mas, por mais que procurasse, nada conseguia saber.
Resolveu então sua filha mais velha, tentar descobrir o segredo. Dirigiu-se à casa da moça e, depois de muitos rodeios, pediu a esta para passar a noite em sua casa.
A moça consentiu, mas, quando foi na hora de dormir, pôs no café da vizinha um remédio muito forte, que a fez dormir a noite toda, sem nada ver ou ouvir.
Enquanto ela dormia, bateu na janela da moça um belo papagaio. A moça abriu a janela, e a ave entrou no seu quarto, onde já estava preparada uma bacia com água. O papagaio tomou um banho, sacudindo as penas. Cada pingo que caía fora da bacia era um lindo diamante, que a moça recolhia e guardava. Quando o papagaio acabou de se banhar, transformou-se num belo príncipe.
A moça abriu a janela, e a ave entrou no seu quarto.
Depois de passar a noite com sua noiva, o príncipe, logo que clareou o dia, transformou-se num papagaio e voou para longe.
A filha da velha, que nada vira, voltou para casa dizendo que era mentira o que se dizia da moça.
Mas a velha, desconfiada, mandou a outra filha para passar a noite na casa da vizinha. Aconteceu então a mesma coisa: ela tomou café com remédio e roncou a noite toda.
Diante disso, a velha, sempre desconfiada, mandou a sua filha mais moça.
Esta, que era muito esperta, quando lhe foi dado o café, fingiu que ia bebê-lo e o derramou sobre um lenço que levava escondido. Deitou-se na cama e fingiu que estava dormindo. Pode, assim, ver o que aconteceu durante a noite.
Quando amanheceu, correu para casa e contou tudo à sua mãe.
A velha ficou ralada de inveja e, assim que anoiteceu, colocou no peitoril da janela da vizinha, uma porção de cacos de vidro e pedaços de navalha.
Quando o papagaio chegou e foi passar pela janela ficou ferido, com o sangue a escorrer.
A moça, espantada, correu para cuidar do papagaio, mas este, batendo as asas, exclamou:
— Ah! ingrata! Estou perdido! Nunca mais me verás, a não ser que mandes fazer uma roupa de bronze e andes com ela até o Reino do Limo Verde, onde moro! Dizendo isso, bateu asas e desapareceu no espaço.
A moça ficou muito triste e compreendeu o motivo das visitas das filhas da velha. Mas não desanimou. Mandou fazer uma roupa de bronze, vestiu-a e saiu pelo mundo à procura do Príncipe do Limo Verde.
Depois de dois anos de viagem, chegou ao reino da Lua e perguntou a esta se lhe poderia dar notícias do Reino do Limo Verde.
A Lua respondeu que nunca ouvira falar nesse reino, mas que talvez o Sol soubesse alguma coisa a esse respeito.
A moça despediu-se e, na saída, a Lua lhe deu de presente uma almofada de fazer rendas, com bilros e alfinetes de ouro.
A moça seguiu viagem e, depois de andar dois anos, chegou à casa do Sol.
Este disse também que jamais ouvira falar no Reino do Limo Verde. Mas que talvez o Vento Grande pudesse dar alguma informação sobre ele.
A moça despediu-se e, na saída, o Sol lhe deu de presente uma galinha com pintos, todos de ouro, vivos e andando.
A moça viajou mais dois anos e, afinal, chegou à casa do Vento Grande. Este ouviu o que ela disse e respondeu:
— Conheço o Reino do Limo Verde. Ainda ontem passei por lá. A moça então suplicou ao Vento que a levasse até lá. O Vento Grande lhe respondeu:
— Amanhã monte em mim e, quando encontrar uma árvore muito grande e muito copada, na frente de um palácio muito rico, segure-se nos galhos, que é ali.
No dia seguinte, lá foi a moça montada no Vento Grande.
Ao avistar a árvore, agarrou-se à mesma e desceu. E ficou, embaixo, imaginando o que havia de fazer para entrar no palácio e ver o príncipe.
Nesse momento, chegaram três rolinhas, pousaram na árvore e começaram a conversar. Disse uma delas:
— Não sabem? O príncipe do Limo Verde está para morrer.
A segunda perguntou: — O que será bom para ele?
E a terceira respondeu:
— As feridas que ele tem no peito não saram mais; só se nos pegarem, tirarem nossos corações, torrarem, moerem e deitarem o pó nas feridas.
A moça, que ouvira toda a conversa, armou um laço e pegou as três rolinhas.
Tirou-lhes os corações, torrou-os e fez um pozinho que guardou cuidadosamente.
Em seguida partiu à procura do príncipe.
Fez tudo para entrar no palácio, mas não conseguiu.
Então, tirou a almofada de ouro que a Lua lhe havia dado, e começou a fazer renda.
Daí a pouco, veio passando uma criada do palácio que ficou maravilhada com a beleza da almofada.
Foi contar o que vira à rainha e esta mandou perguntar à moça quanto queria pela almofada.
E a moça respondeu: — Darei de presente a almofada, se me deixarem dormir no quarto do príncipe.
A rainha ficou ofendida e quis mandar prender a moça, mas a criada lhe disse:
— Ora, minha senhora, o príncipe está tão doente que não conhece mais ninguém. Que mal faz que aquela tola durma no chão de seu quarto ?
A rainha, então, consentiu e ficou com a almofada de ouro.
A moça foi dormir no quarto do príncipe e logo na primeira noite lavou-lhe as feridas e pos nelas o pó das rolinhas. Mas, desta vez, o rapaz não a reconheceu.
No dia seguinte, a moça foi, novamente, para debaixo da árvore e soltou a galinha e os pintos de ouro.
Passou a criada e ficou admirada com o que viu.
Foi correndo contar à rainha. Mandou esta perguntar quanto custava a galinha e os pintos.
A moça respondeu que daria de graça aquelas preciosidades se a deixassem dormir duas noites no quarto do príncipe.
A rainha, a princípio, não queria deixar, mas, a conselho da criada, acabou consentindo.
Na segunda noite, o príncipe melhorou muito e, na terceira, ficou completamente bom e reconheceu a moça.
Abraçou-a, ternamente, e pediu-a em casamento.
E claro que a moça aceitou.
Então, o príncipe apresentou-a a seus pais como sua noiva.
Dias depois, realizou-se o casamento com grande pompa.
Houve muitas festas, não só no palácio, como em todo o Reino do Limo Verde.

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