quarta-feira, 21 de março de 2012

A PALAVRA MÁGICA

Numa floresta encantada _como em toda floresta_ viviam muitos animais. Mas estava acontecendo uma coisa muito ruim e que preocupava a todos: os bichinhos nem sempre eram gentis e educados uns com os outros. Havia bicho que nem dizia bom dia. Já acordava de mal com a vida! O sol estava lindo no céu, mas o sorriso não aparecia nas carinhas mal humoradas! Nada estava bom: reclamavam da cama, do café, da roupa, da comida, dos amigos, da professora...
reclamavam ...reclamavam... reclamavam...
A Dona Coruja, de olhos grandes, estava muito preocupada com essa situação e disse que isso não poderia continuar assim, porque até quem não era de reclamar estava reclamando. Parecia uma doença que ia contaminando todo mundo. De repende, havia bichinho brigando de um lado, outro chorando de outro lado, mais adiante, um com muita raiva... Assim, Dona Coruja resolveu reunir todos na clareira da Pedra Grande e fazer uma comunicação.
A sineta tocou da mão do Sr. Urubu, assistente da Dona Coruja e todos estavam a postos aguardando a grande comunicação a ser proferida. Dona Coruja, respeitada por todos por ser possuidora de grande sabedoria, se vestiu com uma capa preta, um chapéu quadradinho_ parecendo aqueles de formatura_ de peito erguido, se aproximou da grande pedra e se colocou em posição de discurso.
_Prezados companheiros, há uma grande onda de mal humor tomando conta de nossa floresta. Reclamamos de tudo e de todos. Não somos gentis com nossos irmãos e somos até maldosos às vezes. Batemos, xingamos, brigamos, respondemos mal, desrespeitamos os mais velhos e tantas outras coisas ruins. Portanto essa reunião é para colocarmos um fim nisso. Devemos ser gratos a Deus pelo que recebemos e olhar sempre para a frente, deixando o passado para trás. Sendo assim, proponho uma disputa entre os animais. Vou contar um segredo que guardo há muito tempo, para uma ocasião especial e acho que chegou a hora de revelá-lo.
Há muitos e muitos anos atrás, uma estrela caiu do céu e me disse uma palavra mágica que deveria ser pronunciada para o Grande Carvalho mais antigo da floresta. Se a palavra for dita corretamente, a árvora anciã nos dirá um segredo que salvará a todos nós. Mas a palavra tem que ser dita corretamente por um animal que possua boas qualidades dentro de seu coração.
Assim, amanhã, ao nascer do sol, aqueles animais que quiserem a missão, vão me procurar e veremos se irão conseguir. Todos os animais poderão se candidatar e vamos torcer para que algum deles consiga e nos salve!
Quando a reunião terminou a bicharada não falava em outra coisa. O Leão rugiu e falou: eu sou o rei da floresta e vou conseguir trazer a mensagem. E assim, no dia seguinte foi procurar a Dona Coruja e pedir a senha para falar ao Carvalho.
Dona Coruja, ao raiar o sol, já estava pronta esperando os candidatos. Chegou o Sr Leão, com a juba empertigada, todo garboso pronto para a missão. Dona Coruja então, disse a palavra mágica e lá se foi o Leão...
Dois dias depois, volta o Leão, cabisbaixo, sem nada conseguir. O Carvalho não atendeu o seu pedido porque a palavra não estava certa.
Se candidatou então, o Elefante, afinal, ele era mais forte. E fez da mesma forma. Dois dias se passaram e acontece tudo de novo. Como o Leão, o Elefente também não conseguiu. Assim todos os animais foram tentando e ninguém conseguia pronunciar a palavra corretamente.
Dona Coruja estava muito preocupada porque os animais mais fortes, valentes e espertos não estavam conseguindo...O que será da comunidade dos bichos? Será que terão que ficar assim reclamando de tudo para sempre?
Quando não havia mais nenhum candidato de peso, eis que surge a Dona Tartaruga e se candidata a ser a missionária. Oh! foi uma exclamação total seguida de risos ...kakakakakakakakaka _A Dona Tartaruga, com esta moleza toda é que não vai conseguir mesmo!!!!!kakakakakakaka _ disse o galo. E ninguém acreditava na Dona Tartaruga.
Logo a Dona Coruja, em sua sabedoria, ralhou com todos e disse que todos de boa-vontade, eram bem-vindos!!!! E revelou a palavra para a candidata: _A palavra é: FRUTAPEPETROPAPATRAPOPAPOPÉ. E lá se foi a Dona Tartaruga que demorará quatro dias, ao invés de dois, pois ela era bem mais lenta. E demorou...demorou...demorou...demorou... Eis que chega o dia da volta da Dona Tartaruga. Os bichos estavam reunidos na clareira à espera da chegada e com uma porção de dúvidas: _Será que ela vai conseguir????? Será que trará a mensagem salvadora??????
Than...tham...than...than...Eis que surge, de dentro de uma folhagem, a Dona Tartaruga, exausta, mas cantando...FRUTAPEPETROPAPATRAPOPAPOPÉ...e em sua mão um cartaz com o mandamento salvador:
AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem.
Assim,a partir desse dia, todos começaram a si tratar bem. Quem queria ser respeitado, respeitava o outro. Quem queria ser bem tratado, tratava bem ao outro...simples assim...e o mal humor, foi passando, o coração foi ficando leve, sem raiva, sem ódio, sem mágoa...só com boa vontade!!!!
E quem se achava pequeno, fraquinho, incapaz de grandes feitos, viu, graças à tartaruga, que era capaz de grandes realizações.
(Esta história foi adaptada por mim, a partir de uma apresentação da Bia Bedran, na tv, há muito tempo atrás. Magda kokke)

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